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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2005

Horace Silver: uma lenda criola-americana

O pianista cabo-verdiano/americano, Horace Silver, fundador do hard-bop foi recentemente galardoado com o Grammy Awards dos grandes do jazz. Essa lenda mundial do jazz é filho de cabo-verdiano, natural do Maio. Nos últimos tempos tem sido muito nomeado entre nós, muito devido à necessidade de um reconhecimento à sua figura. O Historiador, António Correia e Silva, por exemplo, é da opinião de que “se impõe um reconhecido à sua figura, não só pelo seu talento, mas também por ser um símbolo da relação histórica entre os Estados Unidos e Cabo Verde”. No momento em que a nação cabo-verdiana se revê, cada vez mais, na sua diáspora, urge um gesto a esse nível. Uma homenagem que também será de um tempo histórico ligado à pesca da baleia, factor impulsionador da emigração cabo-verdiana para os Estados Unidos.
Horace Silver, apesar de ser uma personagem com uma agenda determinada pelo showbizz, não perdeu a ligação à ilha e aos seus ascendentes, como afirmam as suas composições The Capeverdean B…

Tchalé Figueira expõe em Coimbra

O artista plástico cabo-verdiano Tchalé Figueira inaugura sexta-feira em Coimbra, Portugal, uma exposição de pintura, que ficará patente até 1 de Maio na Casa Municipal da Cultura.
Organizada no âmbito da geminação entre as cidades de Mindelo e Coimbra, a exposição reúne perto de meia centena de criações realizadas entre 2003 e este ano, algumas delas de grandes dimensões (2x1,5 metros).
O vereador da cultura da Câmara, citado pela Lusa, define a arte de Tchalé Figueira como resultado de "um permanente desassossego, uma inquietação social… uma arte comprometida, com cariz político e ideológico…”
Essa exposição é para Figueira "o espelho da sua visão sobre o mundo e a sua cidade natal". Um olhar sobre o Carnaval, a música, as pessoas, o quotidiano e as intempéries da vida são os temas que dominam a dita exposição.
Tchalé Figueira nasceu em 1953 na Cidade do Mindelo. É um artista multifacetado, com uma carreira emergente na literatura. Já editou três obras de poesia, tendo on…

Salamansa desafia a história

Após 15 dias de escavações começam a surgir os primeiros sinais de presença humana na aldeia pescatória de Salamansa, em S.Vicente, anterior à data historicamente conhecida.
Presume-se que há cerca de 300 ou 400 anos terá havido presença humana nesse sítio.
A grande novidade, que pudemos acompanhar pela TCV, numa reportagem de Eduíno Santos, é o surgimento de uma casa, uma estrutura até hoje totalmente desconhecida. Os arqueólogos que estão a trabalhar na escavação do espaço conseguiram recuperar uma parede de uma casa que deveria ter uma planta rectangular, idêntica a casas que ainda existem em Santo Antão. “Deveremos estar perante o primeiro e mais antigo vestígio da colonização da ilha de S.Vicente que remonta não ao século XVIII, mas ao início do século XVII”, afirma o professor Luís Cardoso.
O Presidente do Instituto Nacional de Investigação e Promoção Cultural (INIPC) Carlos Carvalho, disse que a instituição, em parceria com a Câmara de S.Vicente, vai traçar medidas de protecção da…

Marca jesuita na Cidade Velha

A Praça do Pelourinho, na Cidade Velha, foi hoje palco da apresentação do 1º projecto fórum Unesco/Universidade Jean Piaget. A apresentação centrou-se na definição do sítio e da intervenção arqueológica da primeira capela construída em Cabo Verde e do Colégio dos Jesuítas na antiga Ribeira Grande. O Acto contou com a presença da Direcção arqueológica da Universidade de Cambridge. Foi uma viagem aos anos de 1460. Na Cidade terá sido construída a primeira capela dos trópicos. Na área onde se ergueu a capela, existem igualmente vestígios de um colégio jesuíta. Estas e outras verdades vão ser desvendadas através de uma escavação a ser conduzida por Cristopher Evans, da Universidade de Cambridge – Londres, e Constantino Richter do Fórum UNESCO. Este último por estar ligado à Universidade Jean Piaget irá envolver os alunos daquela Instituição no projecto.
O espaço, pelo peso da história que carrega, poderá ser mais um factor impulsionador da inserção da Cidade Velha, em termos práticos, na r…

Manuela Jardim entre nós

Encontra-se em Cabo Verde a artista plástica guineense Manuela Jardim. A artista veio à Praia para contactos com as autoridades da cultura, da educação e da edilidade do Tarrafal, na tentativa de materializar a ideia de expor as suas telas numa exposição temática intitulada “Mar de afectos”, e de promover o seu projecto de pesquisa sobre os panos de terra de Cabo Verde.
Manuela Jardim, 53, nasceu na Bolama, e ali permaneceu com os pais até os 8 anos. Depois disso, quando falece a sua mãe muda-se para Lisboa. Nunca mais regressou ao seu país natal, mas a memória desse passado é patente nas suas obras que numa mistura de cores, interpreta a mestiçagem, e a confusão de momentos que tem sido o continente africano.
Foi em Portugal que decidiu seguir o caminho da arte, muito devido à influência de seus familiares da Madeira (Ilha de seu pai) que gostavam da pintura.
É autora de um selo e de um bloco filatélico comemorativo da visita do Papa a Guiné. No seu currículo contam inúmeras exposições …

Viriato Gonçalves: o cronista da dor

"O Menino do Campo" é o título do segundo livro de Viriato Gonçalves. Um livro de crónicas que versa sobre as experiências e os condicionalismos da vida das pessoas. O livro é também uma viagem indelével aos valores da nossa cultura: um olhar atento às pequenas coisas, pessoas e lugares. Foram precisos, segundo o autor, vários anos para escrever essa obra.
A obra funciona para o autor, como uma forma de exorcizar o passado. “Menino do campo”, segundo Viriato foi uma expressão que desde a infância o acompanha. E este livro, do seu ponto de vista, é apenas uma parte desse mundo. Há outras coisas igualmente interessantes a serem retratadas, a seu ver. A importância da educação; a emigração; as religiões e a intolerância colonial, tudo isso são aspectos interessantes do livro.
Para entrar no âmago da obra de Viriato Gonçalves, talvez seja imperativo ler esse trecho que ele deixa na primeira pessoa numa entrevista concedida à cvmusicworld:
“Eu vivi os meus primeiros 33 anos debaixo …

Africa continua a marcar presença no PercPan

Um colectivo que utiliza instrumentos próprios da República Democrática do Congo e uma banda de hip hop da Tanzânia são as duas atracões africanas do Panorama percursivo Mundial (agora rebatizado Tim PercPan), evento internacional dedicado à percussão que neste ano – seu 12º - acontece na terra natal Salvador e no Rio, Brasil.
Idealizado desde seu início, em 1994, pela socióloga Beth Cayres, o festival será montado nos dias 7 e 8 de Abril no teatro Carlos Gomes, e nos dias 9 e 10/4 no teatro Castro Alves, em Salvador.
Além de artistas brasileiros como Adriana Calcanhoto, Gilberto Gil e outros, o evento conta este ano com as presenças internacionais de Konono Nº1 (Congo), Fanfare Ciorcalia (Romenia), On Fillmore (projecto de Glenn Kotche, do Wilco) e X Plastaz (da Tanzânia).
A curadoria do festival é assinada, além de Cayres, pelo antropólogo Hermano Vianna e pelo jornalista espanhol Carlos Galilea, crítico do "El País".
Participam no Percpan artistas de várias partes do mundo qu…

Morreu "Nhô Raúl"

Faleceu com 102 anos de idade o tocador de violino, Raúl de Pina. Um exímio músico, natural da Ilha Brava, conhecido dentro e fora do país. Teve 38 filhos, sendo 29 vivos.
Nhô Raúl, apesar de filho de emigrante, viveu sempre em Cabo Verde, entre Brava e Praia. As últimas três décadas passou-as em Cova de Joana na Brava, ao lado da esposa Maria Madalena Gomes de Sena, a quem dedicou o seu único álbum intitulado “Madai”, gravado em 1999.
Tivemos a oportunidade de fazer uma reportagem com Nhô Raul, na Brava, em 2001, durante um casamento de dois jovens italianos da Cidade de Noli que escolheram a zona “Djon da Noli” para o seu enlace. Foi uma festa interessante, porque uma homenagem ao navegador italiano que esteve tanto na Brava como no Fogo, emprestando o seu nome a duas localidades dessas ilhas. Nhô Raúl era a figura central dessa festa, enquanto animador. Em conversa connosco, contava a saudade que sentia da sua juventude em que animava festas durante uma semana a fio. Os seus olhos br…

Ilhéu de Santa Maria: empreendimento "world class" deve ter dimensão cultural

O Ilhéu de Santa Maria – mais conhecido por "Djéu" -, vai receber, este ano, investimentos turísticos chineses, que incluem hotéis, casinos e outras infra-estruturas, num montante superior a 50 milhões de dólares. Este colosso turístico ostentar-se-á vis-a-vis à praia da Gamboa, onde também se planeia o futuro Distrito Financeiro da Praia. Os investimentos serão do grupo chinês de David Chaw, um dos grandes magnatas do jogo, com a maioria dos negócios instalados na Ásia, concretamente em Hong Kong, Macau e Singapura.
Se, do ponto de vista económico mais puro, o interesse de David Chaw deve ser encarado como extremamente positivo, é de se lembrar que, do ponto de vista cultural, paisagístico e ambiental, o projecto exigiria um pouco mais de socialização a nível da opinião pública cabo-verdiana, da edilidade da Praia e dos vários segmentos políticos de Cabo Verde.
Recorde-se que o Ilhéu de Santa Maria foi, durante o século XIX, um porto carvoeiro, na tentativa de se instalar com…

Sabina Miranda: Sucesso no Feminino

No mês em que se assinala mais um dia dedicado à mulher, as cabo-verdianas continuam a marcar ponto nas ilhas e na diáspora. Desta feita, a novidade vem dos Estados Unidos e chama-se Sabina Miranda.
Já participou em dois filmes – “Vozes que gritam” e “Destino e Sucesso”. Neste momento está a correr atrás dos seus sonhos e vive em Nova Iorque. Numa entrevista concedida à CVmusicworld a garota do momento disse que está a trabalhar no projecto do seu próprio talk show, onde pretende dar espaço à comunidade cabo-verdiana nos Estados Unidos, que, no seu entender, é ainda pouco conhecida. Ao mesmo tempo prepara-se para uma audição na hollywood.
Os Cabo verdianos não são conhecidos, precisamos difundir a nossa cultura e apresentá-la ao mundo, diz.
Sabina trabalha com a produtora americana John Casablanca’s Modeling and Career e já coordenou na BNT (Boston Neighborhood Television) o programa Video Flava. Recente desempenhou o papel de uma escrava num documentário produzido pela Northern Light qu…

Torre cultural para a Ilha do Maio

Quem visita o Maio, de lés a lés, fica agradavelmente surpreso com as virtualidades da ilha, apesar da aparente falta de perspectivas, e desolação. Digo isso, porque o Maio, ao contrário da Boa Vista e do Sal, ainda vai a tempo de planear o seu turismo de modo a conciliá-lo às suas especificidades ambientais e humanas.
As praias estão praticamente intactas, a beleza das suas dunas pode competir com as de Boa Vista, a hospitalidade – sua imagem de marca – é insubstituível.
Há quem diga, inclusive, que a ilha da boa música e do bom queijo ainda resguarda os traços e a autenticidade do cabo-verdiano de antanho.
Autenticidade, aliás, que convidou o casal alemão, Sabina e Miguel, a fixar residência no Maio, mais precisamente na zona de Calheta. Sabina ensina francês no Liceu da Vila do Porto Inglês e o seu marido, enquanto artista, trabalha na construção de uma torre de cultura que vai ser o Centro Cultural da Ilha. Esse espaço já ganhou corpo e fica próximo à praia de Calheta mesmo defronte …

O Baleeiro Essex passou por Cabo Verde

Cabo Verde assumiu-se sempre como uma importante placa giratória da navegação atlântica, pois aqui se cruzavam nas viagens de ida e de regresso, a rota da Guiné, a rota do Congo/Angola e a rota do Cabo e aí aportavam à ida os navios do Brasil e os da rota das Índias de Castela. Assim, pela enorme importância geo-estratégica tiveram, a cada tempo, o seu auge, diversos espaços cabo-verdianos:
A Ilha do Maio também se insere nesse roteiro. No livro “No Coração do Mar”, do jornalista e historiador norte americano, Nathaniel Philbrick, existem relatos interessantes da passagem da embarcação Essex pela Ilha do Maio. O navio baleeiro Essex foi atacado em 1820 por um cachalote enfurecido e afundou. Este acontecimento foi tão comentado nos Estados Unidos quanto o naufrágio do Titanic no século XX. O episódio inspirou Herman Melville a escrever sua obra mais conhecida, "Moby Dick". O historiador Nathaniel Philbrick, por sua vez, reconstituiu a história na obra “No coração do mar” em to…

Ricardo Lima Barros: O eterno capitão da "Ernestina"

Capitão Ricardo Lima Barros nasceu na Praia, Santiago, a 23 de Outubro de 1914. Começou a sua carreira de marinheiro a bordo do barco Nossa Senhora da Areia comandado por um capitão português em 1952. Toda a sua experiência foi ganha enquanto marinheiro no Senegal.
A sua primeira viagem como capitão aconteceu no barco Ernestina – comprado no estado de RI, Providence, pelo cabo-verdiano Henrique Mendes, e que sela, em grande medida, a relação existente hoje entre os Estados Unidos e Cabo Verde. Barros partiu do Porto Grande do Mindelo a 6 de Julho de 1954 rumo à Cidade de Providence, RI, nos Estados Unidos, tendo chegado ao seu destino a 13 de Agosto de 1954. Foi uma viagem de 38 dias com 16 tripulantes e três passageiros. Nos Estados Unidos casou-se com Domingas de Barros.
Regressou a Cabo Verde no comando da Ernestina, numa segunda viagem, deixando RI a 9 de Novembro de 1954 e chegando a Mindelo a 14 de Dezembro de 1954. Esta viagem de 34 dias aconteceu com 16 tripulantes e 4 passageir…

Noblesse Oblige

Na sequência da 2ª edição do programa televisivo (TCV), Monumentos e Sítios, sobre o Plateau, da Cidade da Praia, queria agradecer o engajamento e o empenho de todos os participantes. Assim, queria destacar as contribuições valiosas do historiador António Correia e Silva, consultor do programa, do Edil praiense, Felisberto Vieira, do historiador Daniel Pereira e do catedrático Jorge Brito. Assinalaria também o profissionalismo de Jorge Avelino e Zezinho Furtado, respectivamente camara man e montador do programa. Uma palavra de apreço para um sem número de pessoas que, com sinceridade e sentido de apoio, tem acarinhado esta iniciativa. A 3ª edição, do Monumentos e Sítios, versará sobre os Palácios da Cidade da Praia.
Aproveito ainda esta oportunidade para felicitar a minha confrade Matilde Dias, pela 3ª edição, do programa Konbersu Sabi, desta feita sobre o Teatro em Cabo Verde, tema consistente e que tem merecido atenção da nossa opinião pública.

Prémio Sonangol de Literatura

O Concurso para o prémio SONANGOL de literatura acontece este ano, e está aberto a obras inéditas de escritores de Angola, S.Tomé e Cabo Verde. Os interessados podem contactar as Associações dos Escritores desses países e dar entrada à candidatura.
O Prémio SONANGOL de Literatura foi criado em parceria com a Associação dos Escritores Angolanos, há mais de dez anos, com o objectivo de prestigiar os escritores daquele país. Em 1999 foi aberto aos escritores de Cabo Verde e de S. Tomé, passando a ser atribuído de dois em dois anos. Podem concorrer ao prémio obras que se inscrevem nos géneros de poesia e prosa (ficção, colectânea de contos, novelas, romances ou literatura infanto-juvenil). As obras a concorrer devem ser obrigatoriamente assinadas com um pseudónimo, acompanhadas de um envelope fechado contendo os dados completos do autor. O prazo de entrega dos trabalhos decorre de 1 de Janeiro a 1 de Julho. A entrega do GRANDE PRÉMIO acontece a 25 de Fevereiro de cada ano, data em que a So…

Centro para Jovens Artistas

Encontra-se em Cabo Verde uma delegação do Centro para Jovens Artistas, dos Estados Unidos, para contactos com os parceiros locais, em particular instituições ligadas à juventude e à cultura, para o incremento da cooperação já iniciada.
O Centro para Jovens artistasé um curso pré-universitário de verão, ligado à Universidade de Wesleyan, no estado americano de Connecticut. O curso intensivo, de cinco semanas, direccionado para estudantes liceais, procura potenciar o talento dos mesmos nas áreas da música, teatro, literatura, cinema e artes visuais. Além de tais áreas, o programa enfatiza a aprendizagem inter-disciplinar, o pensamento crítico e a liderança, aspectos considerados afins para uma boa educação no domínio das artes.
Como em muitos programas educativos americanos, o Centro para Jovens artistas realça o multiculturalismo na sua abordagem didáctica.
Há três anos que jovens cabo-verdianos participam nesse programa, graças a José Monteiro, professor de teatro e cabo-verdiano. Monte…

Cabo Verde vai ter áreas protegidas

Vão ser criadas em Cabo Verde áreas protegidas nas ilhas do Fogo, Santiago, S.Nicolau, Santo Antão, S.Vicente, santa Luzia, e Boa Vista consoante a sua biodiversidade.
Prevê-se áreas protegidas terrestres e marinhas. Estas últimas vão ser nas ilhas baixas como Santa Luzia e Boa Vista. Das áreas terrestres podemos destacar as ilhas de S.Vicente e do Fogo tidos como os futuros pólos do ecoturismo.
A Direcção Geral do ambiente, responsável directo pelo projecto socializou, hoje, com os parceiros a sua implementação. De observar, por exemplo, o caso de S.Nicolau que reserva uma vegetação inicial da ilhas, em que a degradação ainda não se fazia presente. A intenção é conservar essa riqueza natural, e através dela, preservar o ambiente e promover o turismo.
A implementação do projecto das áreas protegidas é uma componente do PANA II que, por sua vez, respeita os objectivos do milénio, enquanto motor de preservação ambiental e redução da pobreza.
Este projecto avaliado em 6 milhões de contos ser…

Direito e Cidadania

O décimo nono número da Revista “Direito e Cidadania” coordenado pelo Jurisconsulto, Jorge Carlos Fonseca, é lançado hoje, na Biblioteca Nacional, na Praia. O evento que acontece às 18 horas vai ser marcado por uma conferência proferida pelo Jurista, Geraldo Almeida, cujo tema será “A responsabilidade do Estado por actos da Gestão Pública”.
A revista que, a cada lançamento, se reveste como mais um documento jurídico, sócio-político e criminal da vida nacional e internacional, conta, desta feita, maioritariamente com a participação de autores nacionais. Pode-se realçar as participações de Carlos Veiga com o tema “Cabral e a Constituição do Estado em Cabo Verde – Uma apreciação política” e de João Pinto Semedo com o tema “Crime de tráfico de estupefaciente.”
“Subsídio em torno dos direitos de Cidadania na Sociedade de Informação”, de Geraldo Almeida é outro assunto que, pela actualidade, pode ser de forte interesse.

Vergonha Nacional

Esta semana tomei conhecimento de uma situação, no mínimo, chocante. A Associação dos Ganeses em Cabo Verde pretendia limpar as instalações e as imediações da Televisão de Cabo Verde para assinalar o 48º aniversário da independência do seu país – e assim aconteceu. A atitude desse grupo de emigrantes tem sido recorrente. Lembro-me, como se fosse hoje, quando tomaram a mesma iniciativa, em finais do ano passado, de limpar o Hospital Central da Praia e as suas imediações. Na altura, numa entrevista concedida à Comunicação Social, o presidente da referida Associação justificou o acto dizendo que esta é uma forma de mostrarem aos cabo-verdianos que estão dispostos a colaborar positivamente com o nosso país. Na ocasião tivera lugar alguns incidentes desagradáveis, cujas responsabilidades tendia-se a atribuir aos emigrantes da Costa Ocidental da África.

Houve, inclusive, uma manifestação de cidadãos dessa região da África, residentes em Cabo Verde, a exigirem melhores formas de tratamento p…

“Morabeza Records é história”

Nota: Morabeza Records é referenciada no jornal Le Monde como uma defensora da cultura cabo-verdiana num passado recente da nossa história… Tomamos a liberdade de fazer uma tradução livre da matéria feita por Patrick Labesse, enviado especial do jornal a partir destas ilhas.

Uma Guerra pela Identidade... é isso que defendia Djunga D'Biluca ao fundar Morabeza Records no ano de 1960, por outras motivações que não comerciais. Nascido em S.Vicente a 1929, Djunga D'Biluca emigrou para Dakar, seguido de Holanda, em 1958, onde chegou a ser coordenador do PAIGC, criado dois anos antes por Amílcar Cabral e outros filhos da Guiné e Cabo Verde engajados na luta contra o colonialismo.
"A ideia de Morabeza, surgiu da necessidade de restituir a identidade cultural cabo-verdiana e ajudar na sua divulgação na diáspora”, conta Djunga D'Biluca. “Amílcar Cabral dizia : Independência sem cultura não tem valor. A música deve ser uma arma”. E Morabeza foi uma forma de resistência cultural, …