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Mensagens

Jorge Barbosa

Rumores das coisas simples da minha terra...
Dos trapiches
Quando esmagam a cana para o grogue
Com os bois pacíficos a rodar,
Sempre a rodar
Ao som desse canto que vem dos currais
Numa cadencia estranha de nostalgia,
Que deixa um arrepio a morrer no ar...


Aparentemente de poética simplista, quase coloquial, Jorge Barbosa é o ápice da metáfora claridosa. Há mesmo quem afirme que a claridosidade apareceu ao grande público pelas mãos de Jorge Barbosa, quando, em 1935, ano anterior ao lançamento da Revista Claridade, publicou o livro “Arquipélago”.

Jaime de Figueiredo, antologista e dissidente do Movimento Claridoso, considerou Jorge Barbosa como uma presença poética das mais autênticas, integrada na realidade própria do movimento literário modernista dos anos 30. Os seus versos simples traduziam, no ver de Jaime de Figueiredo, a comovida identificação com a humilde matéria ambiente e os apagados dramas da vida das ilhas perdidas no mar.

O programa Claridade Incandescente mostra, amanhã, na TCV, “a…

O agora

Sei admitir as minhas esquisitices, e uma delas é a dificuldade que sinto em conviver com o agora. "Explico-me", com um exemplo:

A TCV está a preparar a emissão, em directo, do Gambôa 2007, e por causa disso, há uma semana que só oiço falar desse festival de música, a ponto de, sinceramente, não estar a pensar em assistir nem ao show do Beto Dias, nem da Sandra de Sá.

Em Salvador, também era assim. Mesmo morando a poucos metros da avenida Barra/Ondina (e convivendo com a zoada mediática) só colocava o pé fora de casa para ver o Araketu, o Expresso 2222, a partir do ano que retomou a avenida, e o Ilê Aiye.

Hoje, sinto saudades do Carnaval de Salvador, e quando lá vivia sonhava com o mês de Maio em Cabo-Verde.

Será este, talvez, devido à esquisitice de que vos dei conta, o meu único apontamento sobre o barulho que se instalou à nossa volta nesse aproximar do 19 de Maio, na Cidade da Praia. Festa do município, note-se.

I´m a blogger

Por um acaso encontrei neste site um debate interessante sobre um assunto que me persegue há já algum tempo. Qual deve ser a relação de um blogger com o seu sitio? As actualizações devem primar-se pela qualidade absoluta, ou esta deve ser mitigada com mais dinamismo, através de uma constante actualização?
Pode parecer uma preocupação pessoal de uns e outros, mas convém dizer que é um debate, hoje, académico.

Aliás, como diz, aqui, e muito bem, a Kamia, temos que começar a levar os blogs mais a sério entre nós. Como é que os nossos meios tradicionais e tímidos de comunicação lidam, ou não lidam, com a dinâmica dos blog´s? Quais os temas predominantes dos blog´s feitos sobre Cabo Verde? A quantidade de informação avançada pelos grãos de areia virtuais que somos, seguramente, ultrapassa, em proporção, a cobertura noticiosa dos nossos media. Isso, para mim, é um grande assunto.

Oh, Pamode?!

M´ obiba noba de nhá…
Que noba ê cumâ bento,
Que ta anda pâ tudo mundo
Sim parâ um só mómento…

M´ obiba noba tam sabe
Que m´cunçâ tâ crê nhá cheu…
Mâ nhâ era más frumós cara
Que Nhór Dês bota de céo!

M´temba, dixâ-m´ frâ nhâ craro,
Tanto gana conhê nhá
Que m´dijijâ mi era passo
Pa m´bemba na ar tâ boa

Jâ-m´olhâ gó m´ê bardade
Cusa, que és frâ, muto más!...
Oh Déos! Oh mundo! Oh pamode!
M´cal sérba inda rapaz?! Pedro Cardoso... Folclore caboverdeano, 1933. In: No Reino de Caliban...

Ilha Nua

A blogosfera crioula ganhou mais uma ilha, acalentada por uma mão do além mar. O seu mentor é Jorge Marmelo, jornalista do Público, que depois de umas reportagens, nestas ilhas, ganhou mais um torrão. A um primeiro olhar jornalístico, seguiram-se algumas indagações históricas sobre a escravatura, feitas pelo jornalista a quando da rodagem do filme “A Ilha dos escravos”. Recentemente, mergulhou na ficção e recriou, num multiplicar de lugares, o Cabo Verde do seu íntimo. Falei com Jorge sobre essa nova ideia:

Jorge Marmelo, de há dois a esta parte, os teus trabalhos tem evidenciado um crescente interesse pela cultura cabo-verdiana. Porquê esse encanto?
Quando, há dois anos atrás, visitei Cabo Verde pela primeira vez, tive a sorte de ter conhecido logo três ilhas de uma assentada (Santiago, S. Vicente e Sal) e de me ter apercebido da riqueza e da diversidade de um país que, sendo territorialmente pequeno, tem uma dimensão imaterial enorme. Não creio que, com a excepção de Cuba, haja algum …

Sarará Criola

Uma voz quente
Uma artista versátil
Uma forte personalidade

Sandra de Sá entoa samba, blues ou jazz with equal intensity.
Actua este domingo no Festival de musica da Gamboa, na Cidade da Praia.

Ainda...

Começo de novo
Me lanço do zero
Percorro como que por inteiro
O incerto

Espero
Querer de novo

E quero
Ainda mais um pouco

Eu voo
Ainda sob o mesmo tecto
Ainda sobre aquele mesmo sonho.

Imagem:Femme Couchee, Picasso ... Letra: Ainda, Adriana Calcanhoto