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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2009

A Nação, Cidade Velha e Fesman

1. A Nação atingiu o nº 100, e conhecendo o chão que pisamos, não poderia deixar de desejar muita força ao Jornal e congratular-me com a ideia de pluralidade mediática que o semanário ajudou a erguer. Nessa edição, que me pareceu comemorativa, um grupo de colunistas habitues, ou não, lançaram um olhar especial sobre o Jornalismo, também especializado. Como era de se esperar, foram os outros (tão somente) a falarem do jornalismo, e nunca os próprios jornalistas. Lourenço Lopes diz, a dada altura no seu artigo, que “A Comunicação Social deve poder exercer a sua função pedagógica, criando as condições para se debater as grandes questões sociais do país, desempenhando o seu papel insubstituível de mediador da informação entre a sociedade e os poderes públicos”.
É também este pesado e redutor conceito reinante na "Província", que o Jornal A Nação, nesta data comemorativa, deveria ajudar a desconstruir...


2. O Comité de Gestão e da Comissão Consultiva da Cidade Velha – Património Mu…

S.Filipe: histórias do quotidiano

Uma iniciativa de preservação que salta à vista de quem visita a ilha do Fogo, é a Casa da Memória da cidadã Suiça Monique Widmer que escolheu a cidade para viver. Casa da Memória, o canto etnográfico da ilha, situa-se na parte histórica da cidade e é uma antiga casa de habitação e, depois, casa comercial, que serviu, nos anos 60, para projectar filmes, funcionando assim como o primeiro cinema ao ar livre do Fogo. Desde a sua restauração, em 2001, a Casa da Memória tornou-se num museu incontornável que acolhe em permanência uma exposição etnográfica dos diferentes aspectos da cultura e da história da Ilha do Fogo.
Ultimamente a casa recebeu um novo espólio (uma biblioteca) com raridades que atravessam séculos, diferentes géneros de publicações e alguns discos. Obras que dormiam há décadas no Sobrado de João Monteiro de Macedo, a mais emblemática e bonita casa da cidade.

O lugar das palavras

Os momentos” recebeu um comentário particular, vindo do poeta Jorge Carlos Fonseca… e como neste canto as palavras que tocam nunca se esvaem, republicamos em jeito de cumplicidade o trecho seguinte.... “É como entrar numa casa que não é luxuosa, mas encanta pela sua cómoda arrumação, pelo esmero posto na singela decoração, pela música que parece atravessar os corredores estreitos que separam as divisões.
Talvez por isso, tive dificuldade – ou terá sido cerimónia? - em entrar: por esta porta ou por este canto delicioso?

JCF

Os novos encantos do Fogo

Quem sabe não terá chegado a hora de vermos (e vivenciarmos) a Ilha do Fogo para além do seu portentoso vulcão, dos seus soçobrados sobrados e das suas caudalosas bandeiras? Quem sabe não terá chegado a hora de acrescentarmos algo mais que o instituído e seus clichés para que possamos descortinar outros horizontes que já começam a ser reais na Ilha do Fogo?

Novos elementos, pela sua qualidade e pelos seus encantos, terão de entrar no roteiro e no circuito desta ilha, na medida em que estes marcam alguma singularidade e evidente diferencial em relação ao resto do arquipélago cabo-verdiano.

Antes de mais, valerá dizer que a Ilha do Fogo alberga o único hospital privado de Cabo-Verde. O Hospital São Francisco, graças ao activismo solidário do Padre Octávio Fasano e ao programa de intercâmbio com diversos hospitais e organizações de saúde europeus, é uma unidade hospitalar que presta várias valências e especialidades médicas. Utentes do Fogo e da Brava, bem como doutros pontos do País, proc…

Nostalgia do Presente

Naquele preciso momento o homem disse:
«O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruto.»
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia.

poema deJorge Luis Borges, in "A Cifra"
tradução de Fernando Pinto do Amaral



bom fim-de-semana

Novas do poeta

O confrade do blog Djaroz trouxe vivas notícias de Luis Romano da Cidade de Natal, no Brasil, onde o poeta de S. Antão reside há várias décadas. O encontro aconteceu a 10 de Julho passado, dois dias depois dos órgãos digitais cabo-verdianos "anunciarem a morte" do escritor, (notícia retomada por alguns digitais internacionais) seguido de "sentidas condolências" do Ministério da Cultura.

Djoy Amado relata que ficaram "espantados com este senhor de 87 anos, cuja aparência física debilitada contrasta em absoluto com a vivacidade e a lucidez da alma”. Acrescenta que “mandou vir grogue e, contrariando recomendações médicas, não resistiu em deixar-se levar à sua terra natal (Santo Antão) pelo gosto da cana misturada com ervas”.

Como dissera numa entrevista de há dois anos, marcaram a sua formação literária e humana, “o espectáculo de ver compatrícios morrer à fome, sem revolta, esperando pelas chuvas resignadamente, num fatalismo passivo e revoltante, ao desamparo.” P…

Revolte-se...

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

título: pura eu
poema: fernando pessoa

(Gosto de) Roman Polanski

Saio de uma mente brilhante para entrar numa outra: a do realizador polaco Roman Polanski (foto1). Dos vários filmes que adensam a excelente carreira cinematográfica de Polanski, creio que “O Pianista” condensa o que de “definitivo” esse realizador desenhou para o seu percurso. O próprio reconheceu, aliás, esse feito.

Varsóvia, 1937, Segunda Guerra Mundial. Um pianista judeu e sua família sobrevivem ao aperto do certo alemão. É um tempo de privação e de provação dos judeus. As restrições de circulação e acesso. A versatilidade e a genialidade do Wladyslaw Szpilman. A paixão deste por uma jovem alemã. O surgimento dos guetos (a retirada de Varsóvia), os assassinatos à calha e, finalmente, o campo de concentração e o extermínio. A esse destino, escapa o pianista para um sofrimento mais pausado, dilacerante e humilhante. A música e o piano salvam-no. E é ajudado, inclusive, por um oficial alemão que no fim, no reverso da situação, vai precisar da mesma compaixão.

O Pianista (foto2) arrebat…

MENTE BRILHANTE

(…) A MEMÓRIA É DEVERAS um pandemónio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que remove a papelada para espanar o escritório. Ou como a filha que pretende dispor minha memória na ordem dela, cronológica, alfabética, ou por assunto (…)

Este é um passeio pelo enredo de “Leite derramado”, último livro de Chico Buarque. Quando terminei de o ler balbuciei para os meus botões: espectáculo! Assim reajo quando um livro me extravasa as expectativas. As latitudes que me prenderam: a forma como o autor conta o percurso de um país, (O Brasil) através das memórias de um velho aristocrata decadente, num monólogo absoluto, nele despontando a narrativa.

Num leito do hospital do Rio de Janeiro, um velho da linhagem D`Assumpção, genealogia de família tradicional, resiste em desperdiçar os seus últimos dias como um anónimo e decide contar as suas lembranças a quem o quisesse ouvir - os médico…

Bad news!

O FESMAN III, marcado para acontecer entre os dias 1 e 14 de Dezembro de 2009, no Senegal, acaba de ser adiado para 2011 pelo presidente senegalês Abdoulaye Wade (foto). Essa comunicação foi feita ontem em Nova York perante a presença de uma centena de jornalistas. As razões de fundo desse adiamento ainda não foram apresentadas, mas sabe-se que algumas vozes da diáspora já vinham sugerindo um possível reescalonamento do Festival, tendo em conta o nível de exigência técnica e logística que acarreta. A decisão, entretanto, parece não ter sido partilhada entre os responsáveis ministeriais ligados ao evento, bem como a própria organização do Festival. Tanto que ela já mereceu desmentido do Ministro das Comunicações senegalês 'A ce jour, aucune proposition de report du Fesman n'a été enregistrée', disse o governante. Entrementes, aguardamos todos novos desenvolvimentos.

Em todo o caso, a acontecer o adiamento do III Festival das Artes Negras, seria um grande fiasco, porquanto, c…

Gullar...

O meu poeta diz que "a noite é mais veloz nos trópicos", e eu concordo.

Badju conjunto

O conceito está de volta... a proposta é de Aldino Cardoso e o regresso será marcado com Tito Paris no antigo aeroporto da Praia, 1 de Agosto às 20 horas. Os bailes di conjuntu faziam a festa nos idos anos, (finais de 70 e 80) numa época em que os grupos musicais eram uma realidade, e a música assumia um determinado papel sócio cultural. De recordar, que os grupos musicais centravam-se marcadamente na Praia, mas regularmente em momentos festivos viajavam para as outras ilhas para animar as salas de badju e os palcos.
O objectivo do promotor desta ideia é proporcionar uma alternativa de diversão que marcou geração às pessoas "mais maduras", e ao mesmo tempo dar a conhecer aos mais jovens esse modelo. Uma boa ideia...

Pedido

Remenda meu amor rasgado,
Cura essa dor sem fim
Escuta as palavras não ditas,
Refaz os caminhos perdidos,
Ouve todos os meus lamentos,
Estanca a poesia que escorre em mim,
Olha para mim, aqui estou.
Espero meu amor, inteiro,
Saro de toda a dor,
Nem terei palavras a dizer,
Voltarei pelo mesmo caminho,
Sem me lamentar…
Mas, sem a poesia a me ter…
Procurarás, onde estou?
Morri.

poema: Marly Costa
na imagem: Simone de Beauvoir

nota pura: Um feminino desabrido (o íntimo, o lírico, e a morte à espreita no império da Poesia) …. uma dedicatória aos amigos e visitantes que gostam de poesia.

Minha banda, meu selo …

(…)

Eu pensei te dizer
tanta coisa
Mas pra quê
Se eu tenho a música (música)

(...)

nota pura: Há quase 30 anos que o grupo Roupa Nova canta e encanta dentro e fora do Brasil … é a banda com mais trilhas sonoras passadas nas telenovelas, e ao contrário de muitos outros grupos e artistas da praça brasileira, sobreviveu às gramáticas do tempo e continua apostado em fazer da vida, pela via da música, uma "balada" simples e feliz …

Lauro Moreira voltou...

Noite de poesia e tertúlia literária esta quarta-feira, na Cidade Velha, a cargo de Lauro Moreira, (foto) embaixador do Brasil na CPLP, de visita a Cabo Verde, a convite da Edilidade de Ribeira Grande de Santiago e do Centro Cultural Brasileiro. O móbil desta visita, com pendor fortemente cultural, tem a ver com Cidade Velha, recentemente eleita pela UNESCO a Património Mundial da Humanidade.

Essa personalidade complexa e multifacetada, declamador poético de grande nomeada, vai realizar um sarau intitulado “Vozes Poéticas da Lusofonia”, tendo, para além disso, um encontro marcado com escritores e intelectuais cabo-verdianos. É da autoria de Lauro Moreira o CD “Manuel Bandeira – o Poeta em Botafogo” (conversa entre Bandeira e Lauro Moreira, em casa deste no Rio de Janeiro).

Pela certa, o homem irá recitar poemas lusófonos, sem esquecer Jorge Barbosa e, quem sabe, Arménio Vieira, Prémio Camões 2009. Tudo isso, a prestigiar Cidade Velha, berço da nacionalidade cabo-verdiana e património da…

Permanência

A pedra continua inerte
A loucura continua efémera
O sonho continua eterno
O solilóquio da solidão continua terno
O caminho das lanternas continua traiçoeiro
As promessas da madrugada continuam incertas

A água de cada dia continua térmica
Os insultos no estádio da várzea continuam esféricos
O amor na praça da cidade continua
/desinibido e espérmico
O trópico de câncer de olhar posto em santiago
/continua aridamente hemisférico

A aurora para além dos labirintos do subúrbio
/continua quimérica
O polegar de txibita continua cadavérico
e ressequido sobre o deserto do seu crânio
Os pedintes continuam elegantemente raquíticos
e sentados compõem o requiem do quotidiano

A ilusão continua verde
(do verde lunar das serenatas)
nesta cidade
de pedras
que sonham
na face imaginada da água
e rejubilantes
digerem
a esperança
sempre erecta
no seu verdejar
na aurora do pedinte…

nota pura:poema de erasmo cbral de almada (ao Mito) constante do seu último livro Praianas: uma revisitação às Coisas e às Causas da Cidade...
foto: Duarte B…

Se Oriente

Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação

Gilberto Gil. Oriente
Os detalhes têm força quando nos conseguem desviar do genérico... assim penso e, partindo de um pequeno detalhe, esboço estas curtas linhas sobre a comunidade cabo-verdiana em Macau.
É tocante deambular por Macau acompanhada por um ou dois cabo-verdianos e ter a sensação de que são conhecidos por muita gente. Uma terra minúscula com cerca de 28 quilómetros quadrados, no Extremo Oriente, mas que é um formigueiro de cerca de seiscentas mil pessoas entre residentes e turistas. O paradoxo da familiaridade, direi.

Os poucos mais de quarenta cabo-verdianos formam uma comunidade interessante e peculiar, porquanto estão nas mais diferentes esferas profissionais e encontram-se perfeitamente integrados. Ao contrário do que se poderia pensar, nem o factor língua e muito menos a cultura oriental criaram barreiras para essa gente que lá nos confins da China vive Cabo…

Amor, quantos caminhos

“ Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.” pablo neruda

Pura música

Por caminhos distantes, soletrando as horas, se tenta voltar ao rio dos (re) encontros improváveis... inabalávelmente desejados. É assim, quando se volta arredada da razão das coisas ... é assim quando a música acontece! pura eu