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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2010

A Internet e os Candidatos

Carlos Veiga lança na terça-feira o seu site de combate para as legislativas de 2011. O motivo dessa nova frente digital é confesso e assumido no próprio endereço do site. José Maria Neves ainda não anunciou o seu site. Ele criara há meses um blog que não teve continuidade, já que não passou de dois posts. Se bem que o blog de Neves não parece ser um instrumento de campanha. A marca do Primeiro-Ministro, candidato à sua sucessão em 2011, parece ser o Facebook, onde os pedidos de amizade já ultrapassam o limite permitido e o mesmo, como confessou em tempos, cogita a possibilidade de abrir um “fan space”. Debates sobre vários assuntos da actualidade governativa com a participação do próprio autor, têm acontecido no mural do Primeiro-Ministro.

Carlos Veiga também está no Facebook. A sua conta é gerida por alguém próximo e o número de pedidos de amizade também tem aumentado vertiginosamente.

As redes sociais com o recurso às NTICs não são apanágio apenas dos candidatos a Chefe do Govern…

A lição de Cícero

A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos." (Cícero)

fotu: cidade velha: Kay

Tarantino, Eli Roth, e o gosto (vermelho) de sangue

Da estética: Volto a Quentin Tarantino, provocador-mor do cinema. É daqueles astros, herméticos e misteriosos, no propósito estético e psicológico da arte que praticam. Na sexta-feira passada, a TCV exibiu Hostel: part II, uma realização de Eli Roth, com participação de Quentin Tarantino na escrita original do argumento e na produção. Um filme que percorre todos os labirintos de loucura (habitués) do realizador. A fotografia é irrepreensível: a cinza do silêncio, a luz e a sombra, a ponte e as extremidades do terror (entre a clausura e a liberdade), as figuras pálidas de feições expressivas na sua diversidade (todas), os cães de andar serpenteado, a cama de ferro, a morte ensanguentada, a “ética” do pacto no sub mundo do crime. Só visto! A corrupção, a degradação humana, a decadência da vida da terra, e o teatro da morte a vermelho, como a celebração do fim.

Do enredo: a narrativa serve de ponto de partida e de chegada para as provocações estéticas de Eli Roth/Tarantino, (discípulo e m…

Antes de amar-te

Antes de amar-te, amor,
nada era meu:
vacilei pelas ruas
e coisas:
nada contava,
nem tinha nome:
o mundo era
do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,
túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que
insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheio,
tudo era dos outros e de ninguém,
até que tua luz, teu sorriso
encheram minha alma.

Nomes e prenomes tive
beijos, carícias e
carinhos me deste,
e tua beleza e tua
pobreza de dádivas
encheram meu outono,
meu inverno,
minha primavera,
meu verão

e agora,
sem o outono de volta...

Pablo Neruda

Coetzee: o poliedro dos espelhos

J.M.Coetzee é um escritor surpreendente. Prova-o os seus livros.
“Verão”, a sua última obra, é parte da trilogia de suas memórias ficcionadas e iniciadas com Boyhood e Youth. Em verdade, ousa um terceiro olhar sobre uma África do Sul insular, sem perspectiva humana comum, nem rumo ou esperança. A obra é diferente de tudo, tão existencial quão extensivamente intrigante e desafiante. Onde começa e termina a ficção em "Verão"? Ninguém consegue dizer e muito menos perceber as fronteiras que o texto insinua, tal a carga táctil da realidade narrada.

O escritor faz uma autobiografia ficcionada de Coetzee, o próprio, entre os anos 1972-75. Um biógrafo viaja até África do Sul, França, Estados Unidos e Brasil e entrevista cinco pessoas que teriam marcado a vida do escritor sul-africano. Os relatos caminham entre temas de carácter pessoal, íntimo, familiar e literário. O curioso é que em nenhum desses retratos Jonh Coetzee é descrito como uma alma bem sucedida, muito pelo contrário: …

Quando passo

Sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar.

Clarice Lispector

"Lá e Cá" inspira

O programa “Lá e Cá”, co-produzido pela TV Cultura (Brasil) e pela RTP (Portugal), foi emitido inicialmente nesses dois canais e, agora, já pode ser visto também na RTP África, até para servir de inspiração.

O projecto, da autoria do jornalista brasileiro Paulo Markun e com participação especial de Carlos Fino, funciona como uma rede interior que cobre duas culturas: a brasileira e a portuguesa. O desafio é mostrar, em cada episódio, onde começa e termina a presença de Portugal no imenso mundo brasileiro. Dir-se-ia o cumprir o vaticínio de Fernando Pessoa de ser o Brasil “um Portugal à solta”.

No programa de ontem, por exemplo, fica-se a saber que muitas lendas sobre bruxas chegaram ao Brasil com a emigração açoriana: os cristãos novos que desembarcaram nas terras de Vera Cruz, fugindo à inquisição.

Todo o imaginário que percorre o imenso Brasil, de norte a sul, acerca de Dom Sebastião, que desaparece na batalha do Alcácer Quibir, foi também explorado no programa. “O messianismo reinterp…

J.M.Coetzee, for ever!

“Tem de acreditar quando lhe digo que nada – mas mesmo nada – estava mais longe do meu espírito do que namoriscar com aquele homem. Porque ele não tinha qualquer presença sexual. Era como se tivesse sido pulverizado da cabeça aos pés com um spray neutralizador, um spray castrante.”

nota pura: uma passagem de “Verão”, último livro do Nobel J.M. Coetzee: A fala é de Julie e refere-se ao próprio Coetzee numa inabalável escrita deste. Uma narrativa em que o escritor sul-africano se reinventa para si e para a literatura. Voltamos com mais detalhes, ainda andamos a meio do "Verão".