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Mensagens

Amazónia (entre a ficção e a realidade)

"Durante um debate, numa universidade dos Estados Unidos, o "então" Ministro da Educação do Brasil, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência em alguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros)." Leia extractos da sua resposta.

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos …

La Strada do Cinema

Tive a ventura de participar do Festival Internacional de Cinema de Alba, a convite do Padre Octávio Fasano, missionário capuchinho. O Festival difere dos outros, não pela temática que tende a generalista, mas pelo conteúdo que centra no Humanismo. Este ano, a figura central era o cineasta canadiano Paul Haggis, (foto nº1) igualmente guionista vencedor de dois Óscares, um pela escrita de "Million Dollar Baby" e outro por "Crash". Durante o Festival, a coqueluche fora "No Vale do Elah", seu mais recente trabalho.

Em conversa com Paul Haggis, apercebi-me da enorme dimensão humana do cineasta e o porquê de ser estrela cintilante na constelação dos maiorais da Sétima Arte. Paradoxalmente, Haggis, durante toda a entrevista, dissimulava a sua complexidade com uma misteriosa simplicidade. Uma dissimulação que chegava ao "charme discreto", diga-se de passagem.

Não sei se "No Vale do Elah" é sua obra-prima. Trata-se aqui de um outro prisma, de um…

Os teus pés

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

Neruda

Publicações: Afro…

A exemplo da revista Raça, no Brasil, e das publicações dirigidas para negros nos Estados Unidos e na África do Sul, foi lançada recentemente em Portugal a revista Afro, dirigida «ao grande público que se identifica com os valores universais da cultura afro». É uma revista feminina, com reportagens diversificadas, e perfis vários de figuras negras de renome a nível internacional. Uma publicação que, sem sombra de dúvidas, preenche uma lacuna editorial num espaço territorial com presença (histórica, inclusive) de várias comunidades de origem africana.
A publicação pertence à Editora portuguesa Impala, e é distribuída em Moçambique, Angola e Cabo Verde.
Surfando pela net, encontrei alguns comentários injuriosos a essa revista. Neste blog, por exemplo, fizeram uma enquete nesses termos “Achas que a criação desta nova revista constitui uma boa iniciativa para a divulgação da cultura africana ou poderá ser um motivo de discriminação?” As opiniões divergem entre si.
Do meu ponto de vista, trat…

Gosto de gente

Gosto de gente que conhece os meus gostos
… de gente que olha
Gosto de gente que ouve
Gosto de gente que …
…aprecia o mar,
… as ruas escuras,
… e o silêncio.

pura eu

(Nunca) esqueço

"Nunca esqueço os livros. Esqueci bastante da minha vida. Salvo a minha infância e as aventuras que pude viver para fora das normas do cotidiano. Da vida de todos os diasnão sei quase nada. Exceto da minha infância. O resto representa uma massa de acontecimentos paralelos à minha vida. Tem a ver com os motivos acima apontados e outros mais, sempre diferentes, como diferentes são os encontros, as amizades, as circunstâncias do amor ou da tragédia."

MD

Vazio de poesia

Foi chocante o uso "burlesco" do termo poesia na sessão desta manhã no Parlamento cabo-verdiano. Políticos de ambos os blocos discorriam em tom de paródia sobre “fazer poesia”, como que se de um labor vazio e insignificante se tratasse:
E porque poesia é poder “do mais genuíno”, lembrei-me de Maiakovski, e do seu slogan:

Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é para brilhar,
que tudo mais vá para o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.

Manuel Alegre, poeta e político português, disse também, certa vez, que: «Entre os muitos défices que avassalam o mundo, aquele de que menos se fala é talvez o mais importante: o défice da poesia. Porque não é possível resolver os outros sem que no cinzento de cada dia haja “um pouco mais de azul”».