25 de março de 2005

Morreu "Nhô Raúl"

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Faleceu com 102 anos de idade o tocador de violino, Raúl de Pina. Um exímio músico, natural da Ilha Brava, conhecido dentro e fora do país. Teve 38 filhos, sendo 29 vivos.
Nhô Raúl, apesar de filho de emigrante, viveu sempre em Cabo Verde, entre Brava e Praia. As últimas três décadas passou-as em Cova de Joana na Brava, ao lado da esposa Maria Madalena Gomes de Sena, a quem dedicou o seu único álbum intitulado “Madai”, gravado em 1999.
Tivemos a oportunidade de fazer uma reportagem com Nhô Raul, na Brava, em 2001, durante um casamento de dois jovens italianos da Cidade de Noli que escolheram a zona “Djon da Noli” para o seu enlace. Foi uma festa interessante, porque uma homenagem ao navegador italiano que esteve tanto na Brava como no Fogo, emprestando o seu nome a duas localidades dessas ilhas. Nhô Raúl era a figura central dessa festa, enquanto animador. Em conversa connosco, contava a saudade que sentia da sua juventude em que animava festas durante uma semana a fio. Os seus olhos brilhavam quando falava de Eugénio Tavares, já que era conhecido como “menino da casa de Nhô Eugénio”, figura de quem recebeu uma grande herança lírica. No embalo da conversa ousava até contar alguns episódios românticos da vida do poeta.

Seu percurso...

Raúl de Pina começou a tocar violino com 13 anos de idade por influência da mãe que cantava morna. Diz mesmo que foi a sua mãe que o ensinou a cantar mornas de Boa Vista. “Eu costumava acompanhá-la a cantar”. Foi nesse ambiente que Nhô Raul começou a fabricar violinos que até lhe rendiam algum. Vendia-os por 20$00.
Numa entrevista concedida à Amidjabraba conta como conseguiu o seu primeiro violino moderno. “ Eu ganhei o meu primeiro violino através de um rapaz, cujo pai era capitão”. Nhô Raúl comprou desse jovem um relógio dos Estados Unidos que viera trocar mais tarde por um violino que pertencia ao Sr. Cristiano José Pereira, professor, na altura, em Ponta-abaixo.
Raúl de Pina tinha 17 anos quando veio para Praia. A sua primeira actuação na Capital aconteceu numa festa de boas-vindas que médicos do Hospital da Praia (na altura, apenas 3) resolveram fazer em honra do Dr. Fonseca que acabara de se formar. Nhô Raúl ficou reticente e inseguro com o convite, mas acabou por aceitar o desafio. Foi assim que começou formalmente a tocar em público e a animar bailes por 50 escudos por noite.
Apesar da idade avançada, Raúl de Pina animava bailes até há tempos, sempre na companhia do seu último filho (codé) adolescente.

Com amidjabraba

24 de março de 2005

Ilhéu de Santa Maria: empreendimento "world class" deve ter dimensão cultural

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O Ilhéu de Santa Maria – mais conhecido por "Djéu" -, vai receber, este ano, investimentos turísticos chineses, que incluem hotéis, casinos e outras infra-estruturas, num montante superior a 50 milhões de dólares. Este colosso turístico ostentar-se-á vis-a-vis à praia da Gamboa, onde também se planeia o futuro Distrito Financeiro da Praia. Os investimentos serão do grupo chinês de David Chaw, um dos grandes magnatas do jogo, com a maioria dos negócios instalados na Ásia, concretamente em Hong Kong, Macau e Singapura.
Se, do ponto de vista económico mais puro, o interesse de David Chaw deve ser encarado como extremamente positivo, é de se lembrar que, do ponto de vista cultural, paisagístico e ambiental, o projecto exigiria um pouco mais de socialização a nível da opinião pública cabo-verdiana, da edilidade da Praia e dos vários segmentos políticos de Cabo Verde.
Recorde-se que o Ilhéu de Santa Maria foi, durante o século XIX, um porto carvoeiro, na tentativa de se instalar companhias carvoeiras na cidade da Praia, criando uma concorrência (a partir da ideia da complementaridade) ao Porto Grande do Mindelo. Igualmente o Ilhéu se inscreve no imaginário colectivo ligado a alguns ciclos de fome, servindo, por diversos momentos, como espaço de asilo aos indigentes e famintos da cidade. Só por isso, um empreendimento de tal magnitude teria de considerar, em primeira abordagem e a título de sugestão, a edificação de um grande memorial.
Outra componente a se ter em conta seria a paisagística. A configuração da cidade da Praia, sobretudo o recôncavo que faz a baía, tem no Ilhéu de Santa Maria o seu ex-libris natural.
O interesse de David Chaw pelo nosso país, em geral, e pelo Ilhéu de Santa Maria, em particular, parece trazer "outros e mais investimentos”, o que, obviamente, saudamos. Outrossim, não somos daqueles radicais que associam a indústria do jogo apenas à prática de chantagem, do narcotráfico e da prostituição. No âmbito das contrapartidas, sabe-se que o investimento em questão garantirá significativos impulsos financeiros ao sector da Cultura, o que de si é uma valência. Assim, a deslocação do magnata chinês a Cabo Verde, prevista para o mês de Abril, é bem-vinda e merece o apoio de todos os operadores, inclusive os culturais. Todavia, será ocasião oportuna para se demandar a inclusão das preocupações culturais, paisagísticas e ambientais na reformatação do projecto, pois estas não têm preço e transcendem o mais pesado dos investimentos.

23 de março de 2005

Sabina Miranda: Sucesso no Feminino

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No mês em que se assinala mais um dia dedicado à mulher, as cabo-verdianas continuam a marcar ponto nas ilhas e na diáspora. Desta feita, a novidade vem dos Estados Unidos e chama-se Sabina Miranda.
Já participou em dois filmes – “Vozes que gritam” e “Destino e Sucesso”. Neste momento está a correr atrás dos seus sonhos e vive em Nova Iorque. Numa entrevista concedida à CVmusicworld a garota do momento disse que está a trabalhar no projecto do seu próprio talk show, onde pretende dar espaço à comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos, que, no seu entender, é ainda pouco conhecida. Ao mesmo tempo prepara-se para uma audição na hollywood.
Os Cabo verdianos não são conhecidos, precisamos difundir a nossa cultura e apresentá-la ao mundo, diz.
Sabina trabalha com a produtora americana John Casablanca’s Modeling and Career e já coordenou na BNT (Boston Neighborhood Television) o programa Video Flava. Recente desempenhou o papel de uma escrava num documentário produzido pela Northern Light que vai ser emitido neste mês no canal História.
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Ainda no feminino...

Continuando a falar de vitórias no feminino não poderíamos aqui não referenciar a iniciativa do Ministério da Cultura: “O papel da mulher cabo-verdiana na afirmação da cultura”. Uma mesa redonda, iniciada hoje, que versa sobre os diversos campos de actuação em que as mulheres já se fazem fortemente presentes em Cabo verde, nomeadamente nas letras, na música e no ensino. O acto acontece na Biblioteca Nacional, enquadra-se no âmbito do trigésimo aniversário da independência de Cabo Verde e prolonga-se até Domingo.
Dentre os temas, de realçar a exposição de artes plásticas, artesanato e do livro, a ser inaugurada, hoje, no Palácio da Cultura e a entrega de Diplomas de mérito, no Sábado, aos 10 grupos de Batuque da Praia, na Biblioteca Nacional.
O mega evento encerra-se em alta no auditório Jorge Barbosa com um espectáculo cultural em homenagem às musas. As vozes femininas vão estar no comando: Lena França, Terezinha Araújo, Teté Alinho, Sara Alinho, Batucadeiras de Monteagarra, Arcelinda Barreto, Pedro Moreno, e Mizé Badia.

21 de março de 2005

Torre cultural para a Ilha do Maio

Biche Rotcha
Quem visita o Maio, de lés a lés, fica agradavelmente surpreso com as virtualidades da ilha, apesar da aparente falta de perspectivas, e desolação. Digo isso, porque o Maio, ao contrário da Boa Vista e do Sal, ainda vai a tempo de planear o seu turismo de modo a conciliá-lo às suas especificidades ambientais e humanas.
As praias estão praticamente intactas, a beleza das suas dunas pode competir com as de Boa Vista, a hospitalidade – sua imagem de marca – é insubstituível.
Há quem diga, inclusive, que a ilha da boa música e do bom queijo ainda resguarda os traços e a autenticidade do cabo-verdiano de antanho.
Autenticidade, aliás, que convidou o casal alemão, Sabina e Miguel, a fixar residência no Maio, mais precisamente na zona de Calheta. Sabina ensina francês no Liceu da Vila do Porto Inglês e o seu marido, enquanto artista, trabalha na construção de uma torre de cultura que vai ser o Centro Cultural da Ilha. Esse espaço já ganhou corpo e fica próximo à praia de Calheta mesmo defronte à residência do casal.
Porto Inglês
A intenção é “promover momentos culturais com artistas e poetas da ilha e de outras paragens” diz a Sabina. Além desse projecto cultural o casal está a trabalhar na recuperação do espaço que envolve a torre, onde antigamente existiam extensas palmeiras que protegiam do sol as mulheres da redondeza, enquanto lavavam roupas.
O casal vive há sete anos no Maio e durante esse período tem dado sinais de muito apego à ilha, patente nos vários projectos que desenvolve a nível educacional e comunitário. Entretanto, vivem preocupados com o futuro do espaço, tendo em conta as consequências de um turismo mal explorado.
“Que turismo para a Ilha do Maio?” tem sido uma questão recorrente entre as autoridades locais e nacionais. Adalberto Silva, deputado da nação e filho da ilha, emerge desta problemática com a ideia de que “o turismo a ser promovido na ilha não poderá ser de massa”. Betú – como prefere ser chamado – é da opinião que se deve aproveitar as peculiaridades da ilha e promover um turismo que traga benefícios e qualidade de vida aos maienses.

17 de março de 2005

O Baleeiro Essex passou por Cabo Verde

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Cabo Verde assumiu-se sempre como uma importante placa giratória da navegação atlântica, pois aqui se cruzavam nas viagens de ida e de regresso, a rota da Guiné, a rota do Congo/Angola e a rota do Cabo e aí aportavam à ida os navios do Brasil e os da rota das Índias de Castela. Assim, pela enorme importância geo-estratégica tiveram, a cada tempo, o seu auge, diversos espaços cabo-verdianos:
A Ilha do Maio também se insere nesse roteiro. No livro “No Coração do Mar”, do jornalista e historiador norte americano, Nathaniel Philbrick, existem relatos interessantes da passagem da embarcação Essex pela Ilha do Maio. O navio baleeiro Essex foi atacado em 1820 por um cachalote enfurecido e afundou. Este acontecimento foi tão comentado nos Estados Unidos quanto o naufrágio do Titanic no século XX. O episódio inspirou Herman Melville a escrever sua obra mais conhecida, "Moby Dick". O historiador Nathaniel Philbrick, por sua vez, reconstituiu a história na obra “No coração do mar” em todos os detalhes, apoiado em ampla pesquisa e fontes inéditas. Uma tragédia vivida por pessoas reais – alguns cabo-verdianos, possivelmente.
O Porto da Ilha do Maio é narrado no livro de Philbrick como uma enseada que servia de porto, onde montes pontiagudos de sal branco – obtidos dos largos salgados do interior da ilha – aumentavam a sensação de desolação do cenário…
Os barcos americanos ancoravam no Maio para se abastecerem do Sal, de panos de terra, de frescos e de porcos. Outra curiosidade que confirma o peso histórico das ilhas na rota atlântica.

Ricardo Lima Barros: O eterno capitão da "Ernestina"

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Capitão Ricardo Lima Barros nasceu na Praia, Santiago, a 23 de Outubro de 1914. Começou a sua carreira de marinheiro a bordo do barco Nossa Senhora da Areia comandado por um capitão português em 1952. Toda a sua experiência foi ganha enquanto marinheiro no Senegal.
A sua primeira viagem como capitão aconteceu no barco Ernestina – comprado no estado de RI, Providence, pelo cabo-verdiano Henrique Mendes, e que sela, em grande medida, a relação existente hoje entre os Estados Unidos e Cabo Verde. Barros partiu do Porto Grande do Mindelo a 6 de Julho de 1954 rumo à Cidade de Providence, RI, nos Estados Unidos, tendo chegado ao seu destino a 13 de Agosto de 1954. Foi uma viagem de 38 dias com 16 tripulantes e três passageiros. Nos Estados Unidos casou-se com Domingas de Barros.
Regressou a Cabo Verde no comando da Ernestina, numa segunda viagem, deixando RI a 9 de Novembro de 1954 e chegando a Mindelo a 14 de Dezembro de 1954. Esta viagem de 34 dias aconteceu com 16 tripulantes e 4 passageiros.
Em 1955 acabou por emigrar para os Estados Unidos, tendo viajado de avião. Nos Estados Unidos ao lado da esposa, fixou residência em Taunton, MA, e tiveram juntos cinco filhos. Outros familiares de Barros, inclusive um irmão, tiveram a mesma sorte e rasgaram muita água no destino atlântico.

Os donos da Ernestina
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Essas pessoas da fotografia ao lado são alguns membros da família Mendes. Henrique Mendes, o famoso comprador da embarcação Ernestina, e sua esposa.
Á esquerda está o seu filho Arnaldo acompanhado do irmão à direita. O último desse grupo a falecer, há poucos anos, foi Arnaldo. Mas aqui em cabo Verde, mais propriamente na Ilha do Fogo, existem ainda muitos testemunhos vivos que podem narrar com peças do imaginário as peripécias dessa histórica ligação entre os Estados Unidos e o nosso país. Felizmina Mendes de 102 anos, uma das filhas de Nhô Henrique, residente em S.Filipe é um exemlo.

Tradução livre do Cape Verdean VoyagesLogbook 1954-1955 Transcripts

16 de março de 2005

Noblesse Oblige

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Na sequência da 2ª edição do programa televisivo (TCV), Monumentos e Sítios, sobre o Plateau, da Cidade da Praia, queria agradecer o engajamento e o empenho de todos os participantes. Assim, queria destacar as contribuições valiosas do historiador António Correia e Silva, consultor do programa, do Edil praiense, Felisberto Vieira, do historiador Daniel Pereira e do catedrático Jorge Brito. Assinalaria também o profissionalismo de Jorge Avelino e Zezinho Furtado, respectivamente camara man e montador do programa. Uma palavra de apreço para um sem número de pessoas que, com sinceridade e sentido de apoio, tem acarinhado esta iniciativa. A 3ª edição, do Monumentos e Sítios, versará sobre os Palácios da Cidade da Praia.
Aproveito ainda esta oportunidade para felicitar a minha confrade Matilde Dias, pela 3ª edição, do programa Konbersu Sabi, desta feita sobre o Teatro em Cabo Verde, tema consistente e que tem merecido atenção da nossa opinião pública.

12 de março de 2005

Prémio Sonangol de Literatura

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O Concurso para o prémio SONANGOL de literatura acontece este ano, e está aberto a obras inéditas de escritores de Angola, S.Tomé e Cabo Verde. Os interessados podem contactar as Associações dos Escritores desses países e dar entrada à candidatura.
O Prémio SONANGOL de Literatura foi criado em parceria com a Associação dos Escritores Angolanos, há mais de dez anos, com o objectivo de prestigiar os escritores daquele país. Em 1999 foi aberto aos escritores de Cabo Verde e de S. Tomé, passando a ser atribuído de dois em dois anos. Podem concorrer ao prémio obras que se inscrevem nos géneros de poesia e prosa (ficção, colectânea de contos, novelas, romances ou literatura infanto-juvenil). As obras a concorrer devem ser obrigatoriamente assinadas com um pseudónimo, acompanhadas de um envelope fechado contendo os dados completos do autor. O prazo de entrega dos trabalhos decorre de 1 de Janeiro a 1 de Julho. A entrega do GRANDE PRÉMIO acontece a 25 de Fevereiro de cada ano, data em que a Sonangol comemora o seu aniversário. A obra vencedora é lançada em dois actos a contecer, primeiro, em Angola, e, segundo, em Cabo Verde ou S.Tomé.
O vencedor do GRANDE PRÉMIO recebe um prémio pecuniário de vinte mil dólares americanos, mais o valor da publicação da obra, com a tiragem de 1500 exemplares. Além do GRANDE PRÉMIO, existe, ainda, o "PRÉMIO REVELAÇÃO”, com periodicidade anual, destinado exclusivamente a jovens angolanos sem obra publicada.

10 de março de 2005

Centro para Jovens Artistas

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Encontra-se em Cabo Verde uma delegação do Centro para Jovens Artistas, dos Estados Unidos, para contactos com os parceiros locais, em particular instituições ligadas à juventude e à cultura, para o incremento da cooperação já iniciada.
O Centro para Jovens artistas é um curso pré-universitário de verão, ligado à Universidade de Wesleyan, no estado americano de Connecticut. O curso intensivo, de cinco semanas, direccionado para estudantes liceais, procura potenciar o talento dos mesmos nas áreas da música, teatro, literatura, cinema e artes visuais. Além de tais áreas, o programa enfatiza a aprendizagem inter-disciplinar, o pensamento crítico e a liderança, aspectos considerados afins para uma boa educação no domínio das artes.
Como em muitos programas educativos americanos, o Centro para Jovens artistas realça o multiculturalismo na sua abordagem didáctica.
Há três anos que jovens cabo-verdianos participam nesse programa, graças a José Monteiro, professor de teatro e cabo-verdiano. Monteiro trabalha no centro de Jovens criadores há cinco anos, e numa das suas viagens a Cabo Verde pôde conferir a potencialidade artística dos jovens locais, e levar uma proposta ao seio do programa. Aqui foi criada uma equipa multidisciplinar, sob a alçada da Secretaria de Estado da Juventude, que trabalha em parceria com a instituição americana.
Neste momento a ideia é abrir essa cooperação para outras ilhas do país. Para já existe a intenção de instalar na Cidade da Praia uma extensão desse curso.
O curso, de 26 de Junho a 30 de Julho, tem lugar na cidade de Middletown, em Connecticut, um estado onde a comunidade cabo-verdiana tem uma forte e secular presença, o que permitirá aos alunos seleccionados conhecer, além de aspectos da vida americana, mais um cenário da nação cabo-verdiana, que é a diversidade da sua diáspora.

8 de março de 2005

Cabo Verde vai ter áreas protegidas

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Vão ser criadas em Cabo Verde áreas protegidas nas ilhas do Fogo, Santiago, S.Nicolau, Santo Antão, S.Vicente, santa Luzia, e Boa Vista consoante a sua biodiversidade.
Prevê-se áreas protegidas terrestres e marinhas. Estas últimas vão ser nas ilhas baixas como Santa Luzia e Boa Vista. Das áreas terrestres podemos destacar as ilhas de S.Vicente e do Fogo tidos como os futuros pólos do ecoturismo.
A Direcção Geral do ambiente, responsável directo pelo projecto socializou, hoje, com os parceiros a sua implementação. De observar, por exemplo, o caso de S.Nicolau que reserva uma vegetação inicial da ilhas, em que a degradação ainda não se fazia presente. A intenção é conservar essa riqueza natural, e através dela, preservar o ambiente e promover o turismo.
A implementação do projecto das áreas protegidas é uma componente do PANA II que, por sua vez, respeita os objectivos do milénio, enquanto motor de preservação ambiental e redução da pobreza.
Este projecto avaliado em 6 milhões de contos será implementado numa primeira fase durante 4 anos, e conta com os apoios do governo de cabo verde, do PNUD através do Fundo Global do Ambiente e de outras fontes.
“Os momentos” faz votos para que o projecto ganhe corpo e fôlego, porque só assim poderemos legar algo de bom para os nossos filhos, nestas ilhas que, dia após dia, ganham rugas de degradação ambiental.

7 de março de 2005

Direito e Cidadania

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O décimo nono número da Revista “Direito e Cidadania” coordenado pelo Jurisconsulto, Jorge Carlos Fonseca, é lançado hoje, na Biblioteca Nacional, na Praia. O evento que acontece às 18 horas vai ser marcado por uma conferência proferida pelo Jurista, Geraldo Almeida, cujo tema será “A responsabilidade do Estado por actos da Gestão Pública”.
A revista que, a cada lançamento, se reveste como mais um documento jurídico, sócio-político e criminal da vida nacional e internacional, conta, desta feita, maioritariamente com a participação de autores nacionais. Pode-se realçar as participações de Carlos Veiga com o tema “Cabral e a Constituição do Estado em Cabo Verde – Uma apreciação política” e de João Pinto Semedo com o tema “Crime de tráfico de estupefaciente.”
“Subsídio em torno dos direitos de Cidadania na Sociedade de Informação”, de Geraldo Almeida é outro assunto que, pela actualidade, pode ser de forte interesse.

5 de março de 2005

Vergonha Nacional

Example Esta semana tomei conhecimento de uma situação, no mínimo, chocante. A Associação dos Ganeses em Cabo Verde pretendia limpar as instalações e as imediações da Televisão de Cabo Verde para assinalar o 48º aniversário da independência do seu país – e assim aconteceu. A atitude desse grupo de emigrantes tem sido recorrente. Lembro-me, como se fosse hoje, quando tomaram a mesma iniciativa, em finais do ano passado, de limpar o Hospital Central da Praia e as suas imediações. Na altura, numa entrevista concedida à Comunicação Social, o presidente da referida Associação justificou o acto dizendo que esta é uma forma de mostrarem aos cabo-verdianos que estão dispostos a colaborar positivamente com o nosso país. Na ocasião tivera lugar alguns incidentes desagradáveis, cujas responsabilidades tendia-se a atribuir aos emigrantes da Costa Ocidental da África.

Houve, inclusive, uma manifestação de cidadãos dessa região da África, residentes em Cabo Verde, a exigirem melhores formas de tratamento por parte dos nacionais.
O representante dos ganeses, Tony Parker Danso, disse-me que esta campanha de limpeza é uma forma que encontraram para se aproximarem dos cabo-verdianos que “às vezes os concede tratamento diferenciado” dos demais estrangeiros aqui residentes.

Custa aceitar que nos dias de hoje um grupo de cidadãos estrangeiros se sinta obrigado a esforços a esse nível para provar a sua intenção. Pode-se pensar, como chegou a dizer-me um colega, que foram eles a se oferecerem ao trabalho. Concordo! Mas a questão que se impõe é o porquê dessa proposta. Porque são esses emigrantes negros e nunca brancos que se emprestam a esse acto (louvável, entretanto) para se afirmarem como pessoas de boa índole. Os brancos e nunca pretos têm um tratamento de topo no nosso país. A hora é de equilíbrio… os nossos emigrantes lá fora que o digam.

Num à parte, a título de convite, informar que manhã, Domingo, a referida associação, ainda no âmbito do aniversário da independência de Gana, promove, no Palácio da Cultura, na Cidade da Praia, uma exposição de artes e gastronomia, seguida de uma palestra subordinada ao tema “Gana, ontem e hoje”.

3 de março de 2005

“Morabeza Records é história”

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Nota: Morabeza Records é referenciada no jornal Le Monde como uma defensora da cultura cabo-verdiana num passado recente da nossa história… Tomamos a liberdade de fazer uma tradução livre da matéria feita por Patrick Labesse, enviado especial do jornal a partir destas ilhas.

Uma Guerra pela Identidade... é isso que defendia Djunga D'Biluca ao fundar Morabeza Records no ano de 1960, por outras motivações que não comerciais. Nascido em S.Vicente a 1929, Djunga D'Biluca emigrou para Dakar, seguido de Holanda, em 1958, onde chegou a ser coordenador do PAIGC, criado dois anos antes por Amílcar Cabral e outros filhos da Guiné e Cabo Verde engajados na luta contra o colonialismo.
"A ideia de Morabeza, surgiu da necessidade de restituir a identidade cultural cabo-verdiana e ajudar na sua divulgação na diáspora”, conta Djunga D'Biluca. “Amílcar Cabral dizia : Independência sem cultura não tem valor. A música deve ser uma arma”. E Morabeza foi uma forma de resistência cultural, um meio de «reafirmar a identidade do povo».
Aquando da independência, a maior parte dos países africanos foram libertos, pelo menos, na vertente cultural. No Senegal, por exemplo, vizinho de Cabo Verde, o presidente Senghor pediu em 1960 ao percussionista Doudou N'Diaye Rose que africanizasse o seu trabalho!
Na sua criação em 1965, Morabeza Records foi a expressão das reivindicações identitárias dos cabo-verdianos. Certos discos, para escapar à censura da PIDE, a polícia política portuguesa, circulavam às escondidas. O selo editou os dois primeiros tours da história da música cabo-verdiana (Caboverdeanos na Holanda e Os Verdeanos) e os álbuns de Voz de Cabo Verde, o primeiro grupo de músicos originários de Cabo Verde.
Morabeza Records assinou ainda as produções do angolano Bonga. Um irmão. Já que também foi exilado em Rotterdam e combateu para a independência do seu país. O cantor se apresentava como «um angolano que toca a música revolucionária de Angola.
Três anos após a independência, em 1978, a produtora afrouxou o ritmo das suas actividades. Djunga D'Biluca abre um consulado de Cabo Verde nos Países Baixos e se rende às suas novas funções diplomáticas até 1990.
A caminhada da Produtora se resume a 45 álbuns editados. "É uma história que deve continuar como começou e contribuir para o crescimento do património cultural nacional”, declarou Djunga D'Biluca. Ele confiou a chave desta pequena empresa ao seu sobrinho, Elísio Lopes.