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N dour, Bergman e a minha canção

1. Yossou N dour actuou no Festival de Santa Maria, na Ilha do Sal, e regressou, ontem à noite, ao Senegal, depois de uma paragem de algumas horas na Capital. É a terceira vez que esse músico senegalês actua em Cabo Verde. A primeira foi no Club Naútico, em 1999, e a segunda no Fesquintal, Festival de Jazz, em 2002. Les super étoiles (a banda) disseram que no Sal foi tudo magnifique. No nosso segundo espectáculo chovia, lembra? E haveria de esquecer esse dia memorável! Perguntam se se conhece por cá o seu Live à Bercy, DVD gravado em 2005, em França, num espectáculo inesquecível. Claro, passa na TCV.
Poderia escrever, concretamene, sobre a forma nada apoteótica como conseguimos receber um dos artistas mais nomeados da actual arena musical africana. Mas não…
Youssou N dour começou na música em 1978, ao lado do exímio percussionista Babacar Faye, que continua com ele até hoje. Faye, além de percussionista, é o responsável pela animação dos momentos que intercalam os espectáculos. Yossou N´dour começou a atrair os holofones do mundo, depois do encontro com Peter Gabriel em finais dos anos 80. J´aime ta voix, foi esta a frase dita por Gabriel a N´dour, e que selou o início de uma longa parceria. Yossou N´dour é conhecido como o homem do mbalax, pela ousadia nos arranjos que, com os seus músicos, imprimiu a esse ritmo tradicional. Com o passar dos anos, algumas correntes mais puristas o tem acusado de um certo desvio universalista. Mas vale ressaltar, que esse músico possui outras grandezas, à par da sua arte. É considerado uma personalidade africana, pela forma descomplexada como assume as causas do continente negro.

2. Gosto de um filme, pelo sabor de sua história, e pela sua narrativa, seja ela linear ou não. Parece-me algo difícil de conciliar e admiro aqueles que o fazem com mestria. Aprecio as histórias do Bergman, a forma como ele reduz o ser humano à sua condição (exercício complexo): Um verão com Mónica, O Sétimo Selo, como exemplos; o seu distanciamento perante os detalhes existenciais é total. E consegue tudo isso com belos, e por vezes, longos planos, muito silêncio, toques de camera... Porque é que agora tem de ser tudo a velocidade de um chip?! Exemplo disso é o filme Firewall (2006) com Harisson Ford. Num enredo veloz desses, fica a história e as suas implicações actuais, mas dificilmente retemos as ambiências que sempre contam, para uma boa sessão de cinema.

3. Canção minha

Ligo o rádio e perco o controle do som,
momentos de aflição, aqueles.
Tudo regressa ao lugar,
quando oiço a canção que mora aqui dentro.

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