Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Duras Lembranças

Uma das escritas eternas que guardo em mim saiu da pena de Marguerite Duras. A dureza, a densidade, a confidência, e a profundidade são as marcas que se impregnam nos seus livros. São igualmente de notar as suas marcas cinematográficas: a adaptação ao cinema das suas obras O Amante (1984) Moderato Cantabile (1958) e a escrita do argumento do inesquecível Hiroshima meu amor (1959).

Os eixos de sua escrita giram à volta de conflitos familiares, relações amorosas, paisagens marcantes, política (no seu sentido diverso), e a morte, numa urgente ânsia de falar de si... Duras soube, na sua escrita, dar vida à dor, ao ódio, ao amor, e à desilusão: a condição humana.

Toca-me tudo que vem desta senhora falecida em 1996, e me acontece, em momentos decisivos, estranhamente, (de nunca tê-la alcançado) sentir em lembrança a sua escrita.

Deixo aqui um trecho definitivo que ilustra a vida, o amor, a morte, e a eternidade: os pilares da escrita de Duras.


"Anos depois da guerra, depois dos casamentos…

Blindness: quero ver

"Blindness" é o mais novo filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles (o mesmo de Cidade de Deus). Durante a rodagem do filme, Meirelles manteve um blog onde descrevia os passos mais importantes da rodagem de "Blindness", uma adaptação cinematográfica do romance Ensaio Sobre a Cegueirade José Saramago. Interessante exercício.
No post nº 12, intitulado “Sobre filmar em SP, Síntese e Culpa” Meirelles confessa, a dada altura, uma ideia que chama atenção: “Descobrir qual é a imagem/síntese de um filme me parece tão importante quanto conseguir formular um “story-line” (resumir o filme em apenas uma frase). Em “Blindness” eu não sei exatamente qual será esta imagem/síntese, mas sempre imaginei um filme opressivamente luminoso. Em nossas 12 semanas de filmagens, conseguimos bons momentos de brancura e agora torço para que no meio das 45 horas de material rodado ou dos 3.888.000 fotogramas expostos, haja ao menos um que consiga traduzir esta história. Se não houver pa…

O fim: Não-coisa

O que o poeta faz
mais do que mencioná-la
é torná-la aparência
pura — e iluminá-la.

Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,

a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
— essa voz somos nós.

Não-coisa: II

... só o sabes no corpo
o sabor que assimilas
e que na boca é festa
de saliva e papilas

invadindo-te inteiro
tal do mar o marulho
e que a fala submerge
e reduz a um barulho,

um tumulto de vozes
de gozos, de espasmos,
vertiginoso e pleno
como são os orgasmos

No entanto, o poeta
desafia o impossível
e tenta no poema
dizer o indizível:

subverte a sintaxe
implode a fala, ousa
incutir na linguagem
densidade de coisa

sem permitir, porém,
que perca a transparência
já que a coisa ë fechada
à humana consciência.

Nota: Neste exercício de post faço uma associação entre a desconstrução (rebeldia) poética de Ferreira Gullar, e o imperativo dadaísta de Kurt Schwitters (poster). Ambos encontraram no non-sense um caminho seguro para a arte de exprimir: um exercício suado de reflexão, autocrítica e criatividade.

Gullar: Não-coisa

O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.

Uma fruta uma flor
um odor que relume...
Como dizer o sabor,
seu clarão seu perfume?

Como enfim traduzir
na lógica do ouvido
o que na coisa é coisa
e que não tem sentido?

A linguagem dispõe
de conceitos, de nomes
mas o gosto da fruta
só o sabes se a comes

Continua…

O sapo abocanha

Ao ler, aqui, o que escreveu Abraão Vicente, percebi que alguns blogs, ou talvez o colectivo dos blogs cabo-verdianos foram interpelados pelo batráquio dançarino, (através do Caro bloguista) no sentido da sua “debandada geral” para o Sapo.CV. Depois de terem conseguido, sem grande esforço, conteúdos de todos os media do país, jogam uma outra cartada inocente, para nos convencer de que só temos a ganhar se aliarmos ao animal. Querem ver-nos a dançar esse patético funaná. PT, que vendo com olhos de ver não passa de uma boa provocação.
Mas sobre este assunto, não terei muito a acrescentar ao que escreveu Gil Évora na última edição do Jornal A Semana. Apenas gostaria de citar um trecho muito prático desse mesmo artigo que, oxalá, sirva para alguma coisa.
"Ao viver das receitas de publicidade num mercado exíguo, e onde apenas 7 e 8% da população possui ligação à Internet – graças ao não menos escandaloso tarifário praticado pelo seu patrão português da CVT-, a tendência dos menos avisad…

Eco (logia)

“Muitas vezes, é necessário uma crise para que aceitemos a realidade. Perante a crise do clima, as empresas e os governos começam a compreender que, em vez de ser proibitivo em termos de custos, combater o aquecimento global pode mesmo reduzir as despesas e revitalizar a economia.”

Ban Ki-moon, Secretário-Geral da ONU, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente