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A minha insensatez futebolística

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Este post cumpre um propósito sui generis: o de confessar a minha ignorância franciscana em matéria futebolística. No passado sabado, enquanto decorria o jogo Inter de Milão x Bayern de Munique, não tinha a mínima noção de que se estava no final da Liga dos Campeões da Europa.
Na estrada Milão, Torino, (aqui na Itália) depois de entrar em dois restaurantes diferentes, e ter notado a mesma euforia, cheguei à conclusão que, sim, estava realmente a passar ao largo de um grande evento. Em Fossano, no pitoresco “Mania di Pizza”, sugeri que parássemos e assistíssemos aos momentos finais da partida. Soletrei à entrada na camisola de um cidadão, a palavra Milito que na hora não me disse coisa alguma. Terminou a partida, e tudo o resto foi surpreendente: da reacção das pessoas à dimensão da transmissão na RAI 1. Aquele choro de Mourinho que não acabava mais, o treinador considerado pelos comentadores “o deus desta noite”. Curioso: o dono do restaurante, Toninho, que não ligava a nada disso, apenas disse que no Inter de Milano não havia italianos (juro que não sabia). Uns saíram para festejar, Toninho e outros conversavam à porta do restaurante sobre alguma coisa que não o futebol, e eu, sozinha dentro, continuei a a assistir a emissão, a ver se ganhava alguma sensatez em matéria futebolística.

Comentários

Rui Almeida disse…
É, pois é. Mesmo que não se perceba tecnicamente de uma área é preciso conhecer a dimensão do fenómeno.
O futebol é dos maiores fenómenos sociais do mundo (vide a Copa que começa dentro de dias).
Cabo Verde não foge à regra, ainda p cima c a ligação a PT onde a coisa é a mesma (conheces os 3 f's de PT? Fátima, Fado e Futebol).
E tu, criola, tens de assimilar isto.
Anónimo disse…
Pensei que os jornalistas sabiam de tudo. É que opinam sobre tudo. Por exemplo, você Margarida, a quem respeito como profissional, postou alguns textos que me levaram a duvidar dessa qualidade: ao questionar o micro Um minuto de cidadania deixou muito a desejar. Equívoco foi seu texto. Outro post foi quando dissertou sobre as leis sobre imprensa em Cabo Verde: pelo que sei os pontos que você trouxe foram todos ultrapassados pelos deputados ainda antes do seu post. Felizmente que agora reconhece que desconhece o peso de um fenómeno tão globalizante ou globalizador como o futebol. Um detalhe económico-financeiro: a maior multinacional do mundo é a FIFA.

Abraço desde Lisboa, onde o futebol nos envolver a todos e todas.

Mara
Pura eu disse…
Consigo dimensionar o fenómeno, Rui, numa perspectiva lata, claro. Digamos que o que me escapa em pleno sao as dinâmicas de permeio... onde entram a emoção, as entradas e saídas, e tal. Espantoso mesmo é o meu desinteresse ...
Pura eu disse…
Mara, estranha a forma como pontua o meu profissionalismo para depois levantar duvidas quanta às minhas reais qualidades. Nesses casos, é bom ir directo ao assunto.
Equívocos são os seus reparos, me permita. Primeiro, porque o jornalista não tem opinião sobre tudo e nem poderia. Segundo: a minha posição sobre o micro spot é aquela, e já agora seria bom que nos dissesse a sua: os argumentos nos hão de valer.
Em terceiro, os pontos (sobretudo da Lei geral de Imprensa) realmente delicados, passaram “batidos” no parlamento. Aqueles alterados pelo deputados não eram estruturantes. Está a sugerir que escrevi sobre algo que desconhecia? Grande equívoco.

É tão fatal para si desconhecer esse fenómeno globalizante que é o futebol? Para mim não...
da caps disse…
Sinceramente não percebo porque é que um jornalista, que não é da area de desporto, tem que saber o dia em se vai realizar uma final de liga dos campeões, onde jogam duas equipas uma italiana e outra alemã.

Rui Almeida, os fenómenos têm a dimensão que os quisermos atribuir. Vá a um país nórdico europeu e surprenda-se com quantos é que não sabem do dia de uma final de liga dos campeos.

Também não percebi o que tem este facto (não estar por dentro do dia da final da liga dos campeos) com opinião da mesma sobre leis que incidam sobre a profissão que a mesma exerce.
Pura eu disse…
da caps, na mouche!

vejo que captaste o fundo ironico do meu texto... (estou tranquilissima em nao saber o dia do final da liga, e tu percebeste isso)
quanto às tais leis, a reacçao é desproporcional ao texto e é ferida de outra guerra.
Bjs

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