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Mensagens

Sou um poeta (apenas isso)

(...)

Fica a sugestão, não te ofereço
o texto. No entanto, se fores poeta,
dentro de ti o mar se abrirá ao canto.

apareça na: tertúlia em homenagem ao poeta Arménio Vieira, a ser promovida pelo Ministério da Cultura, 9 de Junho, na Pracinha do Café Sofia, logo mais às 18:30.

Pedro Pires joga a última cartada

O Presidente da República visitou hoje o município da Ribeira Grande de Santiago, a poucos dias do encontro de Sevilha, onde a UNESCO vai deliberar entre 22 a 24 de Junho próximo sobre a candidatura da Cidade Velha a Património da Humanidade.

Uma visita simbólica, na medida em que o Governo de Cabo Verde, através de uma Comissão Técnica, já formulou a Candidatura da Cidade Velha junto à UNESCO e aguarda, com muita expectativa a decisão definitiva.

Carlos Carvalho, presidente do INIPC diz-se confiante no trabalho da comissão técnica, mas desvaloriza a ansiedade dizendo aos jornalistas que“ se não ganharmos a candidatura, ninguém vai morrer”. As coisas são como são, diz o poeta e somos forçados a concordar.

A visita de Pedro Pires ficou entendida como mais um acto de Magistratura Cultural, já que desde o início tem mobilizado interesses, junto da UNESCO, inclusive, para a divulgação do sítio Cidade Velha. Para Pires o sítio é um património, e por isso, ganhando ou não, deve-se trabalhar pa…

Conde de Silvenius: prosa e poesia

Troco as voltas à metáfora
fazendo de conta que Aristóteles
e o seu alfarrábio de tropos
valem tanto como esse velho
Mar Morto onde os peixes,
de tanta secura, já nem sabem
se são peixes ou pedras de sal.

Assim, embarco e sigo,
sem que eu saiba
em que ponto no rio ou mar
bifurca a prosa e, nítido,
Se vê o poema.

nota pura: depois do Prémio Camões cabo-verdiano a pergunta: a prosa ou a poesia do Conde de Silvenius? O próprio prefere os seus poemas, e elege “MITOgrafia” (a última) como sua obra de peito. Manuel Veiga, o Ministro da Cultura numa resenha publicada em Cabo Verde: insularidade e literatura elege “Eleito do Sol” como o romance de ruptura na literatura cabo-verdiana. Ler a resenha da obra aqui.
Nós por aqui, vamos continuar a fazer o que sempre fizemos… Conde é Prémio Camões 2009: celebremos!!!

Arménio, o indomável Conde

Arménio Vieira recebeu, ontem, ao fim do dia, a notícia, vinda do Brasil, de que havia sido consagrado com o Prémio Camões. Não dormiu a noite toda, os telefonemas de amigos não permitiram. Cedo, hoje, naturalmente teríamos que fazer a entrevista de praxi para o telejornal. O curioso é que, de repente, vários jornalistas circulavam entre a casa do Conde e o Café Sofia numa informalidade e sentido de ocasião que vale a pena ser registada. E lá foram acontecendo as entrevistas num tom absolutamente comedido e descontraido característico do poeta. Arménio Vieira contava com o Prémio Camões, mas não tão cedo. Calcula que o seu lado de poeta tenha pesado mais do que o de prosador na ora da decisão, até porque se considera um poeta, sobretudo. O telefone não parava de tocar, jornalistas, amigos, poetas, primeiro-ministro…
Facto curioso de um jovem de nossa idade (a mesma de Cristo, já agora) querendo saber porque razão estão tantos jornalistas à volta do senhor. Recebeu o Prémio Camões, o ma…

Bravo, Arménio!

Primeiro Móbil, Esfera Infinita,
Jeová dos exércitos-Deus é como
os chapéus, cada cabeça sua medida
Eu sei que alguns padres ficam
zangados. E daí? Os padres
são como são.

Os sapos coaxam, os corvos
crocitam. Cristo falava,
Paulo escrevia. Eu...sou
como sou. Tenham paciência.

Eu sou como sou, Arménio Vieira

Arménio Vieira ganha Prémio Camões

Arménio Vieira é o primeiro escritor e poeta cabo-verdiano a ser distinguido com o Prémio Camões e o quarto em África lusófona. Sem dúvida o maior reconhecimento à literatura cabo-verdiana em língua portuguesa e um super prémio. Depois do brasileiro João Ubaldo (2008), Arménio Vieira, o Conde, recebe o mais importante galardão literário da língua portuguesa de há muito desejado e merecido por Cabo Verde. E porque de apoteose camoniana falamos, escolhemos para celebrar um poema/homenagem de Arménio ao poeta de Vida Severina (por entre cabras e pedras), outro artesão em Língua de Camões, João Cabral de Melo Neto (Prémio Camões 1990).

Sabido que o voo
não se prende ao chão,
do qual não é unitário
nem tão-pouco afim,
já que o pássaro
só no sonho encontra sua estação
e a razão por que voa,
diga-se que o bloco,
pesado e concreto
não é substância
que inspires
quem ao voo se rende

João Cabral, no entanto,
sendo Z de uma recta
em que Dante é o A
encontra no feijão,
e na pedra, mesmo
na cabra, isto é,
na pele da …

Concurso português ignora escravidão

O concurso As 7 maravilhas portuguesas no mundo ignora a história da escravidão e do tráfico atlântico. Há mais ou menos vinte anos, vários países europeus, americanos e africanos vêm afirmando a memória dolorosa do comércio de africanos escravizados e valorizando o patrimônio que lhe é associado. Essa valorização se traduziu não somente na publicação de um grande número de obras historiográficas, mas também se expressou na realização de projetos como A Rota do Escravo iniciado pela UNESCO em 1994. Apesar das dificuldades e das lutas políticas que envolveram a emergência da memória do passado escravista das nações europeias, americanas e africanas, de dez anos para cá a memória e a história do comércio atlântico passaram a fazer parte da memória pública de muitos países nos três continentes circundando o Atlântico. Em 2001, através da Lei Taubira, a França foi o primeiro país a reconhecer a escravidão e o tráfico atlântico como crimes contra a humanidade. Também na França, o 10 de Mai…