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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2007

Até setembro

Este blog entra de férias com a sua dona. Retira-se temporariamente do seu convívio, convicto de que o universo gira em redondo. A tal circularidade que está na origem dos regressos todos. Voltamos.

A luz

(...)A farinha acumulou seu celeiro contigo
E cresceu incrementada pela idade venturosa,
Quando os cereais duplicaram o teu peito
Meu amor era o carvão trabalhando na terra.

Oh, pão tua fronte, pão tuas pernas, pão tua boca
Pão que devoro e nasce com luz cada manhã,
Bem-amada, bandeiras das fornadas,

Uma lição de sangue te concedeu o fogo,
De farinha aprendeste a ser sagrada
E do pão o idioma e o aroma.

Ilustração: Matisse
Poema: Neruda

Medo da escuridão

E sobre a conhecida máscara da arrogância de João Manuel Varela, misturada amiúde com rudeza, Corsino Fortes acredita que essa era, no fundo, a forma que o velho amigo «tinha de vencer a timidez». «O João era uma pessoa muito especial. Jovem, trabalhador na Drogaria do Leão, se o escuro chegasse sem ele estar em casa, nós (eu e o irmão Toi) tínhamos de ir buscá-lo porque ele não se atrevia a ir para casa sozinho. A escuridão era uma parte da vida dele, daí a sua poesia ter essa componente filosófica, ontológica...» Ler mais, aqui. Aqui também há mais:
Os blogs não ficaram de fora. Confira aqui e aqui.

momentum

Todos já foram de férias, e percebi neste enxuto e agradável blog, que descobri esses dias, a intenção do seu dono de acompanhar a “manada”. O calor aumenta, as visitas reciprocamente tornam-se mais escassas (concordo), cai-nos o ânimo, e de permeio (como diz o poeta) surge uma nuvem triste que anuncia uma manhã qualquer, e uma vida de pão novo. A incandescência dos dias perde o brilho, os desencontros se instalam (filhos que partem), e tudo berra… é chegado o momento de se retirar, desfazer-se do pano, incubar-se e deixar-se renovar pelo novo. Tudo em circularidade, porque o fim inexiste.
Em memória da Joyce …perpétua amiga e companheira dos astros.