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Vadú

Vadú




















O jovem compositor e intérprete Vadú (1977- 2010) era um promissor músico da nova geração.

Numa hora em que o país ainda chora a morte de “Codé di Dona”, os cabo-verdianos acordaram inconsoláveis com a triste nova do desaparecimento do autor de “Preta”.

A trajectória artística de Vadú ficou marcada por três álbuns, nomeadamente Ayan (obra colectiva de 2001), Nha Raiz (2005) e Dixi Rubera (2007), para além de inumeráveis e surpreendentes espectáculos em Cabo Verde e no estrangeiro. Vadú era considerado um nome promissor da música contemporânea de Cabo Verde, e fazia parte do rol de talentos da denominada Geração Pantera.

Tinha uma característica peculiar e eclética, introduzindo rudimentos do jazz e alternantes no mais tradicional da música crioula. Trouxera de Cuba, onde estudou, o gosto pela viagem inter-rítmica.

Era, por um lado, fundamentalista nas suas raízes do Batuco, Funaná e Tabanka. Por outro lado, aberto aos sons múltiplos da “world music”, sem se descurar doutros mil tons das cantigas cabo-verdianas, este artista parecia um alquimista quando compunha e interpretava as suas canções. Era-o assim também quando reinterpretava as músicas de Orlando Pantera, Princesito, Tcheka Andrade, entre outros que lhe eram contemporâneos.

A multiplicidade de estilos se fazia sentir também nos poemas das suas composições, onde as questões sociais e culturais vinham ao de cima como aspectos determinantes do seu processo criativo. Esta característica entre o urbano e o rural, entre o local e o universal era Vadú, quem nos cantava Ladridja, Dixi Rubera e Lus, esta última composição magistralmente interpretada pela cantora Nancy Vieira.

A voz que ora se cala, na sequência de um estúpido acidente ainda por esclarecer, na via entre Ponta do Sol e Ribeira Grande, na Ilha de Santo Antão, continuará a ecoar na memória de todos.

Vadú nascera na Cidade da Praia, em 1977, e teve uma vida curta e meteórica, mas o suficiente para se inscrever no panteão dos nomes da Cultura de Cabo Verde.

Comentários

Anónimo disse…
Oi Magui.

Muito bonito o texto que escreveste sobre o Vadu.

Levei um susto hoje de manha quando liguei aos meus pais e eles me contaram o sucedido. E uma grande perda para a nossa musica, e para nos os seus amigos, na certeza porem que Deus o tem em Boa Guarda. Paz ao seu espirito.

Beijinhos para ti e que haja coragem para viver com todos estes acontecimentos no nosso Cabo Verde.

Tua amiga Romira
Fatima disse…
Olá!
Encontrei seu blog procurando um texto de Pablo Neruda que vou publicar amanhã no meu blog: vivereafinaroinstrumento. Pois bem, comecei a ler e foi a tarde inteira.
Que beleza de blog!
Lamento muito a morte dos artistas mencionados, que infelizmente não conhecia, e que a partir de agora conheço pelo seu blog. Tb gosto muito de música e estou sempre falando dela.
Vou levar seu blog pra lista dos meus favoritos e pelo jeito vou estar sempre por aqui agora.
Bjs e muito prazer.
Pura eu disse…
Obrigada, Romira! Precisamos, sim, de muita coragem. Mas não há de ser nada... Bom ano para ti

Fátima, bom saber que numa surfada ao acaso, encontrou "Os Momentos" e gostou. Fica por cá. Bjs

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