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Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2008

Poema da amante

Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Adalgisa Néri

Mendes Brothers cu nós

O emblemático duo, João e Ramiro Mendes, regressa aos palcos de Cabo Verde para celebrar, em grande, os seus 30 anos de carreira. A banda Mendes Brothers, com os sete discos gravados, contribuiu de forma indelével para que os ritmos tradicionais da Ilha do Fogo fossem conhecidos e apreciados. Os dois músicos, ao longo desses longos anos de percurso, fizeram uma verdadeira incursão na etnografia da ilha do Fogo, e traduziram em ritmos únicos a vivência tradicional dessa região. Ritmos como tchoru, cola, bandera e rafodju selaram todos os discos desses músicos radicados nos Estados Unidos. País, aliás, onde ambos tiveram a rica oportunidade de entender a missão da música.

De recordar, que foi com o Semba (género musical de Angola) cantado pelos Mendes Brothers que a ligação musical entre os Países Africanos de Língua Portuguesa começou a ganhar a dimensão que tem hoje. Nesse espírito de troca muita coisa aconteceu, e um legado ficou.

Nos últimos anos, João Mendes esteve um pouco afastado …

Dia mundial da terra (na década da água)

A par da energia, a água é uma das questões ainda não bem equacionadas em Cabo-Verde. Há uma grande carência em quase todas as regiões nas quais as redes de abastecimento são inferiores a 40 por cento, havendo casos em que beneficiam menos de 10 por cento dos habitantes.










De acordo com um relatório da ONU, em termos de quantidade de água disponível anualmente em média por habitante, Cabo Verde está em posição 158 em 180 países do mundo, tendo-se estimado que cada cabo-verdiano beneficia de apenas 703 metros cúbicos de água por ano.

Os anónimos da Bandeira, e a cidade (que houve)

É quase Maio. Quem visita este blog há 4 anos, sabe que é quando escrevo sobre os personagens da bandeira, curiosamente, os anónimos da Ilha do Fogo. Os netos e bisnetos de coladeiras e tamboreiros que ao longo dos anos deram vida a uma das manifestações culturais mais emblemáticas de Cabo Verde: a Bandeira. Essas almas, são as únicas que ainda têm fé nos santos que celebram, e mostram-na ano pós ano. Nos dias de S.Filipe, S.João, S.Pedro, Santa Cruz nas diferentes localidades da Ilha do Fogo entoam-se cânticos e tambores, reafirmando a sua crença na alma dos dias, e no destino dos homens.
Assim como registo com sentido de causa esse marco, critico a instrumentalização política e económica a que a bandeira de S.Filipe vem sofrendo. A bipolarização partidária que tomou conta de Cabo Verde também invade, de forma intolerável, as festas populares. Uma apropriação que vem descaracterizando a Bandeira e afastando, cada vez mais, o povo e os verdadeiros fiéis.
Em decorrência desse facto, pers…

A (ir)racionalidade de uma canção

A canção...
Intensidade… viagem… melodia…. (des) construção emotiva
Causa e consequência.
Sinais ... margens.
Em suma: profundidade e eternidade.
Razão, também!

Ao meu amigo Cláudio Matraxia

Quadro Histórico

Georges Sand, de barba e bigode,
passeando, fumava tudo
o que havia para fumar:
cachimbo, charuto e cigarro.

Num sofá de seda, uma menina
pálida e tísica, de seu nome Chopin,
sem ligar nada ao piano,
simplesmente dormia.

Longe dos seus tinteiros azuis,
na chaise-longue, um paquiderme
chamado Balzak falava, falava
e nunca mais se calava.

poema: Arménio Vieira
na ilustração: George Sand e Chopin -Admite-se que os dois rostos pertenciam a uma mesma tela (Delacroix) cortada entre 1863 e 1872. Pensa-se que George Sand está sentada à esquerda do quadro, fitando e a escutar Chopin ao piano, à sua esquerda.

Em nome do puro cinema

O americano Quentin Tarantino, actor, realizador e roteirista, é sobretudo um amante desvairado do cinema. Sabemo-lo do Pulp Fiction, filme que lhe abriu as portas para a imortalidade. Sabemo-lo também, já como consagração, pela obra À Prova de Morte (Death proof, 2007), trama de alta intensidade sobre as referências e as paixões fílmicas de Tarantino.
A história, aparentemente básica e linear, é um polígono de terror: um psicopata (Kurt Hussel) segue pela noite quatro lindas raparigas e acaba por assassiná-las num brutal acidente premeditado. O "crash" dos carros é propositadamente macabro. A recorrência a um psicopata, que se apresenta como duplo de filmes, é outra homenagem ao cinema dos anos 70, assim como a alusão à paixão dos australianos por carros, através de uma das personagens da segunda parte do filme.
Os diálogos entre lindas raparigas com telemóveis e revistas modernas repescam o cliché da cultura pop-anglo saxónica. Dir-se-á o mesmo da trilha sonora onde inclui &…