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Mensagens

A escravatura, o jornalismo e o abismo

Ao longo dos cinco anos deste blog a escravatura tem sido um tema recorrente. Desde logo pelo peso histórico que a Cidade Velha teve na afirmação do tráfico de escravos, e do papel incontornável que desempenhou nesse comércio transatlântico. Mas a maioria dos textos que aqui escrevíamos fazia referência à não existência no país de um Comité de Rota de Escravos. O projecto da UNESCO sobre a Rota de Escravos nasceu em 2004 no Benin com o intuito de promover estudos e pesquisas sobre tal tragédia humana com vista a potenciar ao nível turístico, académico e outros os sítios que foram palcos da subtração, passagem, ou chegada dos escravos. A ideia de fundo passava pelo fim das lamentações, e pelo inaugurar de uma nova forma de se lidar com esse episódio horrendo da história que epicamente deu novos mundos ao mundo. Todos os países com passado escravocrata, mormente aqueles que ainda precisam de ajudas de terceiros para levar adiante os seus projectos, aderiram ao projecto Rota de Escravos …

Verde afã de uma palavra vã

Cabo Verde!

Serás tu
vã expressão
neste diário afã
de te querer verde?

Serás tu
fútil alcunha
vilipendiando
os semblantes nossos
de rocha nua e agreste

fátuo cognome
deste chão basáltico
de perfil verde

mera denominação
deste torrão famélico
de espasmos verdes

ou tão só verde nome
espoliado à esperança

baptismal e irónica nomeação
da fraternidade da semente

que no pesadelo da erosão
da terra mulata e estéril
faz crescer acácias
nem verdes nem rubras?

Serás o verde
que nas áridas achadas
do seco lugar sonhado cabo verde

canta a mão que semeia
e faz germinar
pés árvores de sonho

ou tão só
o verde que acaba
e ressurge nos sonhos de amanhã
do retorcido cabo da enxada?

Caboverde!

Serás tu palavra vã
ou o infinito enredo
o íntimo desvelo
de um verde afã?
autor: Nzé di Sant’ y Águ (versão refundida)

A Chuva e o Património

A Vila da Ribeira Brava em S. Nicolau (fotos) foi elevada, no passado dia 6 de Agosto, à categoria de património histórico Nacional. Os argumentos do governo dizem que “a vila da Ribeira Brava tem monumentos que pela sua arte, pela sua beleza, pelo seu cunho histórico necessitam de uma especial consideração e preservação”.

Todos se lembram que a meio ano de mandato o actual presidente da Câmara de Ribeira Brava já fazia obras no sítio com o intuito de melhorar a cara de Stancha (como é popularmente conhecida) tendo em mente o sonho de património.

O espaço que há sensivelmente um mês completou 278 anos da sua elevação à categoria de vila, e considerada por muitos “o berço da intelectualidade cabo-verdiana”, passou por uma verdadeira catástrofe nos últimos dias, devido às fortes chuvas que caíram na ilha, causando danos impensáveis em todo o São Nicolau. O edil da vila chegou mesmo a dizer que “a chuva não é mais bem vinda nesta ilha”. O que não se sabe, é até que ponto esses estragos p…

Canção do amor imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita…A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos

Mário Quintana

Thaiti, e (os anos que passam)...

Em homenagem a Amílcar Cabral, patrono da pátria cabo-verdiana, que, amanhã, faria 85 anos se estivesse vivo, três organizações da sociedade civil organizam esta tarde uma mesa-redonda sobre a zona do Thaiti, com enfoques no valor intrínseco do espaço e nas intervenções urbanísticas e outras em projecto. O debate na Biblioteca Nacional logo mais promete.
Várias são as margens e as virtualidades desse espaço onde outrora funcionara a Aguada da Praiae os armazéns da Companhia de Grão Pará e Maranhão, e hoje ostenta o Memorial Amílcar Cabral.
Alguns projectos de intervenção urbanística recaem, entretanto, sobre a zona do Thaiti. Apesar de aprovados pela edilidade, tais projectos enfrentam a desaprovação de certa franja esclarecida da população que não quer ver descaracterizada e alienada o potencial ambiental, histórico e patrimonial de um dos espaços mais emblemáticos da capital.
Um dos mais acérrimos críticos de intervenção urbanística no local é o arquitecto Pedro Martins que desaprova q…

A estrela e o crepúsculo ...

Ilca Andrade vai participar hoje em mais uma sessão eliminatória, e está bem posicionada no concurso do Helbent for Hollywood. Tem a garantia de que irá continuar até o final da maratona, o que quererá dizer que aqueles que ainda não votaram poderão fazê-lo através da página http://www.hellbentforhollywood.com/ no nº 205. Vote for her!


Grita

(...)
Quando chegares,
Amor à minha fonte distante,
desvia-me as vertentes,
aperta-me as entranhas.
E uma destas tardes - Amor de mãos cruéis -,
ajoelhado, eu te darei graças.

Pablo Neruda, in "Crepusculário"

O silêncio dos (não) inocentes

Aconteceu na passada semana em Tripoli, capital da Líbia, uma Cimeira extraordinária da União Africana (UA) que “coincidiu” com a comemoração dos 40 anos da Revolução Líbia. O tema central do encontro incidiu sobre a questão dos conflitos em África, algo crucial para a União. Os países membros são unânimes em quererem ultrapassar a questão e assentar as energias no desenvolvimento do continente. Justíssimo e a questão é urgente!
Mas não terá sido essa a perspectiva de algumas agências noticiosas e de imprensa europeia. Estes centraram os seus olhares críticos sobre o presidente líbio Muahamar Kadhafi, também presidente em exercício da UA, e minimizaram a intervenção de Hugo Chavez, presidente da Venezuela, (foto) que sobre a questão deixou pistas interessantes para a convergência de blocos em prol de uma nova frente política credível e alternativa. Este anunciou o encontro de Caracas, em Setembro (26), sempre na linha do princípio da Cimeira de Tripoli, reiterando o convite a todos os …