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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2010

Horace Silver é patrono do Kriol Jazz Festival

Horace Silver nasceu em 1928 com o nome Horace Ward Martin Tavares Silva. É pianista e compositor, fundador do hard-bop e galardoado em 2005 com o Grammy Awards. António Correia e Silva num programa de televisão em 2005, falava da necessidade premente de Horace Silver ser homenageado pelo estado de Cabo Verde. Uma homenagem que também será de um tempo histórico ligado à pesca da baleia. Isso, porque Já à volta de 1780, muitos barcos, oriundos de New Bedford e de Nantukect, portos baleeiros dos EUA, começaram a escalar com regularidade as ilhas de Cabo Verde, e, em particular, a ilha do Maio, onde se abasteciam e engajavam tripulantes, dando início à imigração cabo-verdiana para os EUA. Foi desta forma que o pai de Horace Silver viajou para os Estados Unidos.

Silver apesar da distância (muito fisica, já que nunca esteve em Cabo Verde) e da sua agenda determinada pelo showbizz, não perdeu a ligação à ilha e aos seus ascendentes, como afirmam as suas composições The Capeverdean Blues e So…

Vasco Martins arranca Kriol Jazz Festival

A anteceder os dois dias da segunda edição do Kriol Jazz Festivall, um concerto de piano com Vasco Martins será realizado no Centro Cultural Português, dia 8, às 20H.

A 9 e 10 de Abril de 2010, a praça António Lereno no Plateau receberá um leque diversificado de artistas, (Vasco Martins, Kora Jazz Trio, René Lacaille, Ralph Thamar Mario Canonge, Kim Alves, Manhattan Transfer, Jaques Morelenbaum & Cell...Tumi & the Volume, Princezito) equilibrando as participações nacionais e estrangeiras, cujas actuações não deixarão ninguém indiferente, pela sua qualidade incontestável.
Cada dia de festival começa com a actuação de um artista cabo-verdiano e continua noite adentro com os convidados estrangeiros. Ver site: www.krioljazzfestival.com. Ao se focalizar nessa referência internacional que é o Jazz, este projecto propõe criar um reencontro cultural baseado na crioulidade.
Paralelamente, haverá uma série de workshops com artistas, com o intuito de promover encontros entre os artistas nac…

SUBVERSIVA

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

Ferreira Gullar

Rio e rio...

O debate sobre o pacote legislativo relativo à comunicação social dominou o parlamento esta semana.
Habituados que estamos à falta de consenso entre o MPD e o PAICV, creio que poucos se deram ao trabalho de perceber quais são as novidades desse pacote, e os pontos de desentendimento entre as duas bancadas, particularmente no que tange às novas preocupações do executivo no quadro dos media.

Introduziu-se um item no rol das funções da comunicação social denominado de função social e económica com o argumento de que “existe um sentimento generalizado de que a comunicação social está à margem do desenvolvimento…” e que “no estado actual de desenvolvimento nacional esta função deve ser enaltecida”. Ou seja, “A comunicação social tem que ter um papel activo na vigilância da qualidade dos serviços que o País presta, incentivando e até premiando boas práticas nesta matéria, mas também, criticando e censurando as más práticas.”
Tudo isso consta na exposição de motivos da lei que regula o exercíci…

Poesia segundo Neruda

Há uma passagem do discurso proferido por Pablo Neruda quando recebeu o Prémio Nobel que particularmente me agita a alma: e como caminhamos para o dia da poesia, nada melhor do que partilhá-la:

"Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: à comunicação do que somos. E é necessário atravessar a solidão e aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico em que podemos dançar com hesitação ou cantar com melancolia, mas nessa dança ou nessa canção acham-se consumados os mais antigos ritos da consciência; da consciência de serem homens e de acreditarem num destino comum."

intermezzo existencial

Sempre apreciei a máxima de Voltaire "ama a verdade e perdoa o erro"...

ainda que navegue por mares conturbados...
ainda que caminhe entre pedras,
e contorne íngremes montanhas,
ainda que caia…
vou continuar
sempre
a acreditar
que o choque da verdade
é menos sofrível do que
a chaga da mentira.

Perdemos o missionário

*Aprecio o silêncio de certas ilhas, como de S.Nicolau e da Brava, e é precisamente nesses lugares onde, por razões pessoais, tenho tido maior contacto com a fé, particularmente com alguns padres.

O dedo de prosa que tive com o Padre Mauro, de 88 anos de idade, 45 em Cabo Verde, foi particularmente fascinante. Desta feita, fomos além do mero cumprimento e a nossa troca de ideias fez brilhar os olhos desse eterno habitante do Seminário-Liceu.

Um pouco da sua fascinante trajectória. Padre Mauro saiu da Itália numa missão dos Capuchinos para a Ilha do Fogo com apenas 30 anos, em Março de 1949. “Vim num barco mercantil e o meu primeiro contacto com Cabo Verde aconteceu em S.Vicente”. O cenário de desolação foi o primeiro choque, diz. Não saiu do barco, e na noite de 31 de Março seguiu para a Praia onde foi recebido pelo bispo hesperitano, D. Faustino Moreira dos Santos.

Da Capital rumou para S.Filipe numa embarcação de nome Senhor das Areias, a 8 de Abril de 1949.À chegada em S.Filipe estava…

Narciso e Narciso

Se Narciso se encontra com Narciso
e um deles finge
que ao outro admira
(para sentir-se admirado),
o outro
pela mesma razão finge também
e ambos acreditam na mentira.
Para Narciso
o olhar do outro, a voz
do outro, o corpo
é sempre o espelho
em que ele a própria imagem mira.
E se o outro é
como ele
outro Narciso,
é espelho contra espelho:
o olhar que mira
reflete o que o admira
num jogo multiplicado em que a mentira
de Narciso a Narciso
inventa o paraíso.
E se amam mentindo
no fingimento que é necessidade
e assim
mais verdadeiro que a verdade. (...) Ferreira Gullar

Um desabafo

Permaneci em silêncio, sussurrando apenas com os meus botões, ouvi tudo o que se disse acerca da última remodelação de José Maria Neves, mas ninguém dizia aquilo que ansiava ouvir. Até que numa sexta-feira, en passant, li no jornal A Semana que a pasta da Comunicação Social continua sob a alçada do Ministro Sidónio Monteiro, agora tutela das Comunidades. Por um momento pensei que tivesse sido extinguida! Seria um rasgo de coerência sem precedentes …

Liberdade na propaganda

A questão é: para quê silenciar, se a propaganda é liberada nos mais públicos meios de difusão? Num país onde a propaganda flui com naturalidade, perante o silêncio da oposição que sonha fazer o mesmo quando ocupar o Palácio, o jornalista não passa de um lacaio vencido pelo cansaço… daí que eu defendo, criem um Gabinete de Propaganda do Governo (GPG) com legitimidade para ludibriar os cabo-verdianos e as cabo-verdianas, e extingam (melhor, mudem os estatutos) dos órgãos públicos de comunicação, começando pela TV públi…