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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2006

Feliz Ano Novo

© Adenor Gondim

Nossa Senhora da Conceição é a Santa mais presente na minha memória. É a padroeira do meu Concelho, e "xará espiritual" de Iemanjá, minha divindade de eleição e mãe de todos os Orixás. Iemanjá é a orixá do nascimento e da morte, e de todas as transformações que resultam em bonança, em felicidade e progresso. Nas vésperas do Ano Novo são estes os meus votos (para si) que visita este espaço... a água, a mãe, a felicidade, o trabalho, a luz ...

Nhara Santiago

Frederico Hopffer Almada, mais conhecido por Nhônhô Hopffer, lança agora o seu primeiro álbum, intitulado “Nhara Santiago”. É um trabalho que vem agregar ao mercado discográfico algo de novo e de qualidade. Nhônhô Hopffer faz uma viagem panorâmica sobre os vários estilos da música cabo-verdiana, com paragens mais demoradas pelos ritmos da Ilha de Santiago, cujo título faz uma dupla homenagem, tanto à Ilha, aqui mater, como à própria filha. O músico, que é arquitecto tem um cunho próprio e pessoal. Inconfundível. Quem conferir, confirmará estas palavras. “Nhara Santiago”, uma prenda para este Natal e qualquer ocasião. Apetece gritar “Viva a Música”…

"Nhara Santiago" é disco que lança o arquitecto Frederico Hopffer oficiamente nas lides musicais. Como é que explica o binómio músico-arquitecto?
Sinto-me perfeitamente bem na pele de um ou de outro, aliás acho que as duas áreas se complementam, é difícil encontrar um arquitecto que não goste e muito da música ou de tudo que é arte …

Bailarina Negra

A noite
(Uma trompete, uma trompete)
fica no jazz

A noite
Sempre a noite
Sempre a indossolúvel noite
Sempre a trompete
Sempre a trépida trompete
Sempre o jazz
Sempre o xinguilante jazz

Um perfume de vida
esvoaça
Adjaz
Serpente cabriolante
na ave-gesto da tua negra mão

Amor,
Vénus de quantas áfricas há,
vibrante e tonto, o ritmo no longe
preênsil endoudece

Amor
ritmo negro
no teu corpo negro
e os teus olhos
negros também
nos meus
são tantãns de fogo
amor.

António Jacinto ... C.T. Chão Bom, 4.9.70

Da Cor

"Da Cor do Pecado" é o título da nova telenovela da Globo, agora emitida pela TCV. Para começar, não gosto do título. Em segundo lugar, sou contra a emissão desregrada de telenovelas, principalmente se vermos seus custos. Numa dessas sessões de reflexão, que ultimamente tem povoado a Comunicação Social local, me disseram que são exigências do mercado... e essa! “Da Cor do Pecado” é a primeira novela da Globo, depois de décadas de produção, a trazer uma protagonista negra. Curiosamente, o director era um novato. Outra inovação dessa produção é o cenário. Todas as novelas e séries que discutem questões raciais no Brasil eram produzidas na Bahia, o mais densamente “africano” de todos os estados brasileiros. Desta vez, escolheram acertadamente o Maranhão: um grande Estado, com o maior património colonial construído do Brasil. São Luís, sua capital, é considerado um museu a céu aberto, com um legado arquitectónico português, o mais marcante das terras de Vera Cruz. Alcântara, out…

A canção em mim

Termina o 2006 ... e são estes os meus versos.
Roubei-os da doce voz da Zélia Duncan...

Jura Secreta

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada que eu quero me suprime
De que por não saber 'Inda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Sol que me cega
O que me faz infeliz
É o brilho do olhar
Que não sofri.

A África que criamos

(...) A desilusão com o “Messias brasileiro”, Gilberto Freyre, pai do luso-tropicalismo de tão grande influência e reverência entre os claridosos, e detractor confesso do crioulo caboverdiano, que, segundo ele, seria, como acima se referiu, sintoma da “instabilidade cultural dos cabo-verdianos” e prova das ‘insuficiências luso-tropicais’ da cultura caboverdiana, propiciaria a Baltasar Lopes uma oportunidade histórica para assumir o idioma cabo-verdiano como o facto identitário mais relevante em Cabo Verde, “tão radicado na terra como o homem crioulo”, de modo tal que a sua extirpação premeditada equivaleria a “crime de genocídio cultural”. Mais tarde, designadamente no “Prefácio” para “A Aventura Crioula”, de Manuel Ferreira, pôde Baltasar Lopes transitar para a compreensão da cultura caboverdiana como uma cultura estabilizada, e não condenada à dissolução na cultura europeia.

(...) A transição de Baltasar Lopes da Silva foi grandemente facilitada pela teorização culturalista de Teixei…

Para além da arte

O livro Kab Verd Band do jornalista, Carlos Gonçalves, tem como mérito trazer a questão musical da perspectiva não só de um músico, mas de um musicólogo. Diferenciar esses dois espaços terá sido o grande desafio com que o autor se terá deparado ao longo das suas pesquisas e dos seus escritos, aspecto que não deixará de saltar à vista do leitor mais atento. Abordar a música, para além da arte, mas assente na ciência, nos recoloca a novos olhares da música cabo-verdiana contemporânea. A todos os títulos, importa ler este livro, tal curiosidade levou-nos a entrevistar o seu autor.
Que razões o motivaram para um olhar científico, acrescido ao seu olhar artístico sobre a questão musical?
Esta é uma questão difícil de responder em poucas palavras. Julgo que na introdução ao livro respondo a esta questão em pormenor. Mas vou dizendo que foi um processo... primeiro fazia programas e escrevia sobre música por uma questão artística, mas a pouco e pouco foram surgindo questões e eu queria saber as…