10 de junho de 2005

Ministros da Cultura querem mais protecção à Diversidade Cultural

Diversidade culturalMinistros de Cultura de 71 países, entre eles Manuel Veiga participarão de uma reunião em Madrid neste fim-de-semana para reafirmar uma convenção patrocinada pela UNESCO que busca proteger a diversidade cultural dos países. Os Estados Unidos, a Alemanha, a Grã-Bretanha, o Japão, a China e a África do Sul são contra a proposta.
A convenção pretende ser um instrumento primordial para assegurar o desenvolvimento das diversas culturas, um equilíbrio entre a livre circulação de bens e serviços culturais e a necessária protecção das culturas minoritárias.
O encontro madrilenho foi convocado pelos ministros da Cultura da Espanha, da França e do Brasil no dia 21 de Março de 2004, durante o Fórum Cultural Mundial, que aconteceu em Julho de 2004 na Cidade de S. Paulo, Brasil.
Os ministros se encontrarão uma semana depois de mais de 500 especialistas de 130 países terem concluído em Paris árduas negociações para definir os termos da Convenção Internacional sobre Protecção da Diversidade dos Conteúdos Culturais e Expressões Artísticas, que deverá ser adoptado em Outubro pela Assembleia Geral da UNESCO.
A reunião de Madrid é vista por muitos como uma forma de se tornar visível a vontade dos ministros da cultura de todo o mundo de negociar um tratado internacional, tendo em conta o acordo alcançado em Paris.
Ao projecto actual se opõem cerca de dez países, liderados pelos Estados Unidos, com o argumento de que os produtos ou bens culturais devem obedecer as regras estabelecidas pela pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
A grande questão é até onde e como se pode limitar a protecção.

Com AFP

7 de junho de 2005

João Lopes Filho lança obra na Praia

A Capela do Pico Vermelho em Santiago é o título do livro que o investigador e escritor cabo-verdiano João Lopes Filho publica, hoje, no Centro Cultural Português/Instituto Camões, na Praia. Um estudo sobre a história da Capela do Pico Vermelho, na Cidade de Santiago, ex. Cidade Velha, que abrange os séculos XVI e XVII.
A obra vai ser apresentada por António Correia e Silva. O historiador considera o livro de extrema importância pelas especificidades de estudo que apresenta, e pela abordagem que empresta a esta importante instituição vincular.
A Capela do Pico Vermelho em Santiago é o quinto título da colecção “Documentos para a História de Cabo Verde”, editada pelo Centro Cultural Português.
João Lopes Filho, que também é engenheiro técnico agrário tem já 16 obras lançadas, (13 dos quais sobre Cabo Verde). Pronto a ser lançado encontra-se igualmente “In Memorian: João Lopes”: uma obra que vai desmontar, segundo uma entrevista que o autor concedeu à jornalista Glaucia Nogueira, o mito que coloca Baltasar Lopes como fundador do movimento Claridade e trazer a público o papel de João Lopes (pai do autor) nesse núcleo.

A passagem de Leonardo Fea por Cabo Verde

ExampleO naturalista italiano, Leonardo Fea, que ficou célebre pela exploração da Birmânia chegou a Cabo Verde em 1898, provindo daquele país, ao serviço da Sociedade de Geografia de Génova e coligia para o Condi Salvadori, ornitólogo. A pobreza da fauna destas ilhas foi para ele uma decepção. Em todo o caso, encontra algo interessante: o cuco europeu e cágados em S. Tiago – o ilhéu de Santa Maria, terras muito áridas onde Darwin acampara em 1831 sem descortinar, entretanto, esses animais. A passarinha, sim, descobriu-a ele, referencia o site da triplov.
Leonardo Fea explora as ilhas da Boavista, Santiago, Fogo, Brava e S. Nicolau e os Ilhéus Rombo e Raso. Numa das ilhas descobre uma nova espécie de procelária, de que Newton envia exemplares a Bocage, Oestrellata feae.
Fea passa quinze dias no Ilhéu Raso, numa barraca improvisada, a apanhar lagartos.

6 de junho de 2005

Fontoura da Costa: o comandante governador

ExampleFontoura da Costa foi nomeado Governador de Cabo Verde em Agosto de 1915.
Estudou os problemas agrícolas cabo-verdianos e tomou medidas importantes durante o seu governo, que se revelaram decisivas para a educação em Cabo Verde. No começo dos anos 30 do século XX o analfabetismo já era um problema muito combatido em terras cabo-verdianas. Em 1932 as 150 escolas primárias existentes no arquipélago eram frequentadas por 8.000 alunos dos dois sexos, numa população de 150.000 habitantes.
Aquando da inauguração do Liceu de S. Vicente, mais tarde denominado “Liceu Central Infante D. Henrique”, hoje Jorge Barbosa, o governador terminava o seu discurso exortando ao adolescentes que abraçassem os estudos e a instrução, de uma maneira geral, como um meio de vencer as adversidades da vida. Palavras entendidas por muitos, na altura, como certas e proféticas de um distinto pedagogo.
Enquanto Governador redigiu ainda um trabalho intitulado “Naufrágios na Ilha da Boavista. Desde 1842 a 1916”. Possivelmente o seu primeiro estudo de âmbito essencialmente histórico.

2 de junho de 2005

S.Filipe: Cidade de todos os santos

ExampleQuando se fala em S.Filipe pensa-se na sua localização voltada para o mar e nos seus sobrados, pela sua arquitectura, pelo seu urbanismo e pelo seu percurso humano e social. Esse mundo dos sobrados que testemunha um certo drama e uma certa grandeza reclama, entretanto, um tratamento mais dinâmico.
Uma iniciativa de preservação que salta à vista de quem visita a ilha do Fogo é a Casa da Memória da cidadã Suiça Monique Widmer que escolheu a cidade para viver. Situa-se na parte histórica da cidade e é uma antiga casa de habitação e, depois, casa comercial, que serviu, nos anos 60, para projectar filmes, funcionando assim como o primeiro cinema ao ar livre do Fogo.
Desde a sua restauração, em 2001, a Casa da Memória tornou-se num museu incontornável que acolhe em permanência uma exposição etnográfica dos diferentes aspectos da cultura e da história da Ilha do Fogo.
Example
São Filipe também encanta pela força das suas tradições patenteadas na secular presença da Igreja Católica na ilha e num sincretismo denotador de forte resistência cultural, das suas manifestações festivas e folclóricas. Se é que a festa de São Filipe continua viva e pujante, a oficialidade municipal, urge também dar traço portentoso às festas de São Sebastião, São João, S. Paulo, S. Paulinho e São Pedro. Todas estas manifestações culturais são elementos essenciais da montagem de um puzzle cultural que aguarda tratamento adequado. O canizade, por exemplo, está em vias de desaparecer, lembra, Fausto do Rosário, um natural da ilha.
Fogo é uma ilha rica, com imenso filão histórico e cultural para ser explorado. A riqueza depende da capacidade de interpretar e recriar a História, dizia o historiador Correia e Silva.

24 de maio de 2005

Cinema: A Ilha dos Escravos

EscravosO novo filme do Realizador português Francisco Manso – A Ilha dos Escravos –, cujo início de gravação começa em Setembro próximo, vai contar com uma forte participação de cabo-verdianos em vários momentos.
A realização da banda sonora vai estar a cargo de Mário Lúcio e a consultoria histórica sob a responsabilidade de António Correia e Silva. O protagonista do trama, também ele cabo-verdiano, será o actor Mano Preto.
A Ilha dos Escravos narra uma história de amor e de relação humana entre um escravo (o João) e sua patroa. Um navio negreiro naufraga na costa da Ilha, e escravos fugitivos espalham-se por zonas afastadas, como forma de sobrevivência. Esta situação desencadeia uma repressão militar sem precedentes que estará na base de uma revolta de escravos, liderada por João. O trama levanta também a questão da miscigenação.
O filme decorre em Cabo Verde (Santiago), Brasil (Estado de Alagoas) e Portugal (Lisboa) em 1852.
Apesar da produção do trama estar fortemente centrada em Portugal, através da Cinemate, "A Ilha dos Escravos" é um filme que conta com participações equilibradas de actores brasileiros (Milton Nascimento; Zezé Mota e Thaís Araújo), portugueses (Diogo Infante, Vítor Norte), e cabo-verdianos (Mano Preto), estando alguns dos personagens ainda em processo de selecção.
A longa-metragem, com argumento de António Torrado, terá a duração de 110 minutos e será distribuída pela Lusomundo.
Francisco Manso é realizador, produtor e argumentista. Dentre as suas obras ligadas a Cabo Verde, destacam-se "O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo” e “Na rota da escravatura”.

19 de maio de 2005

Órfeu: tertúlia literária sobre Fernando Pessoa

ExampleUm grupo de intelectuais, que se autodenomina CDS, pretende organizar na Residência do Embaixador do Brasil, Victor Gobato, um dos promotores da iniciativa, uma tertúlia literária sobre o poeta Fernando Pessoa. A tertúlia que acontece neste Sábado, 20 de Maio, contará com a participação de mais de duas dezenas de intelectuais que abordarão em poesia, prosa, e outros testemunhos a complexidade do poeta Fernando Pessoa. Desde a decoração ao recital em si, passando, naturalmente, pelo buffet a cargo da embaixatriz do Brasil, tudo recriará o ambiente onde Pessoa produzia sua poética universal. Os convidados de honra desta iniciativa são os embaixadores de Portugal e dos Estados Unidos, e o Ministro da Cultura.
O núcleo duro que promove a iniciativa é composto por Dolores Vasconcelos, Filinto Elísio Correia e Silva, Fátima Bettencourt, Joaquim Morais, Corsino Fortes, Victor Gobato e Sónia Gobato. Tudo isso vem na sequência da tertúlia literária organizada há um mês sobre Jorge Barbosa e Manuel Bandeira, animada pelo embaixador Lauro Moreira (Solo Brasil) aquando da sua vinda a Cabo Verde.

13 de maio de 2005

CCP/IC recebe exposição de obra gráfica

ExampleVai ser inaugurada, no dia 16 de Maio, uma exposição de Obra gráfica portuguesa contemporânea (serigrafia, litografia, gravura) no Centro Cultural Português/ Instituto Camões, na Praia. O Moçambicano Malangatana, e o cabo-verdiano Tchalé Figueira são alguns dos africanos que figuram no rol de artistas portugueses que integram a exposição, com destaque para Carlos Calvet, Cruzeiro Seixas e Júlio Pomar.
A exposição reúne uma colecção de obras notáveis produzidas nos últimos 20 anos em Portugal. São no total 40 obras da cultura e arte contemporânea de artistas de reconhecido valor, tanto portugueses, como africanos, embora estes sejam em menor número.
Entende-se que a obra gráfica contribui para uma maior divulgação da arte contemporânea junto do grande público, tendo em atenção o seu papel pedagógico. “Uma arte que… inventa uma intimidade irrepetível, quotidiana festa dos sentidos e do olhar…”
Esta exposição é uma iniciativa conjunta do Centro Cultural Português/Instituto Camões e do Centro Português de Serigrafia. Este Centro surgiu em 1985 pela iniciativa de António Prates, com o objectivo de facilitar ao amante e coleccionador de Arte o acesso à posse de obras de grande qualidade.

Malangatana, sem titulo,
serigrafia, 1983,
coll.priv

12 de maio de 2005

George N. Leitão é nome de Correios na "Merca"

ExampleGeorge Neves Leighton (ou Leitão) é, a partir de agora, nome do Edifício dos correios de New Bedford, nos Estados Unidos. Um honorável juiz cabo-verdiano americano, e um dos primeiros juízes de origem africana nos Estados Unidos, nascido a 2 de Outubro de 1912 no estado de New Bedford. Esta alta homenagem que em muito engrandece o nosso país, e funciona como mais uma pedra de toque para a comunidade cabo-verdiana emigrada nas terras do Tio Sam, foi uma decisão da Câmara dos Representantes dos EUA.
George Neves Leighton, (ou Leitão) é filho de Anna Silva Garcia e António Neves Leitão, naturais da Ilha Brava. E como filho de emigrantes que era, a vida não lhe foi fácil.
Com idade para os estudos teve que ir trabalhar num petroleiro, tendo posteriormente retomado escolas nocturnas. Fez os estudos universitários na Universidade de Howard, em Washington DC, e na Faculdade de Direito de Harvard, em Massachusets. Mais uma vez Leighton interrompeu os estudos, desta feita para se alistar na Segunda Guerra Mundial, tendo sido agraciado com “estrela de Bronze”. No ano de 1946 conseguiu o seu diploma em Direito na prestigiosa Harvard.
Esse ilustre cabo-verdiano americano já foi Juiz do Tribunal da Comarca do Condado de Cook, em Illinois (1964) e primeiro juiz negro do Tribunal de apelação do Primeiro Distrito do Norte de Illinois (1969). Leighton foi também nomeado para o Tribunal do Distrito no Norte de Illinois em 1976, e leccionou na Escola de Direito “John Marshall”, durante 27 anos.

11 de maio de 2005

Cesária Évora com crise de saúde

ExampleA produtora Harmonia, Lda. informou, hoje, através de uma nota de imprensa, que a cantora Cesária Évora deverá ser submetida nos próximos dias, em França, a uma intervenção cirúrgica sem gravidade.
A mesma cancelou todos os espectáculos entre 10 de Maio e finais de Agosto. A embaixadora cultural de Cabo Verde no mundo deverá, segundo a Harmonia Lda., retomar, em Outubro próximo, a sua agenda normal.

9 de maio de 2005

Revoltas "na txom di morgadu"

ExampleA história da resistência das populações no interior da Ilha de Santiago de Cabo Verde é longa e penosa. A estrutura agrária em Santa Catarina, no século 19, é, segundo António Correia e Silva, muito particular, emergindo da decadente sociedade escravocrata que não só produziu uma enorme taxa de fuga de escravos, como criou, através do processo de alforrias, um número considerável de forros.
Revolta tipicamente camponesa, ocorrida em 1910, um mês depois da Proclamação da República em Portugal, e logo após a posse, na Cidade da Praia, do Governador Marinha de Campos, Ribeirão Manuel sintetiza, em razão profunda, um contexto em que o tipo de exploração agrária exacerba as estruturas de arrendamento em anos de intensa seca e de má colheita, polarizando tensões entre os morgados e rendeiros.
A razão imediata dessa revolta teria origem numa queixa do morgado Aníbal dos Reis Borges contra algumas mulheres, alegando que estas teriam invadido a propriedade da irmã para roubar a purgueira. A recolha e exportação destas sementes produtoras de sabão era monopólio oficial, note-se. Tropas estacionadas na então Vila da Assomada, chefiadas pelo temível sargento Machado, prenderam as mulheres e conduziram-nas para a Cadeia de Cruz Grande.

Mais Revoltas

Outra revolta importante foi a da Ribeira dos Engenhos, em Janeiro de 1822, num período de convulsões institucionais em Portugal e em Cabo Verde. A população local tem uma ideia muito remota desse acontecimento.

Em 1840, assiste-se a uma nova revolta, desta feita em Achada Falcão. Os amotinados, centenas de camponeses rendeiros e parceiros, avançam contra os solares dos morgados e gritam que as terras cultivadas eram suas. Estes atentam contra dois grandes morgados, Nicolau Reis Borges e Manuel Tavares Homem, presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina. A revolta que, ao tempo, demandava a reforma agrária, foi sufocada por soldados enviados da Cidade da Praia.
O Ministro da Cultura avançou-nos numa entrevista que o seu ministério tem um projecto de recuperação de alguns solares de morgado, no âmbito do resgate da contribuição dos sítios agrários à história das ilhas. O solar que pertenceu ao temível Carlos Coelho Serra na Ribeira dos Engenhos poderá ser um deles. A casa funciona como escola e encontra-se num estado avançado de degradação.

6 de maio de 2005

"Tabanca di Quitalona" em Tombatoro

ExampleAs festividades de santo em Cabo Verde são um fenómeno pouco estudado, disse-nos, certa vez, numa entrevista, Padre Sanches, Pároco de S.Filipe-Fogo. Nessa ilha as festas de Santo, como sincréticas que são, se entrelaçam, na sua maioria, com as famosas bandeiras (manifestação cultural de forte raiz popular).
No caso de Santiago e Maio, essas simbioses dão-se com as famosas tabancas (festejadas sempre num dia de santo). As múltiplas cores, o ritmo quente, as canções alegres, o batuque, os tambores, que acompanham os búzios são signos marcantes da Tabanca. Uma manifestação que terá originado do caos social, nas ilhas, provocado pelas secas e fomes cíclicas.
O que queremos mesmo, é falar um pouco da tabanca de Tombatoro, localidade vizinha de Ribeirão Manuel, Concelho de Santa Catarina. Conversamos com Manuel Varela, “Rei di takanca di quintalona”, desde 1951. Pareceu-nos pouco esperançado no futuro dessa tradição, mas com um vigor que dá inveja aos mais novos. “Nu carrega tabanka ti li, má jovens di goci ca crê sabi de tabanca”, lamenta. Estávamos em casa da Rainha, Armelinda Gomes da Veiga, mas esta permanecia quase sempre calada, enquanto Varela narrava partidas da tabanca de anos que não voltam mais. O mais falador era um senhor dos seus 40 anos, “tomado de cana”, que repetia vezes sem conta ter sido a rainha, a doadora do terreno para se construir a casa da tabanca, erguida mesmo ali em frente.
É verdade, confirmou-nos a rainha. Manuel Varela (o rei) brincou tabanka desde criança, tendo a partir de 1951 substituído o então rei, marido de Armelinda, que partira para Angola como emigrante, mas que hoje, com idade já avançada, vive à míngua numa cama.
Armelinda Gomes da Veiga, cuja mãe, em vida, também tinha sido “rainha di tabanca”, das poucas vezes que fala é para reclamar da vida. Quis deixar uma marca dessa tradição que lhe é quase familiar. Por isso cedeu um pedaço de terreno para a construção da casa da tabanka. O espaço está construido, com cobertura, portas e janelas. As obras avançaram muito, mas pararam. O Vereador da Cultura da Câmara de Santa Catarina, Higino Fernandes, pediu mais rapidez, já que foi a Camara quem doou todo o material de construção.
Os dinamizadores da tabanca prometeram avançar. É que no próximo dia 29 de Junho, dia de S. Pedro, a tradição se cumpre: Haverá “festa bedju na Tombatoro e Rubon Manel". Que viva a tradição!

4 de maio de 2005

Mendes Brothers Lançam novo CD

Example"Kabu Verdi" é o último álbum dos Mendes Brothers (Ramiro e João Mendes) acabado de dar à estampa nos Estados Unidos, e a ser lançado em breve em Cabo Verde. Disco emblemático porque aparece no trigésimo aniversário da Independência Nacional, razão porque a faixa kabu Verdi (que dá título ao álbum) não aparece por mera coincidência.
kabu verdi bó ten na mi…/ un fidju fiel/ un fidju amanti/prontu na morre pa bó/ num instanti” escreve Ramiro Mendes nessa linda toada folclórica. De resto, os irmãos Mendes permanecem iguais nessa preocupação de valorizar o folclore da Ilha do Fogo (neste álbum com algumas “talaia baxu”, de batidas progressivas, mas de estrutura tradicional de Cabo Verde (várias formas de execução das coladeiras) e de Angola (semba, sobretudo) numa aproximação assumida com as suas raízes africanas.
Mas a grande novidade, além da musical, está no assumir a padronização da escrita da língua cabo-verdiana plasmada nos versos que dão corpo ao álbum. A ulitização do alfabeto ALUPEK com o apoio da professora Nezy Brito é disso prova.
Os Mendes Brothers têm no mercado discográfico sete obras, designadamente o "Novo Método" (1983), "Palonkon" (1993), "Bandera" (1995), "Torre di Control" (1996), "Para Angola com Xi Coração" (1997), "Satélite Zambi" (1999) e “Kabu Verdi” (2005).