
Não sei qual é a face que me mira
quando miro essa face que há no espelho;
e desconheço no reflexo o velho
que o escruta, com silente e exausta ira.
Lento na sombra, com a mão exploro
meus traços invisíveis. Um lampejo
me alcança. O seu cabelo, que entrevejo,
é todo cinza ou é ainda de ouro.
Repito que perdi unicamente
a superfície vã das simples coisas.
Meu consolo é de Milton e é valente,
porém penso nas letras e nas rosas.
Penso que se pudesse ver meu rosto
saberia quem sou neste sol-posto.
Poema: Jorge Luis Borges
Tradução: Renato Suttana
Comentários
Cá vai um cheirinho só para ti:
Sobre o teu rosto mulher,
ergue-se a casa de meu pai
aquele cujo nome de mim
se escondeu como uma recusa,
a amarrotada cama dos dias
onde a pele antiga do tempo
apodreceu sob a casca amena,
rumores daqueles que em nós
sobrevivem com seus cheiros
domésticos, animais de estimação,
flores muchando entre páginas.
De que nocturno pássaro
é este véu de asas em par
que te cobre, qual presságio,
a face.
Alex
JUN/08
Fica bem
ZCunha
Um abraço e bom fim-de-semana,
Margarida
Abç's
ZC