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Slow Food em Santo Antão
















Há uns tempos, albatrozberdiano fez um post sobre a associação internacional Slow Food, fundada em 1986. No ano passado fiz uma nota sobre o mesmo assunto. O movimento cujas raízes estão em Roma, congrega cerca de 100.000 pessoas no seu seio, e está presente em 104 países e nos cinco continentes. Promove a educação do gosto, luta pela preservação da biodiversidade agrícola, organiza manifestações, publica livros, revistas, e como o próprio nome indicia combate o Fast Food.
Em África, a Slow Food está presente em seis países, e acaba de chegar a Cabo Verde. Um dos seus objectivos é apoiar pequenos agricultores na preservação da produção artesanal de qualidade, garantindo, ao mesmo tempo, o futuro da comunidade local.
O queijo de cabra produzido no planalto da Bolona, em Santo Antão, vai ser o primeiro convivium (expressão da filosofia da associação) da Slow Food em Cabo Verde. Bolona é uma área montanhosa e árida; os queijos são produzidos com técnicas artesanais (com o mínimo de água possível), em condições ambientais muito adversas, e são pouco conhecidos.
A intervenção da Associação Slow Food consistirá no aperfeiçoamento da técnica de feitura do queijo, mantendo o sabor, e vai contribuir para o conhecimento deste produto no mundo. Ao criar um circuito comercial para o queijo de Bolona, a associação estará a garantir a permanência das pessoas na localidade.
O projecto de Bolona é financiado pela Região de Piemonte, Itália, e pelo programa do melhoramento da produção agro-zootécnica na Ilha de Santo Antão. O trabalho técnico será executado pelo Departamento de Patologia Animal da Universidade de Torino, cuja missão chega a Santo Antão no próximo mês.
De recordar que outra iniciativa, igualmente de Santo Antão, (transformação de alimentos em Lajedos), esteve presente, este ano, numa feira mundial promovida pela Slow Food em Itália.

Comentários

Filinto Elisio disse…
Os mercados municipais da Praia, Santa Catarina e São Filipe deveriam concorrer a espaços de Slow Food. É uma questão de investir nos alimentos orgânicos e nas ervas medicinais, requlificando o espaço em termos de restauro, decoração e higiene. Eis um segmento alternativo para tais mercados que não deixam de ter significado histórico-patrimonial.
Pura eu disse…
Realmente nós temos muitas produções dignas em cabo Verde de concorrerem ao projecto Slow Food... acredito que o caso de Bolona é um primeiro passo.

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