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A mostrar mensagens de Março, 2009

Falar da música...

Está aí uma ideia super interessante: uma parceria entre o Kriol Jazz Festival (Harmonia) e a Universidade de Cabo Verde para a realização de ciclos de conversa entre alguns artistas e o público, no decorrer do festival. No dia 1 de Abril, 18:30, quarta-feira, no auditório da UNICV, os cubanos Jorge Reyes, Changuito, e EL Panga Ramos dão o ponta pé de saída.

No dia 4, às 15:30, simplesmente Lenine (foto): uma oportunidade impar de ouvirmos esse nome incontornável da música brasileira, (de origem pernambucana). Um artista que percebeu que em cada ritmo existe um argumento de reflexão. "Reflectir sobre o que me rodeia sempre foi minha meta", diz. "Pop e samba, rock e maracatu brasileiro, o popular e o erudito, o analógico e o digital, são tudo ferramentas que eu uso."

Sábado, 5 de Abril, termina o ciclo com Mário Canongue. Uma oportunidade, quiçá, de nos despirmos dos nossos preconceitos em relação ao zouk, por que não?!, e perceber, que, afinal, esse ritmo tão mal tra…

Ode ao mar

Se não vejo o mar

sinto falta de ti,

e do sol que nos une,

sinto falta da vida

contigo junto.


pura eu

Felicidade, cadê?

Queridas e caros amigos!
Cá está um pequenino texto que vale a pena ser lido. Gostei e recomendo. Sinto, despretensiosamente, dar prova de amizade transmitir o seu pensamento. Que a qualquer um, dá gosto saber haver gente que pensa bem… (GL)

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê.
Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia crimi…

Freedom and art

as peças
o puzzle ...
a forma
It´s a matter of time.

Recuerdos

Apetece-me pronunciar esta palavra quando oiço Guilherme Arantes… por razões indecifráveis, ele cantou os meus poucos hinos existenciais.

Kriol Jazz

O Kriol Jazz Festival realiza-se na cidade da Praia de 3 a 5 de Abril, na Praça António Lereno, Plateau, que vai se transformar numa sala de concertos ao ar livre – delimitada para os que querem pagar bilhete para assistir aos concertos sentados, e livre para quem quer assistir gratuitamente, da parte de fora.

O festival reúne nomes do cenário musical cabo-verdiano a artistas dos dois lados do planeta: Brasil, Cuba e Martinica, dos lados das Américas, ilha da Reunião e Madagasgar, na parte mais oriental, com a Guiné-Conacri a representar África continental.

Tudo isso no meio do Atlântico, na encruzilhada que é Cabo Verde.
Programa:

Dia 3 de Abril: Tcheka; Meddy Gerville; grupo Ba Cissoko
Dia 4 de Abril: Mário Lúcio; Lenine; Mário Canonge e Ralph Thamar
Dia 5 de Abril: Bau e Voginha, Regis …

MULHERES 1

As parcas
mulheres vestidas de negro
nenhuma pode amar
só uma sabe fiar
só uma pode cortar

As bruxas
especialistas em ervas e ungentos
detestam cruzes e crianças
adoram o gato, sabem voar

As sereias
mulheres – peixes azuis
um beijo pode cegar
dois beijos podem matar

As noivas
jovens trajadas de branco
as que bebem vão ao bar
as que fumam desenham
circunferências no ar

As virgens
odeiam a terra, vivem no mar
algumas não cantam, dão azar
outras são boas para dançar

nota pura: mulheres, segundo Arménio Vieira

Mulher!

Mulher! Quando o céu da tua boca
Arrasta o corpo da terra
Até à goela da água longínqua
A febre conta no arco-íris
Da carne que sangra
A montanha roída dos dentes…

E da cicatriz da mão
Brotam raízes
Que vicejam a memória dos séculos

poema: corsino fortes
imagem: picasso
nota pura: uma homenagem do poeta às violas dos nossos corações e ao chão que nos suporta: amanhã é 27 de Março, dia da mulher cabo-verdiana

Mais cinema

“Não quis fazer o que todos fazem: levar soluções aos africanos e dizer-lhes que nós, os ocidentais, vamos ajudá-los a superar a pobreza. A situação é forçosamente aquela, há que saber aproveitá-la.”
Numa certa perspectiva, essa visão confrontada sobre a pobreza e o sofrimento, poderia ser condenável, se o autor dessas palavras não tivesse demonstrado de forma desafiante o (s) significado (s) da sua colocação. Quando o artista belga Renzo Martens partiu para Congo para realizar, durante dois anos, Episode III: Enjoy Poverty (2008), tinha em mente isso mesmo: fazer um filme que explorasse “a estrutura montada” do maior produto de exportação africano: a pobreza e o sofrimento humano. Um “empreendimento desumano” perfeitamente naturalizado e explorado por muitos, menos pelos pobres.
Os jornalistas que vão em busca de furos de reportagem nos campos de refugiados, as organizações humanitárias, as grandes empresas ocidentais que exploram os recursos naturais (nesse caso, o ouro congolês), qua…

Momentos

“Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da vida, claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.”

foto: van gogh
texto: jorge luis borges

A invenção da beleza no Cinema

"Hollywood não existe", a afirmação é do realizador italiano, Marco Ponti - foto. Tal como Hollywood, também se trata de invenção fílmica a Roma de “La Dolce Vita” de Federico Fellini. Hollywood é um conceito que existe, porque existem pessoas que o procuram, afiança. Quando se chega em Los Angeles, seguindo o juízo de Conti, visita-se uma rua chamada Hollywood Bolevard, e lê-se a escritura da grande colina, e é tudo. Os filmes são rodados longe dali, e os astros não estão nos cafés da cidade... exemplos que ilustram a dimensão da invenção no cinema.

Nessa linha de invenção, de um outro modo, também se enquadram os mafiosos ítalo - americanos que passaram a se vestir e a se comportarem como os mafiosos do filme de Copolla, “O Padrinho”, o mesmo se sucedeu com os mafiosos cubanos em Miami, depois do filme “Scarface”. De caso em caso, o realizador foi pontuando a sua lição de cinema no terceiro dia da oitava edição do Infinity Festival, comumente denominado Alba Film Festival. …

Intermezzo

nota pura: os momentos "ausenta-se" por 10 dias… mas não deixa de nos fazer aquela visita. Afinal...

As dores de Laila

"Quando saíam juntos, ele ia andando ao seu lado, segurando-a pelo braço com uma das mãos. Para Laila, estar na rua tinha se tornado um exercício para evitar se machucar. Seus olhos ainda tentavam se acostumar à visibilidade limitada pela telinha da burqa e seu pés ainda se atrapalhavam com a borda daquele traje comprido. Ia andando, sempre com medo de tropeçar e cair, de quebrar o tornozelo ao pisar num buraco qualquer. Mesmo assim o anonimato que a burqa lhe proporcionava não deixava de ser confortável. Se por acaso encontrasse conhecidos, ninguém saberia que era ela. Não precisaria aguentar a surpresa estampada em seus olhos, nem a piedade ou a alegria deles ao ver a que ponto ela tinha chegado, como as suas elevadas aspirações tinham desmoronado."

In:A cidade do sol, Khaled Husseini

A chegada da poesia

Mário Quintana dizia que poesia não serve para nada; ou será Gullar? Os meus amigos brasileiros que me corrijam, se relevante acharem essa minha distracção. Mas quando atravesso um poeta como Pablo Neruda, percebo a razão da distracção. Devemos, sim, aos poetas essa apaziguada herança dos dias: infinita e anabalável.

Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

nota pura: esperamos, ela chega e parte, mas volta com "os dias que virão"

Vida com história

O Museu Cabo-verdiano, situado em East Providente, Estado de Rhode Island, nos Estados Unidos, vai ser reaberto no dia 17 de Março, e estará à disposição do público às Terças, Quintas e Sábados.
O seu espólio foi actualizado com novos artefactos, fotografias, mapas e livros relacionados com a história de Cabo Verde, a emigração cabo-verdiana e a própria Independência.

Outra componente do Museu, é a valorização do contributo dos primeiros cabo-verdianos que pisaram as terras do tio Sam: mostrando os tipos de trabalham que faziam, como embarcavam e desembarcavam, e o seu percurso. Essa demonstração é feita basicamente por fotos e objectos.

A música antiga cabo-verdiana nos Estados Unidos, os nossos atletas, inclusive alguns que participaram nas Olimpíadas, está tudo lá… uma história rica que merece ser revisitada e melhor explorada.

nota: sobre Ernestina,(foto) a embarcação que é parte dessa história, ler aqui fonte: nota do museu

Morrer lentamente

Morre lentamentequem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infelizcom o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentam…

Fesman em movimento

Abdias Nascimento,(foto) artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo e activista pela causa negra, foi condecorado pelo presidente senegalês, Abdulay Wade, com o diploma de Embaixador da Boa Vontade do FESMAN, Festival Mundial das Artes Negras. Abdias fundou em 1944 o Teatro Experimental do negro no Rio de Janeiro; viveu no exílio (1968-1981), foi pan-africanista; é autor de dezenas de obras sobre o racismo no Brasil, e várias peças de teatro de matriz cultural negra. Prof. Abdias, como é tratado, está sendo indicado para o Prémio Nobel da Paz pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental.

A 2ª reunião do Comité Internacional de Orientação do evento, que aconteceu na semana passada em Dakar, serviu ainda para estabelecer em regime definitivo as datas do certame: 1 a 14 de Dezembro de 2009.

O governo senegalês já trabalha na estrutura do IIIº FESMAN. O evento acontece num espaço de 40 mil metros quadrados na capital senegalesa, onde serão construídos várias salas de espectáculos, palc…

Andar per film… a Álba

O Festival de Cinema de Alba, na Itália, homenageia este ano o realizador John M. Stahl, (1886-1950) aquele que foi considerado o maior realizador melodramático da Hollywood no período que compreende o início dos anos 30 e o fim dos anos 40 do século XX. A edição deste ano, a 8ª, acontece sob o signo da Paixão, e achou justo prestar uma pequena homenagem “a um autor muito conhecido, mas definitivamente pouco visto”.

Quatro filmes do autor, elencados numa sucessão cronológica, vão ser alvos de uma ampla reflexão no sentido de se conhecer a fundo o seu trabalho. (Back Street) melodrama no feminino com Irene Dunne; (One Yesterday, 1933), história de amor: (Imitation of life, 1934 - foto 2-) e (Magnificent Obsession, 1935 - foto1-).

O Festival de Alba terá uma outra janela denominada They Have a Dream

No ano em que Obama chega à presidência dos Estados Unidos e num período de crise acentuada, o Festival decidiu tomar o pulso da história e reflectir sobre as diferenças entre dois países, duas…

Maiu na kapital

1. A Cidade da Praia estará mergulhada, dentro de dias, num turbilhão de acontecimentos: todos de cariz cultural e de grande relevância. A primeira grande nota vai para a exibição do filme ALIKER de Guy Deslauriers, no Centro Cultural Francês da Praia, marcada para o dia 20 de Março. Quem se deslocar ao local, terá a oportunidade de conversar com o realizador e o protagonista filme Stomy Bugsy (na foto), rappeur e actor francês de origem cabo-verdiana.

No dia 21, Stomy actua na Cidade da Praia com o seu grupo La MC Malcriado: um dos selos desse grupo francês cabo-verdiano, surgido em 1998, é o resgate de conhecidas músicas crioulas numa versão mixada de textos e ritmos.

2. O ano internacional de Darwin será assinalado em grande na Capital cabo-verdiana. De referir que a Cidade da Praia, foi o primeiro ponto da viagem de 5 anos de Charles Darwin para as suas pesquisas naturalistas que viriam resultar no seu trabalho científico incontornável: “A origem das Espécies”. A Câmara Municipal da…

MariAzul

vai
catando
migalhas
Maria!

pedrinhas de ladrilhar

semínimas
furando
o sonho

uma luz
de não negar

Vai
de pé com o infinito
Maria

nobreza sem espaldar
com as mãos
oferece a terra
sorrindo
oferece o mar

Nem pense
verter
Maria...
Um rio sem foz

Um acorde
acordará
o ar

chorar
Uma cachoeira
Nas pedras do soluçar

nota pura: teria que recebê-las de uma flôr para até aqui trazê-las … é quando dos dias deixamos deduvidar para em paz perseguirmos a certezados momentos. Nem pense verter Maria... Um rio sem foz, suplicou o poema

QUADROS 2

POEMA DE NZÉ DE SANT’ Y ÁGU Indiferente observo
a veemência dos insultos
nas pelejas das comborças
inundando o sôfrego silêncio
das tardes dos subúrbios

Impotente assisto
ao regular faiscar das navalhas
na vaidade das feiras semanais
e na euforia das festas de são salvador do mundo

Impávido perscruto
o arquitectado duelo de palavras
atiçando a sensualidade das suladas
sobre as ancas largas das moças do interior
refulgindo nas alegres incursões aos fontenários
na eloquente solenidade das procissões e das missas cantadas
e no burburinho das festas de romaria e dos santos padroeiros

Sorridente comovo-me
com o terno sossego
das mães-de-filho
e enternecido lacrimejo
com o apaziguado júbilo
da amamentação
nas festas do sétimo dia
de guarda-cabeça
dos filhos primogénitos

Lisboa, Janeiro de 2009
José Luís Hopffer C. Almada

Fesman a caminho

Decorre desde ontem em Dakar, Senegal, e termina hoje uma reunião do Comité Internacional de Orientação do III Festival Mundial de Artes Negras, FESMAN. Esse evento será realizado de 1 a 21 de Dezembro sob o lema Renascimento Africano em sítios emblemáticos do Senegal, e com alguns palcos em Cabo Verde. O encontro de Dakar foi aberto pelo Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, que na ocasião disse que, «L’heure de l’histoire vraie est arrivée pour que les pays d’Afrique continuent à lutter contre toute domination.» Afirmou mesmo que «le Fesman est l’arme la meilleure pour fortifier la foi en l’unité africaine».

Na reunião marcam presença figuras dos 80 países participantes do festival, com destaque para os representantes do Brasil, o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o Presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo. De realçar, que só do Brasil vão participar 300 artistas das mais diversas áreas. Os nomes ainda não foram divulgados, mas Gilberto Gil é presença incontornável. Inicialm…

A Canção da Vida

A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)

Mário Quintana

O Colunista, a África Negra e Nino Vieira

Nino Vieira e Amilcar Cabral nas matas da Guiné Sempre apreciei cronistas com capacidade de tematizar, indivíduos que escrevem sobre temas de interesse que muitas vezes estão lá, sem ninguém dar por eles; e acho mesmo que esses são uma mais valia para qualquer jornal, porque complementam, em vez de estar a repisar em factos da actualidade que merecem, como não podia deixar de ser, tratamento jornalístico pelo órgão.
Escrevo a propósito do último artigo de Onésimo Silveira no Jornal A Semana intitulado "O poder político africano". Um texto bastante elucidativo, e que ganha mais força hoje com o assassinato do Presidente da Guiné Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira.
Com um rasgo didáctico que lhe é peculiar, Silveira começou por definir Poder em duas frentes, primeiro como “arte de comandar a natureza”, e finalmente “a arte de comandar os homens”; num percurso evolutivo e dialéctico pontua o surgimento das bases do poder político, depois a configuração jurídico-legal …