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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2007

Silêncio...

Tu és rara, todas as vezes,
e o meu silêncio
é um olhar que passa,
porque finjo vazio
em todos os sentidos
e absurda é a noite.
As horas,
um amontoado de saudades,
minha idéia a encontrar-te
é como uma voz interior a ter-te.

Mas és irreal,
e o meu sonho, um sonho,
fundido com a minha angústia,
como uma tarde sem horizontes.
Minha ânsia,
um momento a querer-te entre os meus gestos,
no alheamento único dos meus poemas simples.


Em mim

As palavras do poeta, deste lado do outro. E a ausência do outro lado daqui.

Silêncio: Dimas Macedo - poeta cearence
Em mim: pura eu

Nada é igual

As minhas músicas não serão tão fundas quanto as tuas. Fiz o que pude, mas, estou certa, não consegui retribuir. Percorri tempos, lugares, indaguei, mas em parte alguma encontrei algo parecido.

A morte como ela é

Sete Palmos de Terra , emitida todos os domingos, pela TCV: é uma série (a primeira) arrepiante, mas essencial. A cada episódio, a trágica morte de um ser humano (homens, mulheres, jovens, até crianças), sempre igual e tão diferente entre si. Os familiares enlutados que procuram a casa mortuária.
Sempre o mesmo cenário psicológico: uma mãe/viúva irreversivelmente triste, dois filhos (agentes funerários) com seus dramas paralelos, uma filha adolescente, incompreendida e esquisita. A namorada do filho mais velho, que numa apenas aparente secundarização cénica, joga um papel de equilíbrio temático em cada história/episódio.

A vida é uma viagem para a morte, ou, pelo menos, deveria assim ser entendida. É esta a derradeira mensagem da série Sete Palmos de Terra. Esta é, pelo menos, a grande noção que apreendo, sempre em perspectiva, claro está, a cada episódio. O extremismo, a racionalidade, a loucura, o sexo, a desesperança e a sua antítese, são os ingredientes do viver que nos aproximam co…

Canção...

1.Canção da noite
sempre a mesma.
Outras hão de vir
aqui juntar-se
até do dia se tornarem.

2.Recordo na retina,
as palavras não ditas.

3.A Lembrança
que persegue e mata.

imagem daqui

Versos de Entreter-se

À vida falta uma parte
– seria o lado de fora –

Pra que se visse passar
ao mesmo tempo que passa

e no final fosse apenas
um tempo de que se acorda

não um sono sem resposta.
À vida falta uma porta.

Gullar

Badyo do mundo

Costumo lembrar a todos que escrevo sobre os encantos que as coisas me fazem. É aqui, e só aqui onde posso me dar ao luxo de assim agir. E é com esta subida emoção que falo do CD Badyo do músico, Mário Lúcio. Sem me ater a uma música em particular, e muito menos, ao separatismo arranjista do CD, discorro sobre o universo recriado pelos sons do Mário Lúcio.

Partimos de Santiago, com o badio escravizado que resiste e se afirma no mundo das Antilhas, do Brasil, em suma das Américas de todos nós. A trajectória desse badiu di Santiago atravessa mares e culturas, faz-se de outras costelas, e se mostra como um homem novo.

Mário Lúcio diz-nos e mostra-nos tudo isso numa fileira de 16 composições, que contou com participações de músicos diversos (entenda-se também etnias sonoras múltiplas): o balafon de Ali Keita (Mali), o Bandonéon de Mariza Mercadet(Argentina), o baixo e contrabaixo de Thierry Fanfat(Guadalupe)… Do lado de cá estão os dedos de Chico Serra, Duka, Lela Violão, Houss…

Badyo é tamb…

Retalhos do tempo

1. Creio ter já escrito neste blog o meu fascínio pelas tardes. Não propriamente todas, mas principalmente aquelas que me fazem recordar aquele momento único, o entardecer em S. Filipe. A tarde que me pressentia entre a serenidade e a traquinice, entre a tristeza e a alegria. Curiosamente, nunca mais a senti igual. Mas prossigo na busca dessa leveza de outrora. Com esperança…

2. Sou uma mulher de poucos amores (devo ter dito uma blasfémia, mas é a pura verdade). Uma das pessoas que amo de coração completou esta semana 104 anos. Ela é minha madrinha, provavelmente a mulher mais velha de S. Filipe. Um monumento da Cidade. Felismina Mendes é o nome dessa madre, mais conhecida por Nha Filó, a dona de todas as estórias. É ainda lúcida. Mas lembra de cor algumas estórias, que de tanto repeti-las, podem nos induzir ao erro. É do encanto, apenas. A proeza de ter cruzado décadas feitas de tudo.
Ela cultiva uma relação especial com a televisão. As telenovelas, os filmes, o noticiário encantam-na.…

Eternidade...

Deveríamos sempre oferecer música aos amigos. Seria uma forma de continuarmos a sê-lo. Um meio de marcar o tempo, as circunstâncias, as horas, e os ventos. E não só de momentos ternos se se cogita; alguns, com o lapidar da vida, são tristes, duros... mas eternos...

Ao amigo (que me lê)

Na nossa amizade o silêncio é um vazio preenchido. Serena, tal como o abraço testemunho dos dias. A noite é mais veloz nos trópicos, já dizia o poeta. Para não mais falarmos do tempo.

Palavras

Tenho algumas, e são minhas, principalmente aquelas que me destes; nos livros, nos discos... em mim. Outras, perderam-se no tempo que não mais temos.

Em busca de um outro cinema

No momento em que se debate o futuro do cinema, dominado hoje pela forma, creio ser pertinente dar a conhecer uma experiência do cinema preocupada com questões espirituais desafiadoras do homem contemporâneo. Refiro-me ao Festival Internacional de Cinema de Alba, nascido em 2002 com o nome Infinity Festival. O certame deste ano contou com a especial presença do Realizador americano Sydney Pollack. The Swimmer (com Burt Lancaster) 1968, The Firm (com Tom Cruise) 1993, Sabrina (com Harrison Ford) 1995, e The Interpreter (com Nicole Kidman) são alguns dos filmes de Pollack que cruzaram e marcaram épocas, dentre dezenas, presentes no evento deste ano. Este festival é temático e, em 2007, os debates giraram à volta do "medo". O medo que sentimos nas nossas vidas, no contacto com o outro, em relação à economia, ao ambiente, à crise energética, etc.
O Festival Internacional de Cinema Alba dialoga, através de valores, com a pintura, a fotografia, a literatura, a música e a filosofia.…