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Mensagens

O Atentado

"Não há felicidade sem dignidade e não há sonho possível sem liberdade..."

"Não devolvemos à rosa a sua graça ao pô-la numa jarra, desnaturamo-la; julgamos embelezar o nosso salão mas, na realidade, apenas desfiguramos o seu jardim..."

"Podem tirar-te tudo, os teus bens, os teus anos mais belos, todas as tuas alegrias e todos os teus méritos, até à última camisa, mas restar-te-ão sempre os sonhos para reinventar o mundo que te confiscaram..."

Frases que ilustram dois mundos que nunca se cruzam. Estão em diferentes páginas do livro O Atentado de Yasmina Khadra. Uma narrativa fulminante que mostra o drama de um cirurgião árabe naturalizado israelita, que dedica a vida à sua esposa amada e a uma carreira distinta de cirurgião. De repente, num intenso dia no hospital, provocado por um atentado, descobre que a bombista suicida é a sua propria mulher. Daí em diante, depois do grande choque, regressa às contradições, e à humilhação de que fugira a vida toda. Uma hi…

Acontece

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.
Que entrevista espaçosa e especial!

Neruda

Olhares e inversões...

A RTP África emitiu ontem mais um documentário de Carlos Brandão Lucas, desta feita sobre a realidade histórica e cultural de S. Tomé e Príncipe. Uma produção da RTP África com enfoques diferentes daqueles a que estamos habituados a ver sobre as ilhas do equador. “Coro das Palavras” é uma incursão pela identidade dos forros que em 1953 se recusaram a trabalhar na roça nas plantações do cacau, e, cuja sublevação, deu origem ao Fevereiro de horror. O programa incide ainda sobre o primeiro grito da negritude da África Lusófona no livro "Coração em África" do pan-africanista Francisco José Tenreiro, as questões de identidade, a oralidade, e a luta pela independência; resgata as estórias, os contos e os poemas na língua dos forros, e os autores que usam o crioulo na sua escrita.
O filme tece um olhar crítico sobre o percurso das Ilhas através da sua literatura, e foi interessante perceber a tendência evidenciada por alguns escritores santomenses, como Albertino Bragança e outros, …

O meu Agosto

10 di Agostu. É assim tradicionalmente chamada a festa padroeira de S. Lourenço, no Fogo, que acontece todos os anos nessa zona no norte da ilha. Foi sempre uma celebração fortemente religiosa seguida, ao fim da tarde, de pequenos bailes populares. O dia era também de encontros de gentes da ilha, com forte presença de pessoas que vinham das localidades mais ao norte do Fogo, e dos emigrantes. As pessoas da cidade também participavam, e havia transporte regular de diferentes localidades que fazia de S. Lourenço, nesse dia, o ponto mais movimentado da Ilha. Em todos os Agostos, lembro-me de, no dia 10, falar dessa festa em que sempre participei em criança, nas missas e no convívio paroquial, acompanhada da minha mãe e do meu irmão. O dia em que admirava de soslaio a velhice do falecido Padre Fidelis, pároco capuchinho da localidade por largos anos, naquela época fora do activo.
Lembro-me ainda, e com saudades, de, nesse dia, aproveitar sempre para pegar boleia de moto de volta a S. Filip…

(De tudo) um pouco

http://www.alfa.cv/ : seguindo esse endereço, todos os caminhos vão dar ao Jornal "A Nação" online. Mais um espaço de informação e reflexão sobre a actualidade das ilhas e a sua diáspora. Uma publicação generalista, com mostra de alguma inovação em relação aos demais jornais onlines (a introdução de flashes noticiosos). Esse item dá sinais de uma proposta diferenciada na actualização das notícias.
O semanário surgiu no mercado cabo-verdiano há cerca de dois anos com uma linha editorial peculiar orientada para os leitores cabo-verdianos, bem como para os da diáspora. "A Nação" está online, e o momento é de definição. Como contribuição, Os Momentos sugere que o jornal encontre melhores vias de explorar a interactividade com os cybers leitores e não a ditadura do anonimato que impera nos seus confrades.

Os dias passam por mim
e sempre os vejo a passar
por mim e pelos lugares que sou.

pura eu

Spiga: testemunho dos tempos

Princezito apresenta, hoje à noite, na Assembleia Nacional, o seu primeiro álbum, intitulado Spiga (Espiga, em português). Um nome táctil que está ligado, do ponto de vista simbólico, à realidade sociocultural cabo-verdiana (as estórias, os contos, as personagens, as fomes, as esperanças e os mitos) e à sua própria trajectória enquanto músico. Essa tem sido uma das muitas respostas que flui nas entrevistas que Princezito tem concedido sobre o disco. Tendo havido uma cobertura intensa, digamos assim, desse trabalho, suponho que as leituras jornalísticas sobre o disco foram feitas. Faltam agora, eventualmente, resenhas mais analíticas que ajuízem a devida dimensão do músico e do seu disco.
Spiga me parece um disco maduro e genuíno enquanto projecto; do ponto de vista estético, está muito bem conseguido: a profundidade (ainda que aparentemente informal) das letras e a versatilidade na interpretação não se deixaram ofuscar pelo aturado arranjo de Hernani, fazendo de Spiga um disco cheio de…

Ode ao gato

Os animais foram imperfeitos, compridos de rabo, tristes de cabeça. Pouco a pouco se foram compondo, fazendo-se paisagem, adquirindo pintas, graça, vôo. O gato, só o gato apareceu completo e orgulhoso: nasceu completamente terminado, anda sozinho e sabe o que quer.

Neruda