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Ontem assistia com prazer à entrevista do infecciologista brasileiro, Anástácio Queirós Sousa, no Jornal da Noite, da TCV. Este demonstrou ser um profissional de referência na sua área, estando de parabéns todos aqueles que estiveram por detrás da sua vinda a Cabo Verde, sobretudo nesta hora crítica para a Saúde Pública. Mas o homem surpreendeu-me também pela sua postura frente às câmaras de televisão: respostas curtas e fechadas, e sentido atento à jornalista. O entrevistado que dá respostas longas e cheias de ideias intercalares, o que se tornou norma nestas paragens, diga-se, cansa o público e quebra o ritmo da entrevista. Forçoso que se saiba que o entrevistado que olha para a câmara em vez de olhar para a jornalista está mal assessorado.

E falando em assessoria, dá para perceber que existe uma lacuna crescente nesta matéria em Cabo Verde, o que tem dado azo a outras leituras, um tanto ou quanto errôneas, do meu ponto de vista. Pessoalmente, gostaria de direcionar a atenção para a música, por exemplo. Todos os profissionais de comunicação que tiveram um mínimo de experiência no exterior (ainda que em estágio) perceberam, por exemplo, o nível de exigência marqueteiro que envolve a produção e o lançamento de um disco. Qualquer artista digno desse nome nunca pensaria em lançar um disco, sem antes ter preparado um package press e uma estratégia de mediatização do mesmo.

Não basta ser jornalista para fazer boas reportagens sobre música, sobre religião ou sobre saúde. Exige algo mais, embora a técnica profissional e domínio acadêmico sejam condições importantes. A especialização é outra coisa, e isso acontece na maioria das vezes no exercício da profissão. Mas para isso, há que existir ambiente. Ou seja, quem produz deve estar em sintonia com quem intermedeia o consumo. Uma sintonia, não necessariamente de mestre, mas sim, de parceria - tipo cada um faz a sua parte. A interdisciplinaridade e a complementaridade. Os músicos precisam de se equipar para vender o seu produto. Hoje é assim. Os jornalistas, estes devem ser interessados, muito interessados, e investigar sobre o campo, mas os músicos, os políticos, os economistas, devem, hoje mais do que nunca, equipar a sua assessoria especializada, ao invés da “deseconomia” de apontar o dedo para o vazio bizantino...do nada.

Comentários

Anónimo disse…
Margarida, um bom texto...thanks.

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