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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2007

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945

Casas do Sol

Este empreendimento turístico, à semelhança das construções tradicionais cabo-verdianas, fica em S.Filipe-Fogo, anexo ao Centro Sócio Sanitário S.Francisco, numa zona chamada Cutelo de açúcar, onde decorriam, num passado recente, as corridas de cavalo durante a Bandeira de S.Filipe. Quem não vai ao Fogo, há muito tempo, não consegue imaginar o paraíso erguido naquele chão, sem falar dos serviços médicos e das acções solidárias ali desenvolvidas…
Casas do Sol, sobranceiro a um extenso e envolvente mar, inaugura o turismo solidário na Ilha. É um dos projectos da Associação Solidária para o Desenvolvimento (ASD), apadrinhado pelos Padres Capuchinhos, criado para dar sustentabilidade ao Centro sócio – sanitário S.Francisco.
Divulgue esta ideia!

Manuel Lopes

Queria que chegasses, finalmente,
numa manhã qualquer,
– estrela fria de alva ou sol ardente
cujo sorriso bom
me pudesse prender...
Que tivesses o dom
de me encantar e conter
– que valesses o mundo
que sonhei ter... A prosa consequente de Manuel Lopes, hoje, na TCV, no programa Claridade Incandescente, com Pires Laranjeira e Simone Caputo Gomes.

Do cinema

Gosto do Cinema, e alguns cineastas são, para mim, necessários para a tal fruição a que todos nos damos nesse acto de ver filmes. Spike Lee, (foto) por razões técnicas e existenciais, é um deles. Revejo, há dias, O Infiltrado (Inside man), na TCV, e foi fascinante descobrir novos elementos no mar de criatividade a que esse realizador já nos habituou. É difícil, senão mesmo impossível, catalogar os filmes de Spike Lee, mormente este, tão complexa a sua narrativa.
O assalto a um banco surge, à primeira vista, como o trama central do filme. E é de facto uma surpresa perceber que tal mote, que perpassa todo o enredo, é apenas um elemento que nos conduzirá a uma condenação fria e final de um banqueiro americano que se enriquece à custa do Holocausto. O assalto ali é um pretexto de abordagem para outras perspectivas (a do assaltante-protagonista, a do mágico-realizador e a do espectador em reconstituição da trama).
O filme é simplesmente complexo do ponto de vista narrativo. Não espanta que o…

Há poesia no Irão

“Elle rythme notre vie entiére. L´Iran est le seul pays au monde à dresses des mausolées aus poétes! Quand j´allais visiter des villages, les habitants me faisaient leurs demandes en vers. Quand nous entions enfants, ma mére avait un vers pour chaque événement de la vie. Et il y a un jeu en Iran oú les joueurs enchaînent à tour de rôle les vers, en reprenant la dérnière rime... Chez nous, tout le monde se prend pour un poéte!”

Farah Pahlavi, ex-imperatriz do Irão

Why don't you fight for me?

O eu, o Outro e o Colectivo

Ledo engano esse de considerar o meu blog egocêntrico ou umbigocêntrico. Eu personalizo alguns posts na primeira pessoa, por opção estilística ou outra igualmente legítima. Tenho plena convicção de que nunca me resvalei pelas minhas intimidades. Não faço pensamento, nem discurso excludente. O meu eu não se reserva centrico e absoluto, excluindo o Outro e o Colectivo...
Ademais, quando alguém vai a uma aldeia remota e escolhe falar da vida de uma Joana e dos seus filhos, a ideia é falar da mulher ou das familias daquela região, por exemplo. Importa saber ler em perspectiva e em circularidade. São recursos que convidam, são opções que se fazem, principalmente quando se escreve com a intenção primeira de se comunicar.
Em verdade, este discurso do eu, não esgota o discurso do Outro. O pecado estaria na exclusão também do meu eu. O discurso que excluisse liminarmente o meu eu seria absolutista e fascista. Assim como seria oligarca o discurso hegemônico e exclusivista do eu em detrimento do O…

Fora de ocasião

Entre filas de livros, um título chama a atenção da Ísis. Uma capa branca com azul e vermelho de permeio, e, destacada, uma jovem triste em debruço. É estranho como tudo lembra aquela mulher. E era mesmo… Hiroxima, meu amor, de Marguerite Duras. O filme já vira, o livro nunca lera… ainda que dormisse menos horas, o que não quer é adiar mais este encontro com Duras.

Assim como Ísis

Eu não ´stou de nenhum lado
e no meio também não:
ando sempre deslocado
e fora de ocasião.

Notei que...

Escrevi sobre o Fogo, e poucos dias depois tive de lá ir. Quem conhece este blog, de há muito, sabe que referencio, com alguma regularidade, a minha ilha, e que, infelizmente, só tenho evocado o seu passado, porque no presente, com as devidas margens, pouca coisa interessante acontece por lá.
Já escrevi aqui sobre a Casa da Memória, sobre o Djarfogo (agora com os tempos livres aos Sábados), sobre as bandeiras, os coladores e coladeiras, as igrejas, etc. No finzinho da minha estada, fui apresentada a José Carlos Silva, o rosto daquele interessante programa de culinária Na Roça com os Tachos. O apresentador encontra-se no Fogo, com a sua equipa, a fazer gravações para o seu novo programa Sal na boca, a ser emitido pela RTP 1. Pelo que percebi, um projecto mais ambicioso e atento aos cruzamentos culturais, envolvendo os países lusófonos da África, Portugal e o Brasil: e o interessante é que isso também vai se reflectir nos pratos que confecciona. José Carlos Silva diz-se fascinado por Cab…