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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2006

momentus

Creio ser o show de Maria de Barros, ocorrido no Sábado passado, uma celebração da cabo-verdianidade no sentido mais puro e simples da questão. O país global e diasporizado estava ali naquele palco. A cantora que nem nasceu nas ilhas ofereceu-nos uma noite cabo-verdiana, das mais genuinas vistas por estas bandas. Morna, coladera, funaná, presença, voz, charme, simpatia, the last, but not the least, competência. A cantora que nasceu no Senegal, canta também em francês, e balança o corpo dir-se-ia que dos ventos da Mauritânia, onde cresceu. Celebra a sua latinidade. Abraça as suas origens.
A banda de Maria de Barros é também uma pérola. Além dos Cabo-verdianos Djim Job (baixo), Zé Rui (cavaquinho) e Calú Monteiro (drums) supreende com o californiano Mitchell Long (guitarra e pandeiro) os brasileiros Sandro Rebel, e Grecco Buratto (teclado e guitarra, respectivamente). Antes de terem sido apresentados pela diva, dava para imaginar que eram estrangeiros, mas o ritmo cabo-verdiano, e o coro…

As belas histórias de África

Assistia, ontem, pela Televisão Nacional, à entrega do prémio Jornalista Africano CNN Multichoice. Uma iniciativa de 10 anos que tem prestigiado a competência e a ousadia jornalísticas em África. Uma boa ideia, sem dúvida. Em Cabo Verde também a associação dos jornalista, AJOC, já criou um prémio para distinguir a qualidade. Perfeito! No decorrer da entrega, percebi, com alguma inquietação, que todas as reportagens premiadas falavam de pessoas violentadas, crianças estrupadas, vítimas da Sida, dificuldades mil. Até o prémio destinado às Artes e Cultura estava relacionado a uma agrura qualquer. Não se sabe de que lado está o pessimismo. Se do lado dos concorrentes que acreditam mais no impacto desses trabalhos, ou do júri que só premeia desgraças bem narradas. Sem qualquer desprimor pelos assuntos premiados, que indiscutivelmente fazem parte do quotidiano de alguns países, e devem ser denunciados, questino a uniformidade da agenda, num continente tão diverso como o Africano. É motivo d…

"Maria cheia de graça"

Há cerca de dois anos, o jornal americano Boston Globe fez uma reportagem sobre esta mulher intitulada Maria full of grace. O que li aumentou o meu interesse por ela, e cada vez que a ouvia, gostava mais. Alguma coisa na sua música me transportava aos anos 80, periodo áureo da música cabo-verdiana. Ela é Maria de Barros - a diva cabo-verdiana na diáspora. Encontra-se em Cabo Verde para uma mega digressão pelas Ilhas de S.Vicente, Boa Vista, Santiago, Brava (provavelmente), Fogo e Sal. Esta cantora que em 2003 explodiu, pelas mãos da gravadora Virgin, só agora pôde mostrar às ilhas a sua música. Um encanto! São dois super discos gravados, Nhâ Mundo (2003) e Dança ma mi (2005) - compostos predominantemente por mornas e coladeras, interpretadas por uma voz límpida e singular, com estilo próprio, roçando ao de leve às grandes divas deste país.
Quando decidi gravar pensei na minha mãe. Queria que ela sentisse que gravei um disco genuinamente cabo-verdiano, disse-nos. Crioula cidadã do mundo…

Dias se passaram...

Impressionante. Há momentos em que por razões várias (tristes ou insondáveis), optamos por uma hibernação tácita. Por uns dias é como se ausentássemos do mundo. Estranhas sensações. As coisas nos passam ao lado. A última semana, para mim, funcionou nesse ritmo. Desconectada mesmo! Mas aqui sei que estou à vontade para falar dos vacilos que sequer tive, das intenções desconhecidas, e porque não das imaginações (algumas metafísicas). Estou livre, inclusive, para me punir (não será decerto necessário) pelas ausências, ou pelos silêncios imperdoáveis. Tive os meus motivos e continuo a tê-los tenuamente.

Do final de semana, não poderei falar do show Trás de Sonde Djinho Barbosa, no Palácio da Cultura, porque não fui. Já vi que perdi. Fiquei em companhia de Julie London, Dianne Reeves, Nina Simone...
Os livros da minha vida de Henry Miller, é outra companhia que venho apreciando há uns dias. Um escritor sem margens, de facto. Ler por prazer é a sua máxima. Não alinha em dogmas classissistas e…

A nossa música...

"No que respeita à música cabo-verdiana, ela simplesmente “É”. O seu lugar está conquistado, já adquiriu estatuto. Faz falta à cultura portuguesa! Nas ruas, sem programação ou aviso, ouvem-se com frequência, das janelas de carros velozes, os sons do funaná ou os ecos da morna que saem das discográficas, em vozes bem identificáveis.
Nas chamadas “catedrais” da música cabo-verdiana - Casa da Morna, B.Leza, En’Clave, mas também “Musidanças” e “Speakeasy” - passam habitualmente Tito Paris, Bana, Celina, Titina, Ana Firmino, Maria Alice, Dany Silva, Leonel, Hermémio, Mayra, Nancy Vieira (foto), Lura, Sara Tavares." Leia mais aqui.

Bazofu

Beto Dias está a preparar o seu Best of, que deverá ser lançado em meados de Setembro. Um disco que revisita a sua carreira de dezassete anos, e traz para a actualidade temas como SantoAmaro, Unidade e amor, Sin Sabeba, Ki Vida e muitas outras surpresas. O cantor diz que este projecto responde, sobretudo, a anseios de alguns apreciadores da sua música, e fans do extinto grupo Rabelados de que foi lider durante anos. De referir que o artista gravou, ao longo do seu percurso, dois discos com os Rabelados, e quatro trabalhos a sólo. Dias encontra-se entre nós para participar de uma campanha da marca de roupas desportivas Bazofu, e participar no novo programa de TV produzido pela Agência Cabo-verdiana de Imagens, Top Criolo.

Boy Gé

O sono tarda... Boy Gé Mendes canta. Preenche a noite. Embala...
Melodias, sons das ilhas e do deserto, a paixão, a beleza, a ancestralidade, os santos da Bahia, "elements"..., e finalmente a morabeza criola. A África na sua diversidade, cantada pelo mininu criolo di Senegal. Um músico universal e profundo que precisa cantar mais para nós. Escute os seus dois últimos discos: Lagoa e Noite de Morabeza. Doux Miel.

La nuit Une voix... une présence...
une chaleur amie...
sont toujours souhaitées
dans les nuits oú
le temps nous trahit

Boy Gé

momentu

Muitos dos meus posts surgem assim, do nada. De uma palavra, um olhar, uma situação, ao acordar... Assistia hoje à edição do programa musical "Top Criol". Era uma entrevista com a Danae. As suas respostas flutuavam, e ela falava sempre em momentos. De repente, surgiu-me a densidade dessa palavra, a depender, claro, de quem a pronuncie. Do Latim momentu, a expressão momentos significa, num primeiro sinal, tempo ou ocasião em que alguma se faz ou acontece, pode também significar instante. Surfando pela net, reparei que todos os blogs que adoptaram esta palavra retratam, sobretudo, os bons momentos, as sensações leves, retratam formas de beleza. E percebi, com a entrevista da Danae, e em outras situações, que independentemente da acepção original da palavra momentos, ela tem um sentido convencional positivo muito mais apropriado.
O meu blog é apenas mais um exemplo. Com um olhar pessoalíssimo, não descurando da jornalista (e as suas inerências) em mim, falo, aqui, de bons fluído…