Avançar para o conteúdo principal

Ca tem ninguém sima él

mercury























Fiquei com o refrão “ca tem ninguém sima bó” na cabeça desde que ouvi a versão da música “One Love” de Sara Tavares, interpretada por Daniela Mercury: a diva baiana que encanta com a sua alma de artista a todos quantos reconhecem no chão da Bahia uma síntese cultural com selo atlântico. A origem desse encontro pela via atlântica, como se sabe, foi em Cabo Verde, em Santiago, o interposto do novo mundo, mas não existe corredor mais possante do que aquele que se vive em Salvador da Bahia.

Daniela Mercury, nas últimas duas décadas, tem sido uma das traduções (em seu tempo, a seu ritmo, e em semblantes diferentes) desse universo complexo e profundo que nos interpela a todos quantos existimos através desse (e nesse) corredor do mundo. Nós, a quem pouco interessa o centro ou a periferia. A música de Daniela Mercury, toda ela, tem raiz profunda nessas melodias atlânticas de que se fez o Brasil, ou concretamente, a Bahia de todos os Santos.

Um show de Daniela Mercury como presente do Brasil aos 35 anos da Independência de Cabo Verde é de uma simbologia profunda e comovente. Não foi por acaso que a rainha do axé music se encontrou com Sara Tavares, a autora dessas sabias palavras:

Um só povo
Um só coração
One love

Branco ku preto
Burmedjo ku marelo
Ka tem diferença não
Ama na fé
Ama bué
Amor grande no coração


2 de Junho, no Gamboa: é para conferir!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

CODÉ DI DONA: 1940-2010

Codé di Dona tem um perfil de funaná que cativou a atenção da nação” disse Eutrópio Lima da Cruz em entrevista à TCV.

Todos são unânimes em considerar Codé di Dona (1940-2010) como uma das figuras incontornáveis do funaná, género musical outrora confinada à Ilha de Santiago, hoje com ressonância universal.

Compositor de músicas definitivas do repertório nacional, como “Febri Funaná”, “Fome 47”, “Praia Maria”, “Yota Barela”, “Rufon Baré” e “Pomba”, entre dezenas de outras, Codé di Dona emocionou os cabo-verdianos, ao longo de uma meteórica vida artística, com a singularidade das suas melodias e a poesia das suas letras. A composição “Fome 47”, só para citar um exemplo paradigmático, constitui uma imensa referência sobre uma das realidades históricas mais marcantes de Cabo Verde: a estiagem, a fome e a emigração para São Tomé e Príncipe. A imagem da partida do navio “Ana Mafalda” faz parte do imaginário colectivo dos cabo-verdianos, tanto que essa música é entoada, como um hino, pelos se…

Poema de amanhã

(...) - Mamãe!

Sonho que, um dia,
Estas leiras de terra que se estendem,
Quer sejam Mato Engenho, Dacabalaio ou Santana,
Filhas do nosso esforço, frutos do nosso suor,
Serão nossas. (...) ilustração: Mãe preta de Lasar Segall, 1930 poema: Poema de amanhã de António Nunes, 1945

HISTÓRIA, Dire Straits... uma dentre tantas outras da minha banda preferida

Com uma harmonia perfeita de guitarra, teclados, bateria e músicas originais o DIRE STRAITS coloca o seu nome na história como uma das maiores bandas de todos os tempos.
Tudo começa quando os irmão Mark e David Knopfler resolvem formar uma banda de rock um tanto diferente das demais (pois estavam na época da plenitude do punk rock). Até então MK já tinha tido outras experiências em outras bandas (na época de formação da banda MK era um professor de inglês) e DK era funcionario público. David(guitarra), Mark(guitarra e vocal), John Illsley(baixo) e Pick Withers(bateria) que se integraram ao grupo, formaram uma banda chamada Cafe Racers que mais tarde passou a se chamar DIRE STRAITS. Juntos fizeram uma demo que incluia um, até então, futuro sucesso do grupo "Sultans of Swing", mais tarde assinaram com o selo Vertigo e conheceram Ed Bicknell que seria o empresária da banda brevemente. Logo lançaram em 1977 o seu primeiro álbum que intulava-se com o nome do grande sucesso da ban…