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As paixões da Misá

O quadro acima é parte da colecção Os apaixonados da artista plástica cabo-verdiana Misá. Expressa-se ali a mesma paixão e curiosidade que a artista demonstrou ter para com as suas raízes, quando em meados da década de 90 deixa a Suiça e escolhe trabalhar com os “Rabelados de Espinho Branco”, povo que optou pelo isolamento, devido a convenções sociais e religiosas, no interior da Ilha de Santiago.

Misá, num esforço híbrido, contribuiu para a adaptação e abertura dessa comunidade, e os frutos desse trabalho meritório são agora por todos reconhecidos. A comunidade, que antes era contra a frequência escolar das crianças, já tem escola; as ladainhas que testemunham um dos momentos mais místicos e profundos do grupo estão hoje em CD, reportando para a posteridade essa memória; e a subsistência da comunidade é parcialmente garantida pelos vários trabalhos artesanais desenvolvimentos por jovens e adultos graças aos dotes professorais da Misá.

A comunidade dos Rabelados de Espinho Branco é uma espécie de museu vivo que se visita por gosto e onde está-se por prazer. Saiba mais sobre a Misá aqui.

Comentários

Objectivo disse…
Vi um programa na RTP sobre os "Rabelados" que me intrigou, e me despertou para as várias especificidade das ilhas de Cabo Verde.
O ritual litúrgico próprio dos "Rabelados", a sua propensão ao sectarismo por não gostarem de qualquer forma de autoridade, fez-me sonhar.
De facto, essas pessoas deviam ser mais "acarinhadas" e a sua cultura alvo de estudos etnológicos e históricos, com vista à criação de um ecomuseu que facilitasse a compreensão da sua mundividência. Mas será que eles queriam que o seu território natural fizesse parte de um ecomuseu, eles que são contra qualquer forma de autoridade? :)
Eu, enquanto museólogo, adoraria fazer um trabalho destes! Será que não há ninguém aí nas ilhas que pegue nisto?
Pura eu disse…
Curiosidades académicas sobre Os Rabelados têm surgido, quase sempre, da parte de estrangeiros. Ultimamente mais ainda.

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