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Mensagens

Momentos

“Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da vida, claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.”

foto: van gogh
texto: jorge luis borges

A invenção da beleza no Cinema

"Hollywood não existe", a afirmação é do realizador italiano, Marco Ponti - foto. Tal como Hollywood, também se trata de invenção fílmica a Roma de “La Dolce Vita” de Federico Fellini. Hollywood é um conceito que existe, porque existem pessoas que o procuram, afiança. Quando se chega em Los Angeles, seguindo o juízo de Conti, visita-se uma rua chamada Hollywood Bolevard, e lê-se a escritura da grande colina, e é tudo. Os filmes são rodados longe dali, e os astros não estão nos cafés da cidade... exemplos que ilustram a dimensão da invenção no cinema.

Nessa linha de invenção, de um outro modo, também se enquadram os mafiosos ítalo - americanos que passaram a se vestir e a se comportarem como os mafiosos do filme de Copolla, “O Padrinho”, o mesmo se sucedeu com os mafiosos cubanos em Miami, depois do filme “Scarface”. De caso em caso, o realizador foi pontuando a sua lição de cinema no terceiro dia da oitava edição do Infinity Festival, comumente denominado Alba Film Festival. …

Intermezzo

nota pura: os momentos "ausenta-se" por 10 dias… mas não deixa de nos fazer aquela visita. Afinal...

As dores de Laila

"Quando saíam juntos, ele ia andando ao seu lado, segurando-a pelo braço com uma das mãos. Para Laila, estar na rua tinha se tornado um exercício para evitar se machucar. Seus olhos ainda tentavam se acostumar à visibilidade limitada pela telinha da burqa e seu pés ainda se atrapalhavam com a borda daquele traje comprido. Ia andando, sempre com medo de tropeçar e cair, de quebrar o tornozelo ao pisar num buraco qualquer. Mesmo assim o anonimato que a burqa lhe proporcionava não deixava de ser confortável. Se por acaso encontrasse conhecidos, ninguém saberia que era ela. Não precisaria aguentar a surpresa estampada em seus olhos, nem a piedade ou a alegria deles ao ver a que ponto ela tinha chegado, como as suas elevadas aspirações tinham desmoronado."

In:A cidade do sol, Khaled Husseini

A chegada da poesia

Mário Quintana dizia que poesia não serve para nada; ou será Gullar? Os meus amigos brasileiros que me corrijam, se relevante acharem essa minha distracção. Mas quando atravesso um poeta como Pablo Neruda, percebo a razão da distracção. Devemos, sim, aos poetas essa apaziguada herança dos dias: infinita e anabalável.

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

nota pura: esperamos, ela chega e parte, mas volta com "os dias que virão"

Vida com história

O Museu Cabo-verdiano, situado em East Providente, Estado de Rhode Island, nos Estados Unidos, vai ser reaberto no dia 17 de Março, e estará à disposição do público às Terças, Quintas e Sábados.
O seu espólio foi actualizado com novos artefactos, fotografias, mapas e livros relacionados com a história de Cabo Verde, a emigração cabo-verdiana e a própria Independência.

Outra componente do Museu, é a valorização do contributo dos primeiros cabo-verdianos que pisaram as terras do tio Sam: mostrando os tipos de trabalham que faziam, como embarcavam e desembarcavam, e o seu percurso. Essa demonstração é feita basicamente por fotos e objectos.

A música antiga cabo-verdiana nos Estados Unidos, os nossos atletas, inclusive alguns que participaram nas Olimpíadas, está tudo lá… uma história rica que merece ser revisitada e melhor explorada.

nota: sobre Ernestina,(foto) a embarcação que é parte dessa história, ler aqui fonte: nota do museu

Morrer lentamente

Morre lentamentequem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infelizcom o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentam…