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Poesia é insubordinação












A estrada que liga os três concelhos da Ilha de Santo Antão foi considerada a maior obra feita em Cabo Verde desde a independência. Não sei se essa dimensão parte de pressupostos puramente físicos, (tamanho da obra, investimento, etc) ou se, em termos absolutos, cobre necessidades tão extraordinárias. De todo o modo, essa ideia de sonho que vira realidade me levou ao passado das ilhas, e me fez pensar num poeta como Jorge Barbosa. Para mim, um profundo sonhador, um cabo-verdiano absoluto que a partir do cais dos dias (entre o real e o onírico) escreveu alguns dos mais belos versos destas ilhas. “Cinzeiro” e “Prisão” de Jorge Barbosa para todos aqueles que aplaudem esse sonho chamado Cabo Verde.

“À noute quando escrevo
tenho fantasias
que não chego a escrever
nem conto a ninguém
Esta, por exemplo,
de ver um paquete
no meu cinzeiro
de feitio oblongo!
Ponho nele, de pé,
as pontas dos cigarros
são mastros
e chaminés fumegantes (...)”

“Pobre do que ficou na cadeia
de olhar resignado
a ver das grades quem passa na rua!
Pobre de mim que fiquei detido também
na ilha tão desolada rodeado do mar!
as grades também da minha prisão!”

nota pura: também eu (tal como o poeta) escrevo nas noites, e enquanto houver noites (comigo junto) vai existir este blog. Insubordinação, sempre...

imagem: a estrada: via e-mail

Comentários

Amílcar Tavares disse…
Assino por baixo!
Pura eu disse…
:) companhia...

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