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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2006

No mínimo Mayra

Dá a maior vontade de cravar aquele lugar comum: “você ainda vai ouvir falar de Mayra Andrade”. Como não sou bobo nem nada, vou me abster. Mas enquanto escrevo este post, o dedo coça quando volto a alguma faixa de “Navega”, o disco de estréia desta caboverdeana de 21 anos, com talento e beleza suficientes para tornar-se musa instantânea. (Como o disco foi lançado na França em julho deste ano pela Sony, tenho minhas esperanças de que aporte por aqui e, mais ainda, faço campanha para que isso aconteça o mais rápido) ...

Leia mais no mínimo

Só pamodi bó

Só pamodi bó (um recordai pa Luís Morais) é o título de uma exposição do Mito inaugurada, ontem, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa. Os momentos aproveitou a deixa e ensaiou um dedo de prosa com o artista plástico.

Sendo as tuas exposições temáticas, qual o fio condutor a que assiste a todos os teus trabalhos? Haverá um tema maior que seja o denominador comum da tua Arte?
O meu bordão é a minha condição de CV e a forma de lidar com o mundo. A partir deste mote vou abordando as várias nuances desta mesma temática. Todavia, a música é um pólo sempre presente em todos eles. Podemos chamar a isto tudo: a cor do som.
O tributo a Luís Morais conota aqui a uma grande identificação com esse Artista. O que representa para ti a vida e a obra de Luís Morais?
Quando tinha os meus 4 anos (mais coisa, menos coisa), enamorei-me da música do Luís Morais, que na altura era muito popular. Ficava colado à rádio, nos serões em família, torcendo, para que tocasse uma faixa do Luís Morais. Semp…

O dia que passa

O percurso de alguém é feito de momentos, de emoções e de memórias. Nós somos a amálgama do que vivemos: o nosso passado, o partilharmos histórias, o encontramo-nos e o separamo-nos. Somos o que sorrimos e choramos... e tudo isso passa no tempo, sobrevivendo no nosso íntimo e nos molda para a vida.

Em verdade, somos o que vivemos e bastam pequenos sinais, sons fugazes - um halo apenas - para que haja em nós a confluência entre o passado e o presente. E nesse momento, nos apercebemos que nada passa, mas apenas adormece na bruma do tempo... na imensidão da existência, em espírito ou matéria. Os verdadeiros sentimentos perduram por toda a eternidade e se alimentam pela voz do passado.

Laura ki sta mánda

Existem amigos e amigas, cujos convites funcionam como uma "doce intimação". Respondendo a um desses apelos, fui, ontem à noite, à Cidade Velha para assistir ao show do Beto Dias na “Gruta”. Era a primeira vez que ouvia falar nesse espaço, e andava curiosa com relação ao aspecto do novel empreendimento, erguido no berço das ilhas… modismos, diria.

A surpresa foi grande! O open space que pode ser um bar, um restaurante, ou outra coisa qualquer, nasceu no coração de um pedaço de rocha e sobranceia o mar, numa imponência admirável. A vista convida a uma viagem histórica transatlântica, ou não fosse a partir daquele mar o ataque do Corsário Inglês, Francis Drake, à Cidade Velha! Ao lado, entre casas e guentis di Cidade ergue-se uma pensão rústica, parte do projecto em andamento e com propósitos ambiciosos. A dona desse belíssimo empreendimento é uma jornalista italiana, com uma longa carreira na área desportiva, que depois de escrever histórias e mais histórias sobre estas ilhas,…

Brava Cultura

A esta ilha nunca chegará a guerra,
A antítese do canto.
Aqui a beleza foi radical e silvestre
E num princípio não coube no rosto
Nem na mão
Nem na palavra


Aprecio muito o Nascimento do Mundo, obra de Mário Lúcio, que descreve com amor táctil as ilhas de Cabo Verde. Toca-me na alma esse trecho referente à Ilha Brava, terra de Eugénio Tavares, ali conhecido por Nhô Eugénio. Hoje, Dia da Cultura é forçoso fazer referência (e reverência) a essa figura, patrono da efeméride.
Os estudiosos consideram Eugénio Tavares como um dos grandes cultores da língua portuguesa, trabalhada em suas diversas formas. Exímio na prosa e no verso, mas também como polemista consequente de panfletos cívicos e políticos, ele é sem dúvida um dos nossos grandes patrimónios humanos. Era igualmente um cultor singular, senão mesmo figura modal, da língua cabo-verdiana, sobretudo nas suas defesas em prol da língua materna e nas suas composições musicais.

Eugénio Tavares considerava o reconhecimento da língua crioula, à par d…

Mais música...

Lugares

Ontem conversava com alguém sobre a emotividade. Confesso que fora uma conversa desconcertante. Susceptibilidades à parte, mas os lugares também são sujeitos de reflexão e diálogo. Ocorrem-me sempre os lugares, sobretudo aqueles que vou seleccionando como "meus lugares". São uma espécie de contrapartida aos "meus momentos". Quem sabe até sejam a mesma coisa.
Cabo-verdiana de condição, e sobretudo de opção, amo de forma muito própria os pedaços desta terra. Tenho sido recorrente, senão mesmo obstinada, no expressar o meu amor pelo Fogo, ilha que me viu nascer e crescer. Também amo, de paixão por resolver, as ilhas de Santiago, Maio e Brava. Por sinal, todas de Sotavento, mas "sem conotação alguma", como dizia o músico Cazuza.
A esses lugares, me ligam todos os sentidos a funcionar. Percepção total. Ou quase total, pois o absoluto, além de improvável, é detestável.

Guardo réstias de encontros e diálogos. Com os mais velhos. Com as histórias incríveis. Das cate…

Djarfogo na net

Ultimamente tem-se falado muito no turismo rural em Cabo Verde. Um turismo atento às especificidades locais, garante de tranquilidade, do silêncio que tanto precisamos, e de um "ar de vida" mais terra à terra. Alguns privados solitários tem dado passos nesse sentido, mas nem sempre conseguem ir longe. Há ilhas onde o transporte ainda é um problema e as infraestruturas não se adequam minimamente às exigências do turismo. Apesar disso, existem casos de sucesso. O Djarfogo, na Ilha do Fogo é um deles. Uma empresa de turismo personalizado, cujas ofertas centram-se basicamente nas valências locais. Agnelo Vieira Andrade, um filho da ilha que viveu muitos anos em Lisboa, regressou para mostrar ao mundo o que é que o Fogo tem: um património natural e construído riquíssimo, paisagens únicas, um café como poucos, e uma tranquilidade que convida a tudo de bom. Djarfogo já tem un site na Internet. Aqui, pode fazer uma visita virtual a uma das casas mais antigas da ilha, pertencente à …

Da imagem

Ontem assistia com prazer à entrevista do infecciologista brasileiro, Anástácio Queirós Sousa, no Jornal da Noite, da TCV. Este demonstrou ser um profissional de referência na sua área, estando de parabéns todos aqueles que estiveram por detrás da sua vinda a Cabo Verde, sobretudo nesta hora crítica para a Saúde Pública. Mas o homem surpreendeu-me também pela sua postura frente às câmaras de televisão: respostas curtas e fechadas, e sentido atento à jornalista. O entrevistado que dá respostas longas e cheias de ideias intercalares, o que se tornou norma nestas paragens, diga-se, cansa o público e quebra o ritmo da entrevista. Forçoso que se saiba que o entrevistado que olha para a câmara em vez de olhar para a jornalista está mal assessorado.

E falando em assessoria, dá para perceber que existe uma lacuna crescente nesta matéria em Cabo Verde, o que tem dado azo a outras leituras, um tanto ou quanto errôneas, do meu ponto de vista. Pessoalmente, gostaria de direcionar a atenção para a …

Baden Powell

Todas as quintas feiras, à tardinha, o Centro cultural Francês da Praia organiza um Open Bar Café com projecções, no âmbito do Ciclo de Música Brasileira. Nesta quinta vai ser exibido o documentário Velho amigo - O Universo musical de Baden Powell. Um trabalho do realizador francês Jean Claude Guiter, velho amigo do artista. Baden Powell foi um exímio e respeitado guitarrista que conseguiu com suas pesquisas e execuções que muitos ritmos brasileiros, predominantemente de raízes negras, não caíssem no esquecimento. O documentário foi produzido durante três anos, e revela o percurso de um homem notável. Baden Powell já fez parcerias musicais com Vinícius de Morais, Pixinguinha, João da Bahiana só para citar alguns nomes. Morreu aos 63 anos, no dia 26 de Setembro de 2000.

Outubro

sem margens
Roubei de ti o titulo acima, diante de uma assumida preguiça de nomear a minha livre, dir-se-ia que pássara, condição neste blog. Reservar-me ao direito de nada dizer, e sorrir apenas, quando assim me der na telha. Sorrio para as boas almas que me visitam, simplesmente.

fragmentos
Decididamente não sei se fazer anos, significa, de facto, algo nas nossas vidas. Juro que não sei. Já pensei muito neste assunto, e até já tentei ler algo a esse respeito. Nunca soube de nada. Não sei se com os anos tornamo-nos mais felizes ou infelizes, mais maduras ou amargas, mais calmas ou receosas, mais bonitas ou nem por isso. De repente, dei-me conta que não tenho grandes noções dos anos que passaram por mim. Tenho lembranças fragmentadas de momentos importantes da minha vida... também não sei se cresço com a idade. Apenas sei que do menino poeta recuso fragmentos... quero tudo, até ao fim da linha. Meus parabéns, sempre.

ainda fragmentos
A eles e elas que conseguiram surpreender.

p.s
Bem vindo