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Mensagens

Grace Évora – full of grace

A imagem de um artista constrói-se num percurso e emerge num puzzle onde cada peça conta muito. Em primeiro lugar está a música, que pode ser boa ou má, ou simplesmente agradável, quando o artista não almeja mais do que isso. É nesse bojo médio e soft que se enquadra, dentro da música nacional, um artista como Grace Évora, por exemplo. Não se vislumbram nele outras ambições, que não a de agradar o vasto público com a sua música e, de olhos postos nessa meta, consegue, e muito bem, o seu tento. Grace, nome artístico, surgido de Gracindo é um filho de Salamansa, zona pescatória e pobre de S.Vicente. Na Holanda, fez-se músico, primeiro na bateria, depois com a voz no grupo Livity. Após a desintegração da banda (ora reerguida), Grace continuou activo na música com o grupo Splash e uma carreira a sólo. À par da música que sobrevive à merce do subjectivismo daqueles que a consomem, é nossa intenção realçar a imagem construída de Grace. Um indivíduo discreto, de gostos sóbrios, fala mansa, e…

A Família, o Renascimento, e o Poder

Ouvir falar de Mário Puzo - 1920 -1999 (foto), conduz invariavelmente ao Padrinho (a saga da família Corleone), romance, adaptado ao cinema pelo realizador, Francis Capola. A abordagem da máfia italiana é retomada no último livro desse americano de origem italiana, A Família. Uma obra que narra a vida da lendária família Borgia, mais centradamente do cardeal Rodrigo Bórgia (Papa Alexandre VI). Um livro fausto e perturbante sobre os primórdios da máfia na Itália. Puzo, valendo-se do seu conhecimento da Itália profunda e da história (em colaboração com o historiador Bert Fields) e de um árduo trabalho de elaboração, deixa para a posteridade “um livro fundamental”. Em plena peste negra na Europa do Séc. XIV, com a população a ser dizimada, os homens começam a perder esperança no poder celestial e depositam a sua confiança no imediatismo terreno. Pertencer à igreja católica romana não era necessariamente sinónimo de profecia de fé e temor a Deus. Era um meio de exercer o poder, para o qua…

Até setembro

Este blog entra de férias com a sua dona. Retira-se temporariamente do seu convívio, convicto de que o universo gira em redondo. A tal circularidade que está na origem dos regressos todos. Voltamos.

A luz

(...)A farinha acumulou seu celeiro contigo
E cresceu incrementada pela idade venturosa,
Quando os cereais duplicaram o teu peito
Meu amor era o carvão trabalhando na terra.

Oh, pão tua fronte, pão tuas pernas, pão tua boca
Pão que devoro e nasce com luz cada manhã,
Bem-amada, bandeiras das fornadas,

Uma lição de sangue te concedeu o fogo,
De farinha aprendeste a ser sagrada
E do pão o idioma e o aroma.

Ilustração: Matisse
Poema: Neruda

Medo da escuridão

E sobre a conhecida máscara da arrogância de João Manuel Varela, misturada amiúde com rudeza, Corsino Fortes acredita que essa era, no fundo, a forma que o velho amigo «tinha de vencer a timidez». «O João era uma pessoa muito especial. Jovem, trabalhador na Drogaria do Leão, se o escuro chegasse sem ele estar em casa, nós (eu e o irmão Toi) tínhamos de ir buscá-lo porque ele não se atrevia a ir para casa sozinho. A escuridão era uma parte da vida dele, daí a sua poesia ter essa componente filosófica, ontológica...» Ler mais, aqui. Aqui também há mais:
Os blogs não ficaram de fora. Confira aqui e aqui.

momentum

Todos já foram de férias, e percebi neste enxuto e agradável blog, que descobri esses dias, a intenção do seu dono de acompanhar a “manada”. O calor aumenta, as visitas reciprocamente tornam-se mais escassas (concordo), cai-nos o ânimo, e de permeio (como diz o poeta) surge uma nuvem triste que anuncia uma manhã qualquer, e uma vida de pão novo. A incandescência dos dias perde o brilho, os desencontros se instalam (filhos que partem), e tudo berra… é chegado o momento de se retirar, desfazer-se do pano, incubar-se e deixar-se renovar pelo novo. Tudo em circularidade, porque o fim inexiste.
Em memória da Joyce …perpétua amiga e companheira dos astros.

A crítica ao lócus claridoso

O Movimento Claridoso, que tanto paradigma marcou à Cultura Cabo-verdiana, em geral, e às letras das ilhas, em particular, gerou cedo críticas ao seu fundamento, embora o seu retrato aparente paire até hoje no imaginário dos cabo-verdianos.

Em 1951, Manuel Duarte criticou a Claridade, mais tarde, Amílcar Cabral (foto) analisou a obra dos Claridosos também numa perspectiva crítica. Há uma matriz nas críticas desses intelectuais. Todas elas têm a ver com o facto de que os Claridosos não teriam tido um pensamento agente, transformador da realidade política vigente. As entrelinhas dos críticos afirmam que os Claridosos não tiveram engajamento político. O texto “Consciencialização na Literatura Cabo-verdiana” de Onésimo Silveira marcou este momento dialéctico.

Mais recentemente, académicos como José Carlos Gomes dos Anjos e Gabriel Fernandes analisaram nas suas obras, sob perspectivas críticas e novas, o momento claridoso no debate da cabo-verdianidade.

Conheça as posições desses intelectuai…