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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2006

aquele olhar

o reencontro
outra despedida

aquele olhar de sempre
solitário...triste

morrer é uma certeza
viver... quem sabe!

Depois de tudo

Netinho entre a gente

O cantor brasileiro, Netinho de Paula, actuou, ontem, no Festival da praia da Gambôa, logo depois da Lura. O público ficou extasiado com a performance simpática e descontraida no palco, tanto do Netinho como da sua banda. Com certeza, um momento para não se deixar perder.
Netinho de Paula dispensa apresentação não só no Brasil, mas também em Cabo-Verde. É a primeira vez que visita estas ilhas, mas é visto todos os domingos na Rede Record, a apresentar o programa Domingo da Gente. Disse estar bem impressionado com o carinho e a familiaridade com que as pessoas o receberam.

O sucesso de Netinho vem de trás. Mais precisamente de 1986, quando, com outros jovens, cria em S. Paulo o grupo de pagode romântico, Negritude Júnior. Uma banda que nasceu para comungar e celebrar os ritmos da negritude de várias paragens. Trouxe ao samba e ao pagode, o reggae, o funk, a salsa, e muito mais. Uma verdadeira revolução cultural. Negritude Júnior foi uma das primeiras bandas compostas por negros que começ…

Solidão na ilha

As ilhas são lugares de solidão e nunca isso é tão nítido como quando partem os que apenas vieram de passagem e ficam no cais, a despedir-se, dos que vão permanecer.
Na hora da despedida, é quase sempre mais triste ficar do que partir e, numa ilha, isso marca uma diferença fundamental como se houvesse duas espécies de seres humanos: os que vivem na ilha e os que chegam e partem.

In:Equador, de Miguel Sousa Tavares. Excitante!

Voar

apetece-me voar
agora
e sempre

voar
e voltar sempre
para tudo recomeçar

J´aime ta voix

reconheço nela sons do deserto
ritmos com memória
amo o mbalax
como se do batuque do lado se tratasse
simplesmente Yossou
amo a tua voz
a voz do Joko

Abraão tem notícias de África

Cabo Verde – spritu lebi é título de uma exposição fotográfica de Abraão Vicente, patente, neste momento, ao público mindelense. Estivera na Praia, no Centro Cultural Francês. Um olhar humano sobre os rituais da morte, e da vida, as gentes e a tradição da Ilha de Santiago. Quinze fotos dessa exposição foram seleccionadas, numa lista de centenas de fotógrafos africanos, para participar no Notícias de África, em Paris. Uma mega exposição fotográfica que acontece em Setembro, e reúne 60 fotógrafos de 23 países africanos, portadores de um novo olhar sobre o continente negro. O evento é organizado por três agências de fotografias de Paris, e vai obedecer a cânones pouco convencionais, em termos de formato. Algumas ruas de Paris vão acolher uma exposição inovadora em outdoors e murais. Outra ideia da organização é construir um álbum de família. Ou seja, conseguir com algumas famílias africanas residentes em Paris, duas ou três fotos que retratam a sua vida nessa cidade, e expor num mural. P…

Praia.Mov

A praça Alexandre Albuquerque, na Praia, recebe, desde ontem, uma exposição fotográfica intitulada Praia.Mov.
Um conjunto de 40 fotografias de César Scholfield e Omar Camilo. Artistas portadores de perspectivas estéticas únicas sobre uma mesma realidade. A explosão urbana praiense. Uma cidade em movimento. Uma cidade com contornos díspares, sejam eles humanos, arquitectónicos ou sociais. Uma cidade moderna, feita também por traços universais. Praia.Mov é uma exposição de fotografia aliada à arquitectura.

Dois contentores perpendiculares, e um terceiro sobreposto, montados pelo arquitecto Nuno Carvalho albergam a exposição, numa clara alusão a uma cidade em formação, feito histórico nestas paragens.

Praia.Mov incorpora a arquitectura, sobretudo, como um elemento funcional e transversal na dinâmica de uma cidade em transformação.

Uma cidade que interpela a um outro olhar, a todos os níveis. Um olhar que não o de coqueiros, e de mulheres bonitas apenas. Um retrato mais plural da cidade, sob …

eterna saudade

momentos eternos
instantes fugazes
de silêncio
de dor
de angústia
de felicidade, e de saudade
saudade profunda
difusa
perturbadora
e eterna!

momentos

Nem tudo o que passa desaparece.
Há instantes que não são.
Assim como há momentos eternos.

Tchitchite

Alexandre Andrade, o tocador de tambor de avental branco na foto ao lado, foi o homenageado da bandeira de S. Filipe de 2006. Era mais conhecido por Tchitchite, “rei de djarfogo”. Foi o tocador da primeira bandeira de S. Filipe (entende-se aqui a primeira bandeira como a do desenterro, em 1917). Tchitchite criou todos os toques dessa bandeira, conhecidos por briais: o brial do almoço dos cavaleiros, o brial das corridas de perícia, o brial das cavalhadas, da tomada de bandeira, e assim por diante. Um mestre, portanto!

A Câmara Municipal de S. Filipe homenageou esse homem, falecido em plena bandeira de S.Pedro, a 27 de Junho de 1984, mas esqueceu-se de falar do seu grande feito em prol das bandeiras do Fogo.

Tchitchite foi também, quando chegou a S. Filipe, o pregão da cidade. A pessoa que anunciava as deliberações da Câmara Municipal, a chegada dos barcos no porto, etc.
O homem da foto, ao lado de Tchitchite, chama-se Pedro de Pina. Faleceu em 1996 e foi o sucessor de Tchitchite como pri…

Há luz na Cidade...

A Ilha do Fogo, ouvi ontem num programa na TCV, não deixa ninguém indiferente. A paisagem dura, o negro, a força humana, a (ainda) harmonia arquitectónica da Cidade de S.Filipe encantam a qualquer visitante.
A Cidade e a Ilha não estão paradas mercê da sua história e riqueza natural. O Vulcão activo e lindíssimo é um santuário cada vez mais adorado, graças aos empreendimentos turísticos desenvolvidos em Chã das Caldeiras, ligados à produção do vinho, e à hotelaria.

Na Cidade, nunca é demais falar da Casa da Memória, um autêntico museu sob a responsabilidade da Monique Widmer – um local onde se pode conhecer pelos objectos ali expostos, o quotidiano passado das gentes da ilha. Uma vertente bibliográfica faz parte do projecto.

Mesmo ao lado da igreja matriz está o Djar´Fogo de Agnelo Vieira Andrade, um espaço que aposta na promoção de roteiros turísticos culturais na ilha, aberto a estrangeiros e residentes. Acolhe, neste momento, duas exposição de pintura: da francesa Dominique Delaroche,…

Era uma vez S.Filipe...

A Ilha do Fogo proporcionou aos seus visitantes de 25 Abril a 2 de Maio uma temporada jamais vista em Cabo-Verde.
Para começar, imaginem um show a começar na boca noti à frente do vulcão, ventado por um fresco característico de Chã das Caldeiras. Tito Paris, Ramiro Mendes, Tcheka numa dupla imbatível com Hernâni, Violinistas locais, e muito mais… O show foi produzido pelo jornal A Semana, no âmbito da abertura da sua delegação local…

Sobre a festa da bandeira, em si, deixo os pormenores com a Kamia no So Pa Fla. Um à parte: o Cola Sandjon (presente no painel fotografado pela Kamia) não faz parte da bandeira de S.Filipe. O Cola de S.Filipe são cantigas espontâneas entoadas pelas coladeras e coladores… não a dança típica de S.Antão erroneamente representada no painel.

As obras do presídio. Viram? Aquele presídio de onde sempre se avistou a brava… aquele que Teixeira de Sousa descrevia. Hoje ostenta uma grade à volta, e um palco de cimento fixo. O chão é azul. Não digo mais.

O emblemático so…