Avançar para o conteúdo principal

Teledramaturgia...

Nelson XavierAcompanho com interesse as telenovelas brasileiras, por razões várias. Primeiro, porque são, de um certo prisma, as melhores do mundo. Também porque é uma das formas de acompanhar o pulsar da complexa realidade social do Brasil. As telenovelas, sobretudo, as da Globo permitem isso, ainda que delas tenha uma perspectiva crítica. A depender do realizador, do elenco e da tipologia (urbana, regional, época), vai variando o nível de interesse. Sem contar a minha paixão para ler o enredo e a trama. Acompanho, sim, as telenovelas com preocupações muito particulares e próprias, mas de forma despretensiosa.

Da actuação, não apenas nas telenovelas, tenho a mania de me atentar nos actores secundários e acredito que, quase sempre, são eles as chaves para os grandes enigmas. Depende muito do faro do director e do carisma do actor, claro está. É nessa óptica que queria destacar o brilhantismo na actuação da personagem Bento (foto) na telenovela Belíssima, interpretado por Nelson Xavier. Só agora, passados cinco meses do início da emissão desta telenovela pela Televisão de Cabo Verde, é que Bento começa a se revelar, remexendo em pistas chaves que permeiam toda a história. As suas esporádicas aparições anteriores foram igualmente marcantes. Confesso que no início estranhei que um actor como Nelson Xavier estivesse a desempenhar um papel tão aparentemente secundário. Depois, comecei a ver que estava enganada. O mesmo direi do seu companheiro de quarto: um miserável de olhos tristes que engendra sofisticados golpes e crimes horrendos. Independentemente da pertinência da história, que deve intrigar à priori, é fascinante a capacidade funcional das redes conflituais, principalmente se for uma obra, à partida, fechada. Não sei se foi o caso da telenovela em questão.

O problema é que o potencial de uma telenovela pode se diluir no seu próprio formato: histórias prolongadas que se fragilizam com o tempo, por exemplo. É um desafio.

Voltando à telenovela, é também pela acertada colocação dos actores secundários que uma boa trama se desenrola. Secundário nada tem a ver com o eventual papel marginal que se depreende de um enredo ou de uma narrativa...

Natal

Pelos braços de um anjo, entrei na dança
Desde o toque inicial, o balanço (bom)
A música, tua e minha
E todo o Natal...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

Depois da Bandeira

1. SÃO LOURENÇO continua a ser um dos lugares mais agradáveis da Ilha do Fogo. O cemitério casado com a igreja e a casa paroquial; um lugar quase ermo, com a cara voltada para o mar, e um punhado de terra no ventre. Terra boa que d...eu bons filhos à ilha. Nesse cemitério, sob a imagem de uma pirâmide, mesmo à entrada, fica a campa do médico e escritor, Henrique Teixeira de Sousa, natural de Outrabanda, freguesia do Santo. Dois passos à frente descansa eternamente Padre Fidelis Miraglio, o eterno pároco de S.Lourenço e um dos primeiros Padres Capuchinhos italianos a pisar Cabo Verde. Na residência paroquial, mesmo ao lado, vive outro pastor de S.Francisco: Padre Camilo Torassa, italiano, filho de Cuneo, a viver entre Fogo, S.Vicente e Brava há mais de 50 anos: apesar do mal que lhe aflige os olhos e as pernas, a lucidez o acompanha. Éramos quatro adultos e uma criança, e fomos expressamente a São Lourenço para o visitar. Conversa vai, conversa vem, desafiou a um dos visitantes que co…