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Mensagens

momentu

Muitos dos meus posts surgem assim, do nada. De uma palavra, um olhar, uma situação, ao acordar... Assistia hoje à edição do programa musical "Top Criol". Era uma entrevista com a Danae. As suas respostas flutuavam, e ela falava sempre em momentos. De repente, surgiu-me a densidade dessa palavra, a depender, claro, de quem a pronuncie. Do Latim momentu, a expressão momentos significa, num primeiro sinal, tempo ou ocasião em que alguma se faz ou acontece, pode também significar instante. Surfando pela net, reparei que todos os blogs que adoptaram esta palavra retratam, sobretudo, os bons momentos, as sensações leves, retratam formas de beleza. E percebi, com a entrevista da Danae, e em outras situações, que independentemente da acepção original da palavra momentos, ela tem um sentido convencional positivo muito mais apropriado.
O meu blog é apenas mais um exemplo. Com um olhar pessoalíssimo, não descurando da jornalista (e as suas inerências) em mim, falo, aqui, de bons fluído…

À espera da luz

Volta e recomeça, apesar do imutável, apesar daquele ser eternamente seu, apesar de tudo, e por tudo. Volta para nas últimas palavras do poeta encontrar a resposta. Volta, à espera da luz.

"Não um caso doentio
nem a ausência de grandeza, não,
nada pode matar o melhor de nós,
a bondade, sim senhor, que padecemos:
- bela é a flor do homem, sua conduta
e cada porta é a bela verdade
e não a sussurante aleivosia.

Sempre ganhei, por ter sido melhor,
melhor que eu, melhor do que fui,
a condecoração mais taciturna:
- recuperar aquela pétala perdida
de minha melancolia hereditária
- buscar mais uma vez a luz que canta
dentro de mim, a luz inapelável".

Pablo Neruda. in: Últimos Poemas (O Mar e os Sinos)

Silêncio

Uns dias de ausência até o regresso de um ponto qualquer.

Confidências

Vi o show em êxtase. A interpretação de Apocalipse de Manuel d` Novas, transportou-me aos momentos do primeiro disco de Dudu Araújo. Foi uma viagem. Pidrinha revisitado. Tanha de Renato Cardoso, e muitos outros.
De Nôs cantador, Dudu Araújo passou, definitivamente, para Nha cantador. Um estilo inconfundível e uma postura garbosa no palco. Interioriza a poesia lírica na sua plenitude e interpreta-a com alma. Fala com amizade e admiração dos seus compositores, fala das músicas, e interage com a plateia. Pareceu-me tímido, dir-se-ia que da sua densidade artística. Apetece-me também falar da voz, a voz do Dudu: convida a viagens, dá vida a lugares, a personagens, a detalhes do quotidiano...
Nhelas Spencer e Betú são, para mim, dois pilares fundamentais desse disco. Composições únicas numa sintonia perfeita com o intérprete. Nôs Cantador é um disco imperdível e Dudu no palco é uma outra história. Na banda que ontem acompanhou Dudu, destacava também Voginha e Bau. Um delírio bem ao estilo cri…

Dudu

Dudu Araújo é considerado, por muitos, o cantor da actualidade. Eu diria mais. Uma voz inconfundível, que desde os primeiros passos (início dos anos noventa, se não estou em erro) mostrou para que veio. O seu primeiro trabalho foi, durante anos, muito ouvido e apreciado entre nós, mas não aconteceu o mesmo com os dois seguintes, editados no Canadá onde reside. O quarto disco, "Pidrinha", foi muito celebrado, mas soube a pouco, tendo em conta a sua dimensão poética.
Neste momento o artista encontra-se na Capital cabo-verdiana a promover o seu último disco “Nôs Cantador” – título de uma morna do Betú incluída no disco, em tributo a Ildo Lobo. O último trabalho de Dudu Araújo é uma prenda e reúne, de uma sentada, os mais consagrados músicos e intérpretes cabo-verdianos: Bau e Hernâni na guitarra, Zé Paris no baixo acústico e Tey Santos na percussão. Dos compositores, Betú, Vlú, Nhelas Spencer, Teófilo Chantre e Manuel D`Novas impressionam com o seu lirismo.
"Nôs Cantador&quo…

Em busca do "meu clássico"

Terminei de ler "Riso na Escuridão" de Vladimir Nabokov, releio "O Amante" de Marguerite Duras e inicío uma viagem por "Porque ler os clássicos?", de Ítalo Calvino. Este último livro fez-me pensar nas minhas leituras de adolescência. Leituras desajeitadas, porque não orientadas, leituras ao acaso, algumas indicadas, é certo. A minha grande decepção residia na memória nublada que tenho de alguns livros. Nos meus 13, 14 anos devorei a magra coleccão juvenil, e não só, da biblioteca municipal da minha cidade. Era conhecida do responsável pela Biblioteca, um rapaz que tomava conta apenas daquele espaço, já que mal sabia escrever. Tinha entrada e circulação livre pelas estantes, via e revia os titulos, lia e relia as introduções. Aquilo que me agradava à primeira, levava.
Revistas e jornais também contam. O pároco de S.Filipe era assinante da revista Família Cristã. Eu era a segunda leitora assídua de cada número daquela publicação. Ia à casa do Pároco, religio…

Africa Rainbow

Africa Rainbow é o blog criolo mais recente da web. É suportado por uma banda de reggae que existe em Brockton, Massachussets, há 5 anos, formada por um grupo de jovens de origem cabo-verdiana. "Rapazis di Rainbow" estão com o pé na estrada, daí esta incursão bloguista, a promover o seu primeiro demo gravado no estúdio da própria banda. Esse lançamento tem um carácter puramente promocional, como frisa a banda na sua página. O grupo está aberto a espectáculos e espera o seu contacto.
De referir o espírito irreverente e a incondional ligação à terra do Africa Rainbow. É só visitar o blog e conferir.