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Mensagens

Da terra...

1. Apesar das claras evidências disponíveis ao nosso redor, existem muitas pessoas que continuam a acreditar que o aquecimento global não é problema coisa alguma. In: O Ataque à razão; Al Gore

2. Cabo Verde já criou o seu Comité para o Ano Internacional do Planeta Terra que será apresentado ao público no dia 17 de Outubro na Cidade da Praia. Esse órgão terá a responsabilidade de promover actividades que contribuam para a promoção de uma consciência pró terra, e fazer face a alguma vulnerabilidade natural, e ao surto de crescimento que vem conhecendo o país: reduzir os riscos dos desastres naturais, edificar construções mais seguras, inovar no manejamento dos recursos naturais e promover um ambiente saudável. Para além da retórica, até porque tem havido sinais de preocupações nesses domínios nas nossas ilhas… Esta ideia se inscreve na Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014), criada sob a égide da UNESCO.

3. La strada, infinita e sem retorno...

Sabura na Guetu

Sabura na Guetu encaixa como uma luva num programa feito em Cova da Moura por uma produtora independente, e emitido no passado fim-de-semana na RTP África. Não gostei dos meandros e da intencionalidade subjacentes ao referido programa, diga-se em abono da franqueza. Todavia, eu gostaria de frisar, antes de tudo, que não nutro qualquer sentimento "daninho" em relação a esse canal, que acompanho com atenção, estando aqui a exercer o livre pensamento crítico, com a melhor das intenções.
A missão do programa, como anunciou a apresentadora Catarina Furtado (certamente uma idolatrada no bairro), era mostrar que existem muitas coisas boas e gente "do bem" em Cova da Moura. Mas, a começar pela sua apresentação um tanto ou quanto debochada e redutora, não creio terem atingido esse objectivo.
Os ingredientes eram os de sempre: a mulher que faz uma panelona de cachupa; o jovem que provou ser responsável simplesmente porque conseguiu guardar uma câmera de filmar em casa, que lhe…

A escola, o jornalismo...

Ela cresceu naquela escola. Onde além de aulas, havia música, teatro e cinema, e se fazia dos natais e páscoas celebrações programáticas. Onde os professores estudavam em horas noturnas as disciplinas de formação humana, Filosofia e História. Na escola onde a capela e os seus santos serviam de esconderijos para os jogos de intervalo.
Até hoje, Patrícia carrega a manta de tristeza que a invadiu quando soube que a paróquia não ia mais ceder aquele espaço para o Ministério da Educação. Foram sucessivas desilusões iguais a esta que fizeram da Cidade de S. Pedro um lugar ermo de alma e de cultura.

Jornalismo

Os jornalistas de Cabo Verde vão ter finalmente uma sede: a inauguração acontece daqui a pouco, às 17 horas. O edifício fica no Plateau, nas antigas instalações do jornal Voz di Povo, mesmo ao lado do mercado. Mas a casa, apesar de ter ficado bonita, não dá nas vistas, as vendedeiras que povoam aqueles passeios não deixam.
Auguramos melhores momentos para, aí sim, celebrar… o jornalismo ca…

Cidade Velha: Património do mundo

Voltei à Ribeira Grande de Santiago para o início de rodagem de um novo programa. Revisito o Santiago dos anos 1460, no tempo e espaço, e me elucidam, sempre, os depoimentos e pesquisas sobre a relação da ilha mãe com a Costa Africana, e posteriormente com a Europa e as Américas. Apercebi-me em crescente que aqui nasceu a primeira sociedade escravocrata do mundo: na cidade erguida pelos europeus como porto seguro, por onde passaram Vasco da Gama e Cristóvão Colombo nas suas viagens rumo a Índia e as Américas, respectivamente. Na Cidade onde existe a igreja colonial mais antiga do mundo construída em 1495. Verdades incontornáveis e paradoxalmente pouco críveis, tal o obscurantismo a que os nossos manuais (mentalidades, diga-se) nos votaram.

Ocorre-me a reunião de 1994 em Ouidah, Benin, que cria o projecto UNESCO “A Rota do Escravo”, e me quedo incrédula quando fico a saber que afinal Cabo Verde pertence ao Comité Português, em vez de dinamizar uma comissão própria e necessariamente inde…

O negro, a história (suas nuances …)

Como se de uma nuvem se tratasse, resolvi transcrever alguns trechos da comunicação de Pires Laranjeira feita no Simpósio sobre os Fundadores do Movimento Claridoso, ocorrido há cerca dois anos na Cidade da Praia, em alinhavo com o escritor brasileiro Milton Hauton. Um percurso em retalhos e por geografias diversas, mas com (sentido) próprio.
"Será o povo cabo-verdiano assim tão cordial e sem preconceito rácico, como se quer fazer crer? Ou a análise das diferenças pelo prisma da classe e do grupo económico serve para encobrir a questão do preconceito rácico…?" (...)
"A visão de Baltazar Lopes é manifestamente de um arquipélago sem enfrentamentos rácicos, em que a cor da pele, segundo ele, nada significa:"(...)
"Será que o recalcamento do negro, em Cabo-Verde, foi ainda mais violento, destruidor, esmagador e preconceituoso do que outros espaços, em virtude de as ilhas serem territórios concentracionários, tendo sido tão castrador que dele pouco mais restou, a não …

Outros Infernos

O Inferno, tal como é descrito
em certos livros, com gravuras
terríveis, a cores, já ninguém
lhe pega, é gracejos de palhaços
para entreter a malta. Mesmo o amor
que já foi inferno, quando Petrarca
e Dante viam Beatriz e Laura na cama
com outros gajos – se não viam,
então ouviam –, mesmo o amor perdido,
afinal tão perto do paraíso
enquanto se teve a ilusão de que o beijo
é o exorcismo capaz de assustar
o anjo exterminador, mesmo esse
é um inferno excelente para os jornais.
Chateia que se farta, faz chorar
ás vezes e bota-se fora, já não dói.
Há os que acham tesouros a sonhar,
outros vêem-se belos e até príncipes.
São contos de fadas lidos a dormir.
No entanto, há infernos sérios,
pavorosos, como o vento, ciclónicos,
não cabem nos livros, ninguém os pinta.

poema: armério vieira. imagem: pollock a pintar

nota: quando procuro uma ilustração para os poemas de Arménio Vieira a primeira imagem que me vem à mente é a intransigência estética de Pollock: simplesmente, outros infernos.

Per te

Música sem longe
como as outras, agora minhas.
Da estrada fria ao infinito.

Vazio de palavras

Gosto de gostar em silêncio.
É quando gosto.