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Quando a propaganda invade o campo simbólico do jornalismo

falsa democracia



















... existe uma relação simbiótica entre jornalismo e democracia, residindo no núcleo dessa relação o conceito de liberdade, fulcro do desenvolvimento do jornalismo. (Nelson Traquina)

À luz da afirmação acima, pergunto: com que liberdade “o jornalista” (ou aquele que invade o seu território simbólico) faz perguntas num tempo de antena partidário? Entendendo o perguntar como um recurso fiscalizador, de interpelação com vista a um melhor esclarecimento da opinião pública, e colocando o jornalista na bancada do contra poder.


1. Quinta à noite, numa tentativa forçada de imprimir ares de confronto num espaço de propaganda do PAICV/Governo (as margens são tênues), o “ideólogo” da peça brindou aos cabo-verdianos com um tempo de antena encapotado de jornalismo. Por duvidar de que se trata de um recurso puramente estético, e por defender as balizas de uma comunidade interpretativa, a jornalística, numa sociedade que dela bem precisa, partilho livremente a minha opinião sobre a matéria. Senão vejamos: em vez de o Primeiro-ministro/presidente do PAICV, se assumir, em parâmetros, como o emissor da mensagem, eis que aparece um entrevistador, que aos olhos do telespectador comum é um jornalista, com perguntas sem rasgos sobre o desemprego, a pobreza, e outros temas da governação.

2. Perseguindo a mesma linha de confrontação, sempre necessária em democracia, aproveito para lançar um repto à Associação dos Jornalistas e à Comissão de Carteira Profissional: fiscalizar os “jornalistas” que já estão no terreno a fazer recolhas para o tempo de antena dos partidos, e depois aparecem em programas dito informativos. Da AJOC, ainda que a título de luz no fundo do túnel, espera-se um sinal para os tempos ambíguos que se avizinham.

3. Finalmente, dizer que não sou contra a propaganda, e muito menos ao facto de os partidos trabalharem a sua imagem para se mostrarem de forma mais tragáveis aos olhos do eleitorado. Que assumam os procedimentos e a linguagem, e não persistam nessa camuflada invasão de campos, (adoptando???) um ethos (o jornalístico) para confundir a opinião pública.

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