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CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona






















Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos seus vários intérpretes.
Codé di Dona era também exímio tocador do acordeão, a concertina, um dos instrumentos referentes do funaná, em parelha com o ferrinho. Nessa qualidade de instrumentista, Codé di Dona gravou dois álbuns: o primeiro, nos anos noventa, em França, e, o segundo mais recentemente, acompanhado dos filhos.
Entretanto, a música de Codé di Dona faz parte da discografia dos Bulimundo, Finaçon, Simentera, Zeca di nha Reinalda, Lura e Mário Lúcio Sousa, entre outros.

"Saudade, amor e amizade são três irmãos" que faziam gemer o seu acordeão, afirmara Codé di Dona numa entrevista à Agência Lusa. Ele assumia-se, humildemente, como um "trabalhador de Cabo Verde, agricultor, pastor e tocador". Reformara-se como guarda-florestal e permaneceu o resto da sua como o “guardador de rebanhos” da sua arte singular.

Natural de Chaminé, concelho de São Domingos, Gregório Vaz, de nome artístico Codé di Dona, viveu sempre na localidade de São Francisco, no mesmo concelho, onde curiosamente nasceu e viveu outro expoente da música cabo-verdiana, Ano Nobo, também já falecido. E é exactamente um dos mestres da música crioula que se calou, deixando Cabo Verde mais pobre e mais triste neste ano acabado de começar.

Comentários

Canto da Boca disse…
Vou escutá-lo, mas antecipadamente já sei que estarei ouvindo música de qualidade.

Um ótimo 2010!

;)

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