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Tarantino, Eli Roth, e o gosto (vermelho) de sangue

tarantin
















Da estética: Volto a Quentin Tarantino, provocador-mor do cinema. É daqueles astros, herméticos e misteriosos, no propósito estético e psicológico da arte que praticam. Na sexta-feira passada, a TCV exibiu Hostel: part II, uma realização de Eli Roth, com participação de Quentin Tarantino na escrita original do argumento e na produção. Um filme que percorre todos os labirintos de loucura (habitués) do realizador. A fotografia é irrepreensível: a cinza do silêncio, a luz e a sombra, a ponte e as extremidades do terror (entre a clausura e a liberdade), as figuras pálidas de feições expressivas na sua diversidade (todas), os cães de andar serpenteado, a cama de ferro, a morte ensanguentada, a “ética” do pacto no sub mundo do crime. Só visto! A corrupção, a degradação humana, a decadência da vida da terra, e o teatro da morte a vermelho, como a celebração do fim.

Do enredo: a narrativa serve de ponto de partida e de chegada para as provocações estéticas de Eli Roth/Tarantino, (discípulo e mestre) um pretexto para os complexos diálogos inter textuais: um cartel com base na Eslováquia que domina e mata as suas presas humanas como demonstração de poder e escárnio. Tudo acontece num sítio encurralado, exageradamente tecnológico. As vítimas sofrem até à morte e, ao mostrar esses pormenores, Tarantino se afirma hiperbolicamente igual à sua linguagem fílmica; Os preparativos também são impecáveis; as vítimas são perversamente bem tratadas nos preliminares do fim.

Do olhar: ninguém consegue em perfeita dimensão enquadrar o excesso de violência no Hostel II (alguns países proibiram a exibição do filme): o realizador e Tarantino, juntos, exploram o seu domínio ilimitado da linguagem cinematografia: pintam cenas, dão corpo a mundos, constroem e destroem ilusões. Matam com perversão e violência total. Dir-se-ia que trabalham para um clube de admiradores do sangue.

Sem redenção: na cena final uma mulher decapita a outra e, de seguida, surge um grupo de meninos de feição latino-americana a fazer de bola de futebol (divertidamente) a cabeça da vítima.

Anos

Os momentos” completou seis anos na semana passada. Gosto de aqui estar a partilhar convosco o dia que passa. É uma “força estranha”: pura eu

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