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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2007

Capital cultural

Nos últimos dias têm surgido declarações preocupantes, aqui e acolá, sobre uma suposta supremacia cultural, social e humana de São Vicente sobre as outras ilhas de Cabo Verde, nomeadamente a Ilha de Santiago.
Pessoalmente, nunca me alinhei nas discussões bairristas que dicotomizam Santiago e São Vicente, primeiro porque sou natural de uma outra ilha (o Fogo) e, segundo, porque sempre vi nessa questiúncula um argumento separatista oco e sem razão de ser.
Mas três intervenções absurdas, nas últimas semanas, na Comunicação Social terão chamado a atenção de muita gente. Primeiro, foi a do Sr. Moacyr Rodrigues a insistir que Mindelo é capital da cultura porque durante o seu processo de povoamento foi para lá gente ilustre, nomeadamente ingleses, portugueses e quejandos, numa visão no mínimo anti antropológica … até me ponho a pensar se o Sr. Moacyr não é um hooligan! Alguma outra etnia terá pisado, portanto, o chão de Mindelo para o desgosto do conhecido professor?
A segunda afirmação indecif…

Estranhas obras

Folheia A Convidada de Simone de Beauvoir e, sempre, não por acaso, lê aquela dedicatória que, dentre outras confissões, ensaia... Endeless love, baby!
Mirta tem pensado na melhor forma de livrar-se desse livro que lhe causa tanta estranheza, e da mania de levar a vida tão a sério.
Enquanto isso, escuta de Caetano... "Um disco de energias concentradas", afiança o músico.

Tó Alves

Falando de obras, afigura-se como a pérola cultural do momento o lançamento do disco de Tó Alves, Hô mãe mas justa. Uma homenagem a Cabo Verde, como tem afirmado o artista nas entrevistas à Comunicação Social. As músicas são todas composições do cantor, sendo a primeira faixa, Vóz Dildoro, escrita em parceria com o músico Kim Alves, seu irmão. Tó elege coladeira e morna como emblemas do seu primeiro disco, há muito pensado e fruto de alguma elaboração. A faixa nº 3, Sperança ta fazeu Sonhá tem um quê de samba... um embalo só, numa voz absolutamente livre.
De referir, que Tó Alves assumi-se como um dos…

Da carreira musical

Grupo Finaçon
Uma pergunta pessoal. Porque é que os nossos artistas chegam ao ápice de suas carreiras musicais e, de repente, caem em cascata?
Alguns tendem a criticar a comunicação social e os agentes culturais (o governo, críticos, produtores...). Outros vêem na ausência de registos a causa da fraca valorização de importantes nomes do passado, ainda que recente.
O facto é que o grupo Finaçon e os seus elementos, o próprio Bulimundo e alguns dos seus músicos, mais recentemente Livity com destaque para Jorge Neto, para não falar de uma fileira deles, não se sentem valorizados pela contribuição incontornável que deram à música cabo-verdiana num momento crucial do seu percurso.
Basta ter dois dedos de prosa com Zézé di nha Reinalda, Jorge Neto, Beto Dias (enquanto ex. líder dos Rabelados) para perceber que convivem com essa mágoa. Para além do que fazem agora, muitos desses artistas querem ser lembrados pelo seu passado, pela sua entrega à música num momento de procura, de busca de uma iden…

O luminoso

Para falar com Deus é preciso estar só…
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz lata
Pode estar querendo dizer o incontível…

Por isso, não se meta a exigir o conteúdo ao poeta
Ao poeta cabe fazer com que na lata venha caber o incabível…

Essa música acordou-me, ontem, de uma soneira preguiçosa em S.Filipe... as músicas de Gilberto Gil distraem-me de tudo que é tarefa. Retive a letra acima, pela TV, de um show que ele deu em Portugal, na cerimónia em que recebia o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro. Um gesto que reconhece o trabalho do Ministro da Cultura mais famoso do mundo, numa assumida missão de inclusão cultural no seu país.
“Uma relação amena entre uma mãe e um filho”… foi com esta simplicidade profunda e característica que Gil ilustrou o actual relacionamento entre Portugal e Brasil.
Por tudo, e sobretudo pela sua luminosidade, Gil é figura recorrente deste blog. A letra acima é parte do seu álbum – Gil luminoso – gravado em 1999 e relançado recen…

Identidade...

Assisti, ontem, ao documentário "Identidade em Trânsito" no Palácio da Cultura Ildo Lobo, no Plateau. De cara gostei, pelo trânsito de gente interessante que lá havia, na sua maioria ex. estudantes no Brasil, inclusive o nosso Primeiro Ministro. Esse documentário é o trabalho de fim de curso de dois brasileiros. A escolha foi acertada e o tema era inédito, diga-se de passagem. O trabalho é manifestamente consistente, sobretudo pelas pistas de abordagem que levanta. Identifiquei-me com alguns dos depoimentos, vivi muitas das situações narradas e, com saudade, escrevo estas linhas. É que o Brasil não deixa ninguém indiferente. Muito menos aqueles que lá viveram. Apesar dos assaltos, das favelas e dos muitos males que assolam esse país, ele nos interpela a uma relação recorrente. Pessoalmente, terei para todo o sempre a minha identidade em trânsito por causa do Brasil e, particularmente, da Bahia. Faltou dizer no documentário (e digo-o aqui) que no Brasil reencontramos as nossa…

2007... teatro

"Quem é que vai ser esta noite?" é o título da peça de teatro que inaugura as lides das artes neste 2007, na Cidade da Praia. Acontece nos dias 4, 5 e 6 no Centro Cultural Português da Praia, às 20h30. À pergunta da peça, "respondem" a jornalista Matilde Dias, e Micaela Barbosa, formada em teatro.
A peça é uma adaptação de “The Dumb Waiter” do dramaturgo Harold Pinter, Prémio Nobel da Literatura de 2005, e pode ser globalmente definida como uma batalha de posições entre dois seres humanos.
"Quem é que vai ser esta noite?" partiu de uma ideia, posteriormente, trabalhada em grupo, em todas as vertentes. Daí os participantes atribuírem uma importância fulcral à questão conceptual do trabalho, na medida em que possibilitou um envolvimento diferente. Devido a essa experiência, considerada enriquecedora, é intenção do grupo dar continuidade a o que chama de "diálogo" num novo formato e com mais abrangência ao nível do público e agentes do teatro.
“Quem é…