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Mensagens

A mostrar mensagens de 2007

Dezembro

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.

poem: Carlos Drummond
Ilust: Pedro Pamplona

Partilho contigo - fleur de tendresse

Sem tempo

Tua música.
À volta, nada é,
os meus sentidos, todos,
pelo teu balanço agitam.

é da voz, dos sons, das flores, do cheiro,
da lembrança, da viagem, sem tempo.

Teu mar

A água
O brilho
O céu
E o azul do mar

A brava ilha perde nhô Mundinho

"As bandeiras em Cabo-Verde são festas seculares, e sobrevivem ao longo dos tempos por obra de gentes como nhô Mundinho. Clarimudo Ascenção nasceu na Ilha Brava, há 92 anos".

Assim começava uma reportagem televisiva assinada por mim no dia 24 de Junho de 2006, na Ilha Brava. Falava das figuras homenageadas pela edilidade, no âmbito das festividades de S. João, em que nhô Mundinho, ontem falecido, fazia parte.

Clarimundo Ascensão foi pedreiro, padeiro e pintor. À par disso, construiu tambores desde os 15 anos e pela vida dentro, e foi, sem dúvida, um dos personagens mais emblemáticos da bandeira de S.João, já que também os tocava.
Era o mais velho entre as duas últimas pessoas que ainda faziam tambores na ilha. Tambores que também entoavam as bandeiras da Brava e das outras ilhas. No ano da nossa conversa/entrevista, nhô Mundinho, ainda trabalhava por encomenda.

“Este ano já fiz sete. Mandei vender no Maio. Uma pessoa da Furna comprou-me uma. Faço tambores para crianças. Ainda te…

Teledramaturgia...

Acompanho com interesse as telenovelas brasileiras, por razões várias. Primeiro, porque são, de um certo prisma, as melhores do mundo. Também porque é uma das formas de acompanhar o pulsar da complexa realidade social do Brasil. As telenovelas, sobretudo, as da Globo permitem isso, ainda que delas tenha uma perspectiva crítica. A depender do realizador, do elenco e da tipologia (urbana, regional, época), vai variando o nível de interesse. Sem contar a minha paixão para ler o enredo e a trama. Acompanho, sim, as telenovelas com preocupações muito particulares e próprias, mas de forma despretensiosa.

Da actuação, não apenas nas telenovelas, tenho a mania de me atentar nos actores secundários e acredito que, quase sempre, são eles as chaves para os grandes enigmas. Depende muito do faro do director e do carisma do actor, claro está. É nessa óptica que queria destacar o brilhantismo na actuação da personagem Bento (foto) na telenovela Belíssima, interpretado por Nelson Xavier. Só agora, pa…

A clareza dos dias

De regresso à Terra da Claridade. Para trás, fica a Terra da Luz. A semana que passou ficou marcada por um exercício interessante nas relações entre Cabo Verde e Brasil, mais propriamente Cabo Verde e Ceará.
A Secretaria da Cultura do Ceará organizou, em parceria com a Embaixada de Cabo Verde no Brasil, um certame literário - Claridade na Terra da Luz - tendo como matriz uma feira de livros cabo-verdianos e uma série de palestras, bem como propostas videográficas, tudo girando em torno do Movimento da Claridade.
O Movimento Claridoso advém provavelmente da Revista Claridade, publicada em 1936, em torno de uma trindade intelectual - Baltazar Lopes da Silva, Manuel Lopes e Jorge Barbosa. Essa "verdade" é sabida por todos, mas na Terra da Luz todos estavam ansiosos por saber o que afinal liga essa gente ao Brasil.
Dentre as várias correntes de influência, convém aqui recordar que a literatura dos nordestinos do Brasil foi uma ideia-tipo, de ordem histórico-sociológica, para os int…

Silêncio...

Tu és rara, todas as vezes,
e o meu silêncio
é um olhar que passa,
porque finjo vazio
em todos os sentidos
e absurda é a noite.
As horas,
um amontoado de saudades,
minha idéia a encontrar-te
é como uma voz interior a ter-te.

Mas és irreal,
e o meu sonho, um sonho,
fundido com a minha angústia,
como uma tarde sem horizontes.
Minha ânsia,
um momento a querer-te entre os meus gestos,
no alheamento único dos meus poemas simples.


Em mim

As palavras do poeta, deste lado do outro. E a ausência do outro lado daqui.

Silêncio: Dimas Macedo - poeta cearence
Em mim: pura eu

Nada é igual

As minhas músicas não serão tão fundas quanto as tuas. Fiz o que pude, mas, estou certa, não consegui retribuir. Percorri tempos, lugares, indaguei, mas em parte alguma encontrei algo parecido.

A morte como ela é

Sete Palmos de Terra , emitida todos os domingos, pela TCV: é uma série (a primeira) arrepiante, mas essencial. A cada episódio, a trágica morte de um ser humano (homens, mulheres, jovens, até crianças), sempre igual e tão diferente entre si. Os familiares enlutados que procuram a casa mortuária.
Sempre o mesmo cenário psicológico: uma mãe/viúva irreversivelmente triste, dois filhos (agentes funerários) com seus dramas paralelos, uma filha adolescente, incompreendida e esquisita. A namorada do filho mais velho, que numa apenas aparente secundarização cénica, joga um papel de equilíbrio temático em cada história/episódio.

A vida é uma viagem para a morte, ou, pelo menos, deveria assim ser entendida. É esta a derradeira mensagem da série Sete Palmos de Terra. Esta é, pelo menos, a grande noção que apreendo, sempre em perspectiva, claro está, a cada episódio. O extremismo, a racionalidade, a loucura, o sexo, a desesperança e a sua antítese, são os ingredientes do viver que nos aproximam co…

Canção...

1.Canção da noite
sempre a mesma.
Outras hão de vir
aqui juntar-se
até do dia se tornarem.

2.Recordo na retina,
as palavras não ditas.

3.A Lembrança
que persegue e mata.

imagem daqui

Versos de Entreter-se

À vida falta uma parte
– seria o lado de fora –

Pra que se visse passar
ao mesmo tempo que passa

e no final fosse apenas
um tempo de que se acorda

não um sono sem resposta.
À vida falta uma porta.

Gullar

Badyo do mundo

Costumo lembrar a todos que escrevo sobre os encantos que as coisas me fazem. É aqui, e só aqui onde posso me dar ao luxo de assim agir. E é com esta subida emoção que falo do CD Badyo do músico, Mário Lúcio. Sem me ater a uma música em particular, e muito menos, ao separatismo arranjista do CD, discorro sobre o universo recriado pelos sons do Mário Lúcio.

Partimos de Santiago, com o badio escravizado que resiste e se afirma no mundo das Antilhas, do Brasil, em suma das Américas de todos nós. A trajectória desse badiu di Santiago atravessa mares e culturas, faz-se de outras costelas, e se mostra como um homem novo.

Mário Lúcio diz-nos e mostra-nos tudo isso numa fileira de 16 composições, que contou com participações de músicos diversos (entenda-se também etnias sonoras múltiplas): o balafon de Ali Keita (Mali), o Bandonéon de Mariza Mercadet(Argentina), o baixo e contrabaixo de Thierry Fanfat(Guadalupe)… Do lado de cá estão os dedos de Chico Serra, Duka, Lela Violão, Houss…

Badyo é tamb…

Retalhos do tempo

1. Creio ter já escrito neste blog o meu fascínio pelas tardes. Não propriamente todas, mas principalmente aquelas que me fazem recordar aquele momento único, o entardecer em S. Filipe. A tarde que me pressentia entre a serenidade e a traquinice, entre a tristeza e a alegria. Curiosamente, nunca mais a senti igual. Mas prossigo na busca dessa leveza de outrora. Com esperança…

2. Sou uma mulher de poucos amores (devo ter dito uma blasfémia, mas é a pura verdade). Uma das pessoas que amo de coração completou esta semana 104 anos. Ela é minha madrinha, provavelmente a mulher mais velha de S. Filipe. Um monumento da Cidade. Felismina Mendes é o nome dessa madre, mais conhecida por Nha Filó, a dona de todas as estórias. É ainda lúcida. Mas lembra de cor algumas estórias, que de tanto repeti-las, podem nos induzir ao erro. É do encanto, apenas. A proeza de ter cruzado décadas feitas de tudo.
Ela cultiva uma relação especial com a televisão. As telenovelas, os filmes, o noticiário encantam-na.…

Eternidade...

Deveríamos sempre oferecer música aos amigos. Seria uma forma de continuarmos a sê-lo. Um meio de marcar o tempo, as circunstâncias, as horas, e os ventos. E não só de momentos ternos se se cogita; alguns, com o lapidar da vida, são tristes, duros... mas eternos...

Ao amigo (que me lê)

Na nossa amizade o silêncio é um vazio preenchido. Serena, tal como o abraço testemunho dos dias. A noite é mais veloz nos trópicos, já dizia o poeta. Para não mais falarmos do tempo.

Palavras

Tenho algumas, e são minhas, principalmente aquelas que me destes; nos livros, nos discos... em mim. Outras, perderam-se no tempo que não mais temos.

Em busca de um outro cinema

No momento em que se debate o futuro do cinema, dominado hoje pela forma, creio ser pertinente dar a conhecer uma experiência do cinema preocupada com questões espirituais desafiadoras do homem contemporâneo. Refiro-me ao Festival Internacional de Cinema de Alba, nascido em 2002 com o nome Infinity Festival. O certame deste ano contou com a especial presença do Realizador americano Sydney Pollack. The Swimmer (com Burt Lancaster) 1968, The Firm (com Tom Cruise) 1993, Sabrina (com Harrison Ford) 1995, e The Interpreter (com Nicole Kidman) são alguns dos filmes de Pollack que cruzaram e marcaram épocas, dentre dezenas, presentes no evento deste ano. Este festival é temático e, em 2007, os debates giraram à volta do "medo". O medo que sentimos nas nossas vidas, no contacto com o outro, em relação à economia, ao ambiente, à crise energética, etc.
O Festival Internacional de Cinema Alba dialoga, através de valores, com a pintura, a fotografia, a literatura, a música e a filosofia.…

Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera:
outra parte delira.

Uma parte de mim almoça e janta:
outra parte se espanta.

Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte –
Será arte?

Gullar em mim

Sei que me repito. A matéria da matéria é inalienável, e pouco ou nada muda, dependendo do ínfimo dos ventos. Na permanência da dor, procuro os meus, entre a vida e a morte, onde tu estás...

Traduzir-se (poema de Ferreira Gullar-foto-)
Gullar em mim (a minha declaração de amor)

Cinema, Geo traffic...

Depois da morte do sueco Ingman Bergman(foto), e do italiano Michelangelo Antonioni, associada a outras perdas na sétima arte, instalou-se o debate sobre o futuro do cinema. A arena tem estado aberta a prognósticos: o futuro, os essenciais, quem serão os futuros Buñuel, Bergman, Hitchcock e Godard do cinema? A última edição da revista brasileira Bravo! Aposta em 10 nomes, tendo David Lynch à cabeça. Quentin Tarantino e Pedro Almodôvar fazem parte dessa lista, sendo a argentina Lucrécia Martel (com apenas duas longas) a única mulher do grupo. Um dos fóruns a estender esse debate é a 31ª Mostra Internacional de Cinema em S. Paulo – 19 a 1º de Novembro com 300 filmes em cartaz.

Entre nós

O primeiro e único filme de ficção rodado em Cabo-Verde com a total presença de actores cabo-verdianos e realizado por uma cabo-verdiana tem suscitado debates, e dividido opiniões. As opiniões têm movido por terrenos estéticos, em torno da pertinência do argumento, e um pouco da qualidade narrativa. A actu…

Tcheka lança Lonji

Depois de Argui, e Nu Monda, Tcheka lança Lonji, o terceiro disco de uma carreira de cinco anos. Um trabalho marcadamente acústico, de voz, percussão e guitarra que nos transporta a paisagens reais. Realidades matizadas, recortadas por Tcheka, através de um lirismo poético original. São 14 temas, todos compostos por Tcheka que deixam a nu vivências. Como a faixa Primeru Bes Kin ba Cinema, por exemplo. Lirismo que nos remete à infância deste músico, nascido na Ribeira da Barca.
Lonji foi produzido inteiramente pelo nomeado nome do rock acústico brasileiro, Lenine. De recordar que em Novembro de 2005 noticiamos aqui o encontro desse músico com o Tcheka.
A aposta de Lenine neste artista, que além de produzir Lonji, meteu voz na música Telemóvel, atesta o prestígio de Tcheka fora de Cabo Verde.
Lonji foi gravado em estúdios brasileiros de prestígio como Nas Nuvens e Toca do Bandido, e contou com a participação de nomes sonantes da música desse pais.

Assine esta petição

Um artista da Costa Rica, Guillermo Habacuc Vargas, expôs um cão vadio faminto numa galeria de arte. Ninguém o alimentou ou lhe deu água e morreu durante a exposição. Guillermo Habacuc Vargas foi o artista escolhido para representar o seu país na "Bienal Centroamericana Honduras 2008". Existe uma petição onde é pedido que ele não receba este prémio. Por favor acesse esta página e assine a petição preenchendo o seu nome, e-mail, localidade e país. Acesse também um dos links onde esta história pode ser lida.

Um e-mail assinado por Filipe Moreira da Culturgest.pt

Slow Food em Santo Antão

Há uns tempos, albatrozberdiano fez um post sobre a associação internacional Slow Food, fundada em 1986. No ano passado fiz uma nota sobre o mesmo assunto. O movimento cujas raízes estão em Roma, congrega cerca de 100.000 pessoas no seu seio, e está presente em 104 países e nos cinco continentes. Promove a educação do gosto, luta pela preservação da biodiversidade agrícola, organiza manifestações, publica livros, revistas, e como o próprio nome indicia combate o Fast Food.
Em África, a Slow Food está presente em seis países, e acaba de chegar a Cabo Verde. Um dos seus objectivos é apoiar pequenos agricultores na preservação da produção artesanal de qualidade, garantindo, ao mesmo tempo, o futuro da comunidade local.
O queijo de cabra produzido no planalto da Bolona, em Santo Antão, vai ser o primeiro convivium (expressão da filosofia da associação) da Slow Food em Cabo Verde. Bolona é uma área montanhosa e árida; os queijos são produzidos com técnicas artesanais (com o mínimo de água po…

Medusa

Tangibilidades

O mesmo cão peludo jogado a seus pés e aquele menino eterno que lhe pertence. A semana que começa quase sempre igual: melancólica, flutuante, intrigante, sem incisão. Diferente é a poesia, a música, e (l´amore ci cambia la vita): são sempre outros. Os caminhos também são novos, difinem-se sob perspectivas surpreendentes, fugindo da contramão. Uma vida normal... e propriamente especial.

Melancolia

Estado de alma (também físico) que nos deixa pouco actuantes, imobilizantes, aparentemente tristes, e nada espontâneos. Doce a melancolia que da saudade vive.

Uma viagem espiritual

Um outro texto que ontem escrevi sobre este mesmo assunto, para um público diferente, leva, entretanto, o mesmo título, por razões que espero venha o leitor apreender.
O primeiro contacto, o primeiro choque: Centro missionário dos Capuchinhos na Cidade de Fossano, Itália. Pessoas, entre missionários e profissionais, que trabalham exclusivamente para Cabo Verde. Fazem tudo para manter dezenas de Jardins de Infância criados e patrocinados pelos Padres Capuchinhos. A falta de medicamentos, ou a avaria dos equipamentos no Hospital São Francisco, na cidade de São Filipe, na ilha do Fogo, mobiliza de imediato a equipa que empreende esforços faraónicos para solucionar os problemas. O trabalho periódico e voluntário dos médicos especializados para esse centro hospitalar, fundamental para a região Fogo e Brava, é outra ocupação dessa equipa que trabalha por Cabo Verde, sem falar das dezenas de jovens a especializarem-se e a formarem-se nas Universidades Italianas a cargo desse secretariado. A v…

Intangibilidades

1.
Repetidas vezes, em situações indefinidas, pensei em mudar de blog e trilhar novos caminhos no universo virtual, mas, quase sempre, dei conta das possibilidades de abordagens temáticas que este blog me permite, devido ao seu lato nome. Uma simplicidade que atravessa as minhas expressões mais existênciais, mas nem por isso se demite do circulo mais ao largo. Aqui já escrevi sobre tudo. Marcadamente sobre as minhas paixões: o jornalismo, a imagem, a poesia, a História, as estórias, a música, o cinema, a literatura, a minha ilha, o meu arquipélago e Salvador da Bahia. Nos próximos dias escreverei mais sobre o turismo e o ambiente. Primeiramente, por razões profissionais, mas também por uma necessidade imperativa de continuar a olhar e a tematizar as pequenas coisas. Penso igualmente levar estes momentos para outros espaços, falar para outros leitores, pensar em novos ângulos, com a condição de continuarem a ser apenas simples momentos.
2.
Durante uma semana, não garanto a minha presença …

As cores da minha terra

Terminou no final da semana passada o IIIº EITU (Encontro Internacional do Turismo), ocorrido na Ilha do Sal. Foram três dias de importantes reflexões sobre temas muito pertinentes, organizados pela UNOTUR (União nacional do operadores turisticos). O painel “Imobiliária Turística e Aquitectura em Cabo Verde”, da autoria do arquitecto Luis Carvalho foi a exposição que mais me tocou, e pensei, cá dentro, quão bom seria para Cabo Verde se tivéssemos muitos outros arquitectos com a sensibilidade desse filho de caboverdeanos nascido em Cabinda.
Muito perspicaz, o arquitecto começou a sua explananação com um trecho poético de Jorge Barbosa, para no final concluir, em analogia, que efectivamente andamos perdidos neste arquipélago. Retive da sua comunicação que toda a abordagem do espaço é complexa, porque atenta aos múltiplos elementos que o compõe: as pessoas e o seu modo de vida, as cores da terra, os ventos, o clima, os sorrisos, ou seja, qualquer intervenção a esse nível demanda uma arroj…

O ambiente, o turismo e a melodia

1.Praia Baixo, zona balnear situada a uma distância de 30 minutos da Cidade da Praia, vai ter “Casa do Mar”. Projecta-se para o espaço um centro de educação ambiental, para os formadores, virado para as tartarugas marinhas. Esse “laboratório vivo” será inaugurado em Abril do próximo ano, e todas as condições para isso já estão criadas. Projecto aprovado, financiamento garantido, parcerias, inclusive com o Oceanário de Lisboa. O professor da Universidade do Algarve, Nuno Loureiro, é o mentor desse projecto que nasceu no âmbito da geminação existente entre a Câmara Municipal de S. Domingos e o Município de Lagoas do Algarve. A ideia, segundo o professor, é criar riquezas endógenas, através de um turismo ecológico, e ao mesmo tempo contribuir para a consciencialização das populações face às ameaças ambientais, nomeadamente a protecção das tartarugas marinhas. Esse mesmo projecto abarca Achada Baleia, outra praia de desova das tartarugas na Ilha de Santiago. Nesse sítio, menos visitado pe…

A emigração e o frio

1. Creio que devemos fazer notar com preocupação as notícias que ontem deram conta do cerco que a Europa tem, vergonhosamente, fechado aos emigrantes. Desde criancinha que aprendemos, uníssono, a dizer que os cabo-verdianos, entenda-se pobres, saem para fora à procura de uma vida melhor. Portugal vai restringir-se à entrada de imigrantes com curso médio ou superior. França só admite poliglotas, ou seja o imigrante que, além da sua língua, domine o francês, além de criar barreiras ao agrupamento familiar. Será, certamente, mais comedido fechar os serviços consulares de visto, em vez de estar a zombar com a dignidade alheia.
A preocupação redobra quando um país de emigrantes (com e sem documentos), e, recorde-se, aberto ao mundo, queda em silêncio, e segue prestando colaboração no que se convencionou chamar “emigração ilegal”.

2. No rádio Djavan nos remete ao frio que vem lá do sul....

N dour, Bergman e a minha canção

1.Yossou N dour actuou no Festival de Santa Maria, na Ilha do Sal, e regressou, ontem à noite, ao Senegal, depois de uma paragem de algumas horas na Capital. É a terceira vez que esse músico senegalês actua em Cabo Verde. A primeira foi no Club Naútico, em 1999, e a segunda no Fesquintal, Festival de Jazz, em 2002. Les super étoiles (a banda) disseram que no Sal foi tudo magnifique. No nosso segundo espectáculo chovia, lembra? E haveria de esquecer esse dia memorável! Perguntam se se conhece por cá o seu Live à Bercy, DVD gravado em 2005, em França, num espectáculo inesquecível. Claro, passa na TCV.
Poderia escrever, concretamene, sobre a forma nada apoteótica como conseguimos receber um dos artistas mais nomeados da actual arena musical africana. Mas não…
Youssou N dour começou na música em 1978, ao lado do exímio percussionista Babacar Faye, que continua com ele até hoje. Faye, além de percussionista, é o responsável pela animação dos momentos que intercalam os espectáculos. Yossou N´…

Para além do trivial

Este texto dá-nos conta de uma parceria firmada entre a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) do Brasil. A notícia que era do meu conhecimento foi reforçada, em pormenor, com um e-mail cheio de saudades do Adenor Gondim. Para além de um post informativo, quero selar o meu contentamento por mais esta conquista da Uni-CV. Sem conotação alguma, como cantava o grande Cazuza.

Música, artes plásticas e dança vão ser as áreas privilegiadas da parceria entre a Uni-CV e a UFBA. Para além da Instituição, está Salvador da Bahia: a cidade mais negra fora da África, e tida como o elo que liga o Brasil ao Continente negro. Um espaço místico que, pelas suas especificidades históricas e culturais, funcionou sempre como uma espécie de convexo para as várias artes, a investigação, e outras experimentações.

A terra que deu ao mundo Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Amado, Caribé (ilustração), Mãe Minininha, Dorival Caymmi, Gal Costa e muitos outros. A terra que pel…

Porto Madeira 2008

No próximo ano vai acontecer em Porto – Madeira, no Concelho de Santa Cruz, Ilha de Santiago, um mega encontro de arte. O projecto começou a ganhar corpo há um mês quando a artista plástica Misá organizou uma exposição de arte, inédita, na Cidade da Praia. Nesse evento, foi exposta uma diversidade de quadros, livros, fotografias, esculturas e discos, de vários pontos do mundo, à escolha dos participantes e amantes de arte. Ou seja, aqueles que aderiram ao projecto, levaram para as suas casas um objecto, que depois de uma semana deveria seguir para as mãos de um amigo em qualquer ponto do globo. O receptor da peça deve ser uma pessoa com sensibilidade e disponibilidade, de modo a não quebrar a corrente. O que quer dizer que todas as pessoas que recebem o objecto/arte devem proceder do mesmo modo. Neste blog os participantes devem deixar a sua opinião sobre o projecto, descrever o trajecto da peça, e deixar impressões outras. Depois de correr o mundo, a peça deve voltar a Porto Madeira …

A diluição do mercado

É no mínimo intrigante aquela publicidade da margarina Planta emitida diariamente na nossa TV pública. O leitor já viu? Uma família não cabo-verdiana a tomar o seu pequeno-almoço, com um ar de satisfação. Outra incompreensão é a voz off, anunciando a certificação do produto “nacional”, pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.
O título acima foi a expressão encontrada para sintetizar esse quadro: um nonsense e puro descarte da inteligência dos consumidores. Se o spot, que em momento algum se refere ao mercado cabo-verdiano, contribui para a venda do produto, então algo está errado entre nós. O normal seria associar o produto a uma imagem nacional. Vejamos o exemplo da Coca-Cola. E caso a margarina Planta tenha escoamento no nosso mercado, sem o efeito da publicidade, que se prescinda dessa bizantinice.
Um cereal de marca Nacional é igualmente deste modo propagandeado nas nossas telas como sendo um “produto nacional”.
Falta de respeito e de atitude das partes envolvidas, re…

Exvanere

O verde e o azul
O castanho de permeio
E o que esvai

Grace Évora – full of grace

A imagem de um artista constrói-se num percurso e emerge num puzzle onde cada peça conta muito. Em primeiro lugar está a música, que pode ser boa ou má, ou simplesmente agradável, quando o artista não almeja mais do que isso. É nesse bojo médio e soft que se enquadra, dentro da música nacional, um artista como Grace Évora, por exemplo. Não se vislumbram nele outras ambições, que não a de agradar o vasto público com a sua música e, de olhos postos nessa meta, consegue, e muito bem, o seu tento. Grace, nome artístico, surgido de Gracindo é um filho de Salamansa, zona pescatória e pobre de S.Vicente. Na Holanda, fez-se músico, primeiro na bateria, depois com a voz no grupo Livity. Após a desintegração da banda (ora reerguida), Grace continuou activo na música com o grupo Splash e uma carreira a sólo. À par da música que sobrevive à merce do subjectivismo daqueles que a consomem, é nossa intenção realçar a imagem construída de Grace. Um indivíduo discreto, de gostos sóbrios, fala mansa, e…

A Família, o Renascimento, e o Poder

Ouvir falar de Mário Puzo - 1920 -1999 (foto), conduz invariavelmente ao Padrinho (a saga da família Corleone), romance, adaptado ao cinema pelo realizador, Francis Capola. A abordagem da máfia italiana é retomada no último livro desse americano de origem italiana, A Família. Uma obra que narra a vida da lendária família Borgia, mais centradamente do cardeal Rodrigo Bórgia (Papa Alexandre VI). Um livro fausto e perturbante sobre os primórdios da máfia na Itália. Puzo, valendo-se do seu conhecimento da Itália profunda e da história (em colaboração com o historiador Bert Fields) e de um árduo trabalho de elaboração, deixa para a posteridade “um livro fundamental”. Em plena peste negra na Europa do Séc. XIV, com a população a ser dizimada, os homens começam a perder esperança no poder celestial e depositam a sua confiança no imediatismo terreno. Pertencer à igreja católica romana não era necessariamente sinónimo de profecia de fé e temor a Deus. Era um meio de exercer o poder, para o qua…

Até setembro

Este blog entra de férias com a sua dona. Retira-se temporariamente do seu convívio, convicto de que o universo gira em redondo. A tal circularidade que está na origem dos regressos todos. Voltamos.

A luz

(...)A farinha acumulou seu celeiro contigo
E cresceu incrementada pela idade venturosa,
Quando os cereais duplicaram o teu peito
Meu amor era o carvão trabalhando na terra.

Oh, pão tua fronte, pão tuas pernas, pão tua boca
Pão que devoro e nasce com luz cada manhã,
Bem-amada, bandeiras das fornadas,

Uma lição de sangue te concedeu o fogo,
De farinha aprendeste a ser sagrada
E do pão o idioma e o aroma.

Ilustração: Matisse
Poema: Neruda

Medo da escuridão

E sobre a conhecida máscara da arrogância de João Manuel Varela, misturada amiúde com rudeza, Corsino Fortes acredita que essa era, no fundo, a forma que o velho amigo «tinha de vencer a timidez». «O João era uma pessoa muito especial. Jovem, trabalhador na Drogaria do Leão, se o escuro chegasse sem ele estar em casa, nós (eu e o irmão Toi) tínhamos de ir buscá-lo porque ele não se atrevia a ir para casa sozinho. A escuridão era uma parte da vida dele, daí a sua poesia ter essa componente filosófica, ontológica...» Ler mais, aqui. Aqui também há mais:
Os blogs não ficaram de fora. Confira aqui e aqui.

momentum

Todos já foram de férias, e percebi neste enxuto e agradável blog, que descobri esses dias, a intenção do seu dono de acompanhar a “manada”. O calor aumenta, as visitas reciprocamente tornam-se mais escassas (concordo), cai-nos o ânimo, e de permeio (como diz o poeta) surge uma nuvem triste que anuncia uma manhã qualquer, e uma vida de pão novo. A incandescência dos dias perde o brilho, os desencontros se instalam (filhos que partem), e tudo berra… é chegado o momento de se retirar, desfazer-se do pano, incubar-se e deixar-se renovar pelo novo. Tudo em circularidade, porque o fim inexiste.
Em memória da Joyce …perpétua amiga e companheira dos astros.

A crítica ao lócus claridoso

O Movimento Claridoso, que tanto paradigma marcou à Cultura Cabo-verdiana, em geral, e às letras das ilhas, em particular, gerou cedo críticas ao seu fundamento, embora o seu retrato aparente paire até hoje no imaginário dos cabo-verdianos.

Em 1951, Manuel Duarte criticou a Claridade, mais tarde, Amílcar Cabral (foto) analisou a obra dos Claridosos também numa perspectiva crítica. Há uma matriz nas críticas desses intelectuais. Todas elas têm a ver com o facto de que os Claridosos não teriam tido um pensamento agente, transformador da realidade política vigente. As entrelinhas dos críticos afirmam que os Claridosos não tiveram engajamento político. O texto “Consciencialização na Literatura Cabo-verdiana” de Onésimo Silveira marcou este momento dialéctico.

Mais recentemente, académicos como José Carlos Gomes dos Anjos e Gabriel Fernandes analisaram nas suas obras, sob perspectivas críticas e novas, o momento claridoso no debate da cabo-verdianidade.

Conheça as posições desses intelectuai…

A reinvenção funciona?

Porque é que uma nação se volta ao passado para reinventar um futuro? Quem fala em nações, poderia falar de uma pessoa, ou até de uma banda musical. Há dias, numa entrevista ao sociólogo José Carlos Gomes dos Anjos, este respondia que "todas as nações fazem isso", reinventam passados de acordo com os seus interesses em presença e projectam o futuro. A conversa girava em torno da Claridade. Porque é que a elite política/intelectual que elaborou as primeiras críticas contra a Claridade, vem hoje proceder à sua sacralização? Serão interesses estratégicos, políticos, e económicos, entre outros, a motivar certas posições...

Desse nicho a outro, assistimos, em outros moldes, a uma outra reinvenção: o regresso do grupo musical Livity. Lembremo-nos que nenhum livro ou brochura sobre a música de Cabo Verde, dos inícios dos anos 90 a esta parte, se furtou de uma referência, ainda que fugaz, a essa banda. Marcou uma época, pela experimentação (estilização, fusão rítmica, influências ass…

O equilíbrio...

“Há males que vêm por bem” é uma expressão corriqueira e muito fechada. Diz muito! O facto é que todos somos resistentes a ela e fugimos incessantemente dos seus tentáculos. Só depois da tempestade, bem depois, é que nos quedamos perante essa máxima. A vida comprova que os bens que vêm depois dos males têm um sabor especial, e é normalmente nessas experiências que paramos para pensar nos instantes, nos silêncios, e nos actos que nos fazem.
Essa máxima sintetiza a dialéctica circular da existência humana, e obriga-nos a reflectir sobre o real significado da palavra fim. Na verdade, reinventamo-nos a cada instante, e criamos o nosso próprio casulo com os erros e acertos que cometemos enquanto seres humanos falíveis, fracos, dependentes, carentes, tristes, e outras vezes fortes, maus, prepotentes, arrogantes e bestas. Há quem consiga o equilíbrio…
Melody Quero cantar a tua canção/Until the end. Saber-teMuitas vezes me surpreendo querendo viver outras vidas. Gosto de me colocar no lugar dos…

a place for us

AQUI está o pão, o vinho, a mesa, a morada:
o ofício do homem, a mulher e a vida:
a este lugar corria a paz vertiginosa,
por esta luz ardeu a comum queimadura. poem: Neruda

Gullar (ainda)

Jean d´Ormesson , citando Paul Valérie, disse, numa recente entrevista, que o escritor é motivado pela morte, e o jornalista tem na vida o seu motor. Essa afirmação levou-me de imediato aos poemas de Ferreira Gullar. O poeta que reinventa a morte.
Admiro a forma cerebral e natural como ele encara o sopro final à vida. Os poemas de Gullar saboreiam, em concreto, a vida, e cultivam intimidades com a morte. A sua abordagem do espaço, e de instantes é algo de conclusivo. Encanta-me de forma sublime o seu enquadramento da eternidade... nesse particular é emblemático como ele revisita incessantemente a atemporalidade da fotografia, enquanto registo, ou sujeito infinito.
Sente-se ainda nos poemas de Gullar alguma paixão frutal, às podres, inclusive. Amigos morrem/ as ruas morrem/ as casas morrem./ Os homens se amparam em retratos./ Ou no coração dos outros homens./ **Trecho do Improviso ordinário sobre a Cidade Maravilhosa (Rio)

Despedida

Eu deixarei o mundo com fúria.
Não importa o que aparentemente aconteça,
se docemente me retiro.

De fato
nesse momento
estarão de mim se arrebentando
Raízes tão fundas
quanto esses céus brasileiros.
Num alarido de gente e ventania
olhos que amei
rostos amigos tardes e verões vividos
estarão gritando a meus ouvidos
para que eu fique
para que eu fique

Não chorarei.
Não há soluço maior que despedir-se da vida. Com esse poema final de Ferreira Gullar, Os momentos sela o seu profundo pesar pelas vítimas do acidente aéreo ocorrido, ontem à noite, em S.Paulo, Brasil. Morreram 170 passageiros e outros trabalhadores do prédio da Companhia aérea TAM, em que embateu o avião. imagem: Sadness, Picasso

(Mal)dita Morabeza

Nunca paramos para pensar no simbolismo da palavra morabeza, o termo que, para muitos, caracteriza o modo de ser dos homens e mulheres destas ilhas. O certo é que sempre fugimos de aprofundar a semântica dessa expressão. Sem esforço suplementar, vê-se (lê-se) no cabo-verdiano morabi (uma expressão muito usada na Brava…será da morabeza?) um ser cordial, manso; um povo hospitaleiro e tudo o mais. Lá isso sempre fomos, se se reparar no modo aberto e doce como lidamos com os Europeus que nos visitam. Sim, porque com os nossos irmãos da Costa Ocidental Africana não somos tão morabis assim!... Numa sondagem, daremos conta que esses homens e mulheres do continente, ao contrário dos turistas do Norte, não nos acham morabis.
Não nos compete aqui avaliar, ou julgar a morabeza cabo-verdiana, mas sim demonstrar a sua inconstância e contextualizar a sua invenção. A duplicidade a que nos referimos comprova, apenas, que essa condição de morabi dos cabo-verdianos é uma construção até certo ponto mític…

Gabo para os amigos

Gabo é o nominho de Gabriel García Márquez, o autor de Cem anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera e outras nomeadas. Num jantar com amigos e familiares, recebeu uma repórter da revista brasileira Caros Amigos para uma conversa, o que foi considerada pela publicação nada mais, nada menos do que um furo fantástico. E é, de facto, se lembrarmos que o Prémio Nobel da literatura de 1982 não tem dado entrevistas faz tempo. A conversa aconteceu em Cartagena de Índias, Colômbia, cidade onde García Márques nascera há 80 anos, e não pisara há anos. Transcrevo em baixo umas linhas cheias de encanto da entrevista que García Márques concedeu à jornalista Ana Luiza Moulatlet (Foto).

Respeito sacramental

"(…) Foi um momento único. Afinal de contas, Gabo nem mais telefone quer atender. A única pessoa com quem ainda fala na linha é Mercedes, sua esposa, com quem vive no México. E porque Gabo está de volta? Quem responde primeiro é seu velho amigo Bernardo Hoyos, único a quem ele dedica, entre…

Pontes em mim... o que junta

Tenho uma disposição particular para momentos e atitudes que emergem de encontros. Nesse bojo entram as artes, nas suas múltiplas manifestações, a cultura, em si como matriz identitária, e outras confluências.
Neste momento, percebe-se que a música de Cabo Verde tem sido a variante mais utilizada para a universalização da "coisa" cabo-verdiana. O disco Das Ilhas Mestiças do bandolinista brasileiro Rodrigo Lessa, é exemplo disso. São treze sons musicados num espírito eminentemente marítimo, porque nos transporta de Cabo Verde, mais precisamente do Calango Mindelo (a primeira faixa do disco) para o Brasil, de onde seguimos viagem para Cuba e Caribe.
No disco, Lessa legitima esse diálogo cultural com motivos históricos que, como sabemos, fazem de nós “seres atlânticos”. Um mundo com suas "afinidades e diferenças".
O disco contou com a participação dos cabo-verdianos Toy Vieira e Vaiss. A brisa caribenha do disco surge do trompetista cubano Júlio Padron. E nunca é demais …

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945

Casas do Sol

Este empreendimento turístico, à semelhança das construções tradicionais cabo-verdianas, fica em S.Filipe-Fogo, anexo ao Centro Sócio Sanitário S.Francisco, numa zona chamada Cutelo de açúcar, onde decorriam, num passado recente, as corridas de cavalo durante a Bandeira de S.Filipe. Quem não vai ao Fogo, há muito tempo, não consegue imaginar o paraíso erguido naquele chão, sem falar dos serviços médicos e das acções solidárias ali desenvolvidas…
Casas do Sol, sobranceiro a um extenso e envolvente mar, inaugura o turismo solidário na Ilha. É um dos projectos da Associação Solidária para o Desenvolvimento (ASD), apadrinhado pelos Padres Capuchinhos, criado para dar sustentabilidade ao Centro sócio – sanitário S.Francisco.
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