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Mensagens

Tengo hambre de tu boca...

Tengo hambre de tu boca, de tu voz, de tu pelo
y por las calles voy sin nutrirme, callado,
no me sostiene el pan, el alba me desquicia,
busco el sonido líquido de tus pies en el día...

Neruda

Fogo - a ilha real

O Fogo é uma ilha estrategicamente próxima de Santiago. Outrora, a dois passos dos centros portuários de importação e exportação: Ribeira Grande e Vila da Praia. Não só proximidade, mas evidente acessibilidade. Esta é a razão – tão comparativa, quão competitiva – que leva os moradores de S.Tiago a terem tido preferência pelo Fogo, como segundo espaço de povoamento. Obviamente que uma carta-régia impeditiva aos moradores de S. Tiago motiva à procura do Fogo, como recurso essencial para se "lançar à Costa africana". Como diria o geógrafo José Maria Semedo, a Ilha do Vulcão é um desdobramento da matriz original de Santiago, e o que assimila à ilha mãe e à co-participação no tráfico negreiro. As ligações com o continente africano são vitais para o equilíbrio agro-produtivo da Ilha do Fogo, na medida em que determinaram a mão-de-obra escrava como o grande factor de produção.

Apesar desse cenário histórico, que é condição matricial da sociedade foguense, os incessantes relatos sob…

O gato que Godim mandou

Los amantes fervorosos y los sabios austeros gustan por igual, en su madurez, de los gatos fuertes y dulces, orgullo de la casa, que como ellos son friolentos y como ellos sedentarios. amigos de la ciencia y de la voluptuosidad, buscan el silencio y el horror de las tinieblas; el Erebo se hubiera apoderado de ellos para sus correrías fúnebres, si hubieran podido ante la esclavitud inclinar su arrogancia. Adoptan al soñar las nobles actitudes de las grandes esfinges tendidas en el fondo de las soledades, que parecen dormirse en un sueño sin fin; sus grupas fecundas están llenas de chispas mágicas, y fragmentos de oro, cual arenas finas, chispean vagamente en sus místicas pupilas. (Los Gatos) A foto do gato foi um presente de Adenor Godim ... o poema deixou-o Baudelaire

Histórias tristes (1)

Em Cabo-Verde fala-se muito na emigração para a América, mas existem poucos relatos pessoais capazes de ilustrar a fractura familiar e social que isso significou para a psique cabo-verdiana.

Pessoalmente, acompanhei, na minha infância, algumas estórias relacionadas a esse drama cabo-verdiano. Muitos familiares dos meus avós e bisavós saíram em vapores para a América e nunca mais voltaram para a sua ilha natal. Talvez por essa razão doa tanto lembrar o desaparecimento do barco Matilde, que, há meio século, partiu da Brava a caminho da América. Oitenta e tal pessoas morreram nessa tragédia. Um monumento que carrega o nome de todos os desaparecidos, na zona de Fajã d`água, na Brava, simboliza esse momento que tanto me intriga a alma.

A minha avó paterna não chegou a conhecer os pais, que embarcaram para a América, no início do século XX, deixando-a bebé na guarda de uma tia. Sempre me chocou o facto da minha avó ter perdido contacto com os pais. Ela dizia que destruía todas as cartas que r…

O crioulo, o jornalismo e o zouk

Receia-se dizer que a oficialização do Crioulo em Cabo Verde, nossa língua materna, é também ela, dentre várias outras questões, motivo de quezílias, principalmente políticas. Fico envergonhada quando percebo que um determinado individuo, ou personalidade, está à cata de argumentos para provar o quanto é inócuo oficializar a nossa língua, o corpus cultural que, em primeira e em última instância, melhor nos identifica.
O que se deve, e nunca é demais, é discutir os métodos do seu ensino e outros procedimentos, aliás muito avançados na sua formulação. Escrevo isso, a propósito de um texto caseiro que condena um alegado empurrão político do Primeiro-ministro para a concretização desse intento. Fiquei atónita! A oficialização do crioulo é uma questão política, sim senhor, e deveria ser uma bandeira de todos os partidos políticos, instituições, comunicação social, escolas, etc.
A oficialização da língua cabo-verdiana contribuiria, sim senhor, para o reforço da nossa identidade (isso é crime?…

Palavras

- Para eu dar a V. Ex.ª uma ideia do feitio desta senhora, basta dizer que depois do nascimento da Salu a gente deixou de tratar-se, e ela teve outro filho, apenas para me mostrar (pelo menos foi o que disse) que ainda era capaz de arranjar outro homem. Todo o seu mal vem deste maldito feitio – ela diz sempre que tem muito orgulho e é muito independente –, que a levou não só a brigar comigo mas até a não entregar Salu para eu a criar e educar. O resultado é que, para arrancar meios de vida, ela vê-se obrigada a alugar quartos a meretrizes e homens que desembarcam dos vapores.

Saltou-me à vista o trecho acima do conto Dona Mana de Baltazar Lopes. Faz-me bem pressentir (ou suspeitar), às vezes, (d) esse Cabo Verde passado. Uma necessidade existencial que extravasa o simples conhecimento.

Palavras que fazem tremer

…existem que eu sei.

Depois

O depois intriga pelo que não foi…
pela sensação,
pelo desejo,
e pela possibilidade (difusa)
de ser.