30 de janeiro de 2006

À guisa de nota... ainda

O Jornal de Educação, Ciência e Cultura, Artiletra, completa, este ano, 15 anos, e o seu último número está muito interessante. O destaque vai para uma entrevista de Larissa Rodrigues com o poeta Oswaldo Osório, do seu nome próprio Osvaldo Alcântara, seguido de uma resenha de Arnaldo França, d´Os loucos poemas de amor e outras estações inacabadas, obra editada pelo Artiletra. A entrevista recorda a infância de Osório, no Mindelo, os seus desgostos, a sua ida a Portugal em 1957 para prestar o serviço militar. O regresso de Lisboa é também interessante… o seu gosto pelo desenho floresce nessa altura. O poeta que perdeu visão em 2004 está a finalizar, com a ajuda de sua filha, a jornalista Sandra Custódio, o seu romance “As Ilhas do Meio do Mundo”, depois de cinco livros de poesia já lançados.

Nesse primeiro número, deste ano, O Artiletra marca também os setenta e cinco anos da morte de Eugénio Tavares, com um texto de Aristides Lima e o primeiro acto do exercício dramático do bravense Artur Vieira, intitulado "Eugénio Tavares - palco de dor e amor".

Francisco Fragoso traz-nos, ainda, nesta edição, uma leitura interessante do Assomada Nocturna de José Luís Hopffer Almada.

Um porém, dentre outros, em relação ao Artiletra é a sua inconstância. Ninguém sabe quando sai… como a sua distribuição não é má de todo, nem tudo está perdido. Reparos à parte, o casal Larissa e Vadinho Rodrigues está de parabéns por conseguir tão invejada longevidade para uma publicação desse tipo. A mesma proeza não conseguiu a Editora Artiletra.

Beleza


"A mulher bela pressente-se pelo perfume, pelo andar, pela voz, não é preciso apalpar".

Oswaldo Osório em entrevista ao Artiletra

20 de janeiro de 2006

Notas soltas

Example

. Os cabo-verdianos vão a voto no Domingo para mais uma eleição legislativa, a quarta. Este tema não teria grande interesse para este blog, caso não fosse esta a razão da minha ausência. Falta pouco.


. Foi inaugurada, ontem, no Centro Cultural Francês uma mostra fotográfica de Abraão Vicente. Um jovem sociólogo que se tem aventurado, com um aparente à vontade na pintura e na fotografia. Dezenas de fotografias, a preto e branco, que retratam os vários momentos típicos da morte em Cabo Verde. Como se sabe, principalmente na Ilha de Santiago, a morte numa família ou numa zona muda a vida quotidiana de todos em volta. Os que não conhecem bem esta tradição, deviam dar uma passada no CFF até 4 de Fevereiro.


. O Prémio Orlando Pantera (revelação literária) deverá ser divulgado a qualquer momento pela Associação dos Escritores Cabo-verdianos. Numa reunião decidiu-se, ontem, quem será o vencedor nas categorias poesia e prosa, num grupo de mais de trinta propostas. Mas a qualidade dos trabalhos dos nossos jovens era tanta que se decidiu por três menções honrosas em cada categoria. Alguma ética instituída inibe a minha vontade de dizer o que penso de algumas das propostas surpreendentes.

15 de janeiro de 2006

Sobre a pintura


A pintura não é uma diversão. Resulta do intento de responder a uma espécie de provocação de um fenómeno. Resposta por conta e risco do pintor, reconhecendo de antemão que essa resposta não o satisfará inteiramente.

Resende

5 de janeiro de 2006

2 de janeiro de 2006

Novo Ano... continua o circular

Gilberto GilComeçou a circular o Expresso 2222
Que parte direto de Bonsucesso pra depois
Começou a circular o Expresso 2222
Da Central do Brasil
Que parte direto de Bonsucesso
Pra depois do ano 2000
Dizem que tem muita gente de agora
Se adiantando, partindo pra lá
Pra 2001 e 2 e tempo afora
Até onde essa estrada do tempo vai dar
Do tempo vai dar
Do tempo vai dar, menina, do tempo vai
Segundo quem já andou no Expresso
Lá pelo ano 2000 fica a tal
Estação final do percurso-vida
Na terra-mãe concebida
De vento, de fogo, de água e sal
De água e sal, de água e sal
Ô, menina, de água e sal
Dizem que parece o bonde do morro
Do Corcovado daqui
Só que não se pega e entra e senta e anda
O trilho é feito um brilho que não tem fim
Oi, que não tem fim
Que não tem fim
Ô, menina, que não tem fim
Nunca se chega no Cristo concreto
De matéria ou qualquer coisa real
Depois de 2001 e 2 e tempo afora
O Cristo é como quem foi visto subindo ao céu
Subindo ao céu
Num véu de nuvem brilhante subindo ao céu

Expresso 2222. Gilberto gil