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Mensagens

Porque escrevo?

Porque escrevo? Escrevo versos, porque as coisas que tenho para dizer são muito feias, algumas terríveis. Escrevo versos, para desviar o meu olhar de seres demasiado inacabados. Escrevo versos, como quem enxuga o cérebro e expele por orifícios imaginários todo o podridão dos dias. Escrevo versos para evitar que a minha boca pronuncie palavras que podem matar. Enquanto permanecer por aqui, não viverei sem versos!
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Da Crioulização dos espíritos

No calor do debate sobre a 'Crioulização' ocorrido no âmbito da Atlântic Music Expo, um participante oriundo do nosso continente apresentou-se como parte de uma determinada etnia, e disse que tinha dificuldade em entender essa ideia de crioulização, em que a pessoa é um coisa e outra ao mesmo tempo. Para atenuar a sua inquietação o músico haitiano, Erol Josué, numa inabalável crença, explicou que se trata de um estado de espírito que nasce dessa tal África mítica que, em dinâmicas diversas, acaba por unir as diásporas negras mais saudosas. Com olhar complementar, Mário Lúcio revisitou a tese do intelectual antilhano Édouard Glissant que desconstrói o princípio de identidades unitárias e fixas com a sua tese de identidade construída ‘na relação’, aberta, e interdependente...Do Brasil, o músico Chico César trouxe sublinhados sobre (o problema) das dinâmicas identitárias e rácicas naquele país de dimensão continental, e nesse aspecto Mário Lúcio é da opinião

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um

R.I.P. (1941-2011)

 Cesária Évora 

Analogias

O profeta Isaías deixou sinais de que Jesus Cristo era o Messias. Um oráculo, em Delfos, indicou Sócrates como o mais sábio dos homens. Nenhum deles escreveu. Para quê? Tanto Platão como Paulo são apologistas insuperáveis. Os dois morreram de morte cruel: Sócrates bebeu da taça, Jesus foi trespassado por uma lança. Ambos sabiam que a morte não é o fim, o espírito supera a carne. Cristo morreu e ressuscitou. A morte de Sócrates foi um mal-entendido. Quem sonha é porque está vivo. Arménio Vieira

Recordando Brecht

nota pura : Ganhamos quando ganham todos... é urgente rever Brecht!

Não há vagas

O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos. Como não cabe no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras - porque o poema, senhores, está fechado: "não há vagas" Só cabe no poema o homem sem estômago a mulher de nuvens a fruta sem preço O poema, senhores, não fede nem cheira Ferreira Gullar