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Mensagens

Piratas das Ilhas

Exportação de azeite falsificado para Cabo Verde faz dois arguidos em Portugal”. É triste ler esta notícia, muito triste, porque não fica pelo azeite. O problema não está na infracção que acontece a todo o lado com qualquer um, e que pode ser minimizado com mais controlo. O problema, sempre acho, está na cabeça e na atitude das autoridades cabo-verdianas. É só ver como grupos e indivíduos chegam a este país e tornam-se empresários de noite para o dia, quando se sabe que nos seus países, alguns, não passam de fugitivos da polícia. Alguns desses casos são noticiados na Imprensa, e os larápios continuam soltos e a aldrabar tudo e todos. Slavery mentality e os seus tentáculos…

Novos escribas

Tem sido notório e crescente, aqui e acolá, a multiplicação de artigos de jornais e posts na net de jornalistas que decidem vir a Cabo Verde tentar a sorte, e mais não fazem do que espartilhar o nome do país. Já tentei pensar que talvez seja isso fruto da juventude, gana de dizer, demonstração de bravu…

O imprescindível “manduco”

Há 66 anos, falecia, na Cidade da Praia, Pedro Monteiro Cardoso, um dos mais consequentes intelectuais de Cabo Verde. Aquele que, por vezes e em plena noite colonial, tinha o pseudónimo de AFRO. Era natural da Ilha do Fogo, com mais precisão da Cidade de São Filipe.
Pedro Monteiro Cardoso pertenceu, com Eugénio Tavares e José Lopes, à chamada (por uma certa crítica escolástica, diga-se de passagem) Geração dos Nativistas. Polemista, poeta e prosador do melhor gabarito nacional, ele cantou a caboverdianidade, a insularidade crioula e a africanidade. Também se posicionou como um activista em prol da língua cabo-verdiana e do folclore de Cabo Verde, com incursões incisivas sobre o folclore foguense.
Foi fundador, proprietário, director e editor do jornal O Manduco (Fogo, 1923-1924) e, juntamente com João Lopes (S. Nicolau, 1884-1979), foi responsável pelo jornal (socialista) Cabo Verde (S. Vicente, 1920-1921), tendo colaborado em vários outros jornais cabo-verdianos e portugueses.
Sessenta …

Orgulho e Pesar

“Os momentos” remarca com um misto de pesar e “orgulho” o falecimento hoje, aos 76 anos, da cantora sul-africana, Miriam Makeba - foto -, aquela que foi a mais combativa e internacional cantora do continente africano. Com um estilo único combinando o jazz, o folk e outros ritmos tradicionais da África do Sul, Miriam Makeba soube cantar em nome da África, e contagiar os palcos e artistas de boa parte do mundo; a dor, a opressão, mas também a liberdade, o sonho, e o futuro: Mamma África, Pata Pata e Malaika foram hinos do mundo.
“People think I consciously decided to tell the world what was happening in South Africa. No! I was singing about my life, and in South Africa we always sang about what was happening to us — especially the things that hurt us”.
Miriam Makeba cantou até ao último dia de sua vida, como sempre quis.

Premiados

José Luis Tavares, poeta, e Glaucia Nogueira, jornalista brasileira que reside em Cabo Verde, foram dois dos nove premiados no II Concurso Literatura para Todos p…

O paradigma Obama

Desde a campanha para as primárias do Partido Democrata que Barack Obama galvanizou a atenção dos Estados Unidos e do Mundo, certamente, num primeiro momento, pela cor da sua pele. Não que uma simples coloração mais pigmentada fosse, por si, indício de boas capacidades. Obama chegou onde chegou por causa do seu percurso de grande mérito, de uma capacidade de liderança surpreendente e de uma qualidade intelectual sem precedentes. Entrementes, a questão racial marca presença incontornável na América e ela não poderá ficar fora de uma análise complexa. Do meu ponto de vista, os analistas nacionais e internacionais não devem fugir a tal remarque…
A eleição de Obama, para os negros da África e a vasta Diáspora Africana, mais precisamente os afrodescendentes, é por demais histórica. É ver as lágrimas de emoção nas faces do activista Jesse Jackson e apresentadora televisiva Oprah Winfrey no momento do comício da vitória em Chicago; É ouvir a entrevista de uma centenária negra americana que in…

O poder e Obama*

Poderia começar este artigo por trocar a ordem das palavras deste título: Obama e o Poder. A retumbante vitória de Obama nas eleições norte-americanas soa para os EUA e para o Mundo com o som fonético e, sobretudo, com o valor semântico de um verdadeiro «hossana». «Hossana», do hebraico «hoshi’anna» quer dizer: «salva, peço-te». Obama, no contexto actual da situação dos EUA e do Mundo, encarna essa petição: «Salva-nos».
Quem estendeu esta passadeira para esta triunfal entrada de Obama na Casa Branca foi George W. Bush. Bush deixa a mítica branca residência com o mais baixo índice de popularidade de sempre (26%). Nos EUA e no Mundo havia um enfado muito grande por este homem que, simbolicamente, guarnecido do maior poder do Mundo estava a cavar a mais profunda onda de falta de confiança. A crise financeira actual, melhor dito, a crise do sistema financeiro foi óbito final de dois mandatos que denegriram o papel motor dos EUA face ao estado do Mundo. Iraque, Afeganistão, Irão, Palestina,…

Obama: o eleito

"Obama va régénérer la marque Amérique comme Jean Paul II a relevé la marque papauté"

Andrew Sullivan(analista francês)

Impressões... e notas

1. Hoje é o meu dia: a minha madrinha completa em S. Filipe 105 anos e vai cortar um bolo em Curral Grande. Como já tive oportunidade de escrever neste post, Felismina Mendes encerra um episódio interessante na história do Fogo e pour cause… deste país. É a última filha viva de Nhô Henrique, o dono de sete palhabotes que faziam as viagens Cabo Verde Estados Unidos, dentre os quais o navio Ernestina.

2. É também meu e nosso dia por causa de Obama: que já é, antes de tudo, o eleito da esperança.

1. Hoje é o último dia dedicado à conferência “Mestiçagem socioculturais e procura de identidade na África Contemporânea: o caso dos países africanos lusófonos” a decorrer desde ontem na Cidade da Praia. A iniciativa é uma parceria entre a Codesria e a UNICV, que, de si, é interessante porque demonstra o início de um afrontamento intelectual mais directo com o continente africano, que pode ser, inclusive, uma achega ao ideário da Integração regional. Gosto de ter pensamentos positivos.

2. De 6 a 9 …