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Cinema e cinema

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Falemos d´«Orquestra da Piazza Vittorio », um filme documental do realizador italiano Agostinho Ferrente (2006). Assisti ao filme, e a outras tantas dezenas no Festival Internacional de Cinema de Alba, em Itália. Acresce a isso, um debate sobre o trabalho com o realizador. O filme conta com entrevistas e outros apanhados, o percurso da criação de uma orquestra, num distrito de Roma, composta por músicos desconhecidos de várias culturas e línguas. Os 4 anos que Mário Tronco, compositor e pianista, levou para criar a orquestra são recheados de flashes da vida dos próprios «músicos»/personagens que hoje fazem parte da orquestra. O interessante, a meu ver, foi o caminho percorrido por entre linguas e culturas, tendo a música como guia. O que poderia ser uma babel, acabou numa sinfonia...O proprio realizador que provavelmente se surpreendeu com o efeito (a criação efectiva de uma orquestra) afirmou que caso isso não tivesse sido possível, concluiria ser impossível organizar uma orquestra em Roma. Mas o documentário mostrou que não: o realizador, enquanto tal, com arte e visão, pode mudar a realidade, interferir-se nela com uma camara de filmar. A Orquetra de Piazza Vittorio que se formou com a conclusão desse filme, ora actua em várias partes do mundo.

O Festival…

Não é a primeira vez que escrevo sobre o Festival Internacional de Cinema de Alba, fundado por Octávio Fasano, padre capuchinho que vive entre a região de Piemonte e a Ilha do Fogo. Um visionário e homem do seu tempo.
Esse certame, apesar de local, tem uma abordagem extremamente pertinente e actual no que se refere à produção cinematográfica e audiovisual, a nível mundial. Este ano, sob o tema « Rir», o certame programou filmes em competição a nivel da Itália, e internacional (dos 4 continentes) uma série de debates, e workshops, tendo como convidado de honra o canadiano Paul Haggis, um dos mais aclamados realizadores hollywodianos do momento. Além dessa grelha própria, o Festival exibou os 10 filmes da vida de Haggis, onde não poderiam faltar, claro está, os seus maiores sucessos como Million Dolar Baby (2004, Clint Estwood), Crash – Contacto físico (2005, Paul Haggis).
Os clássicos como Ladrão de bicicleta (Vittorio De Sica, 1948) e Rear Window (Alfred Hitchook, 1954) também fazem parte da lista dos dez mais de Haggis.
A Televisão de Cabo Verde marcou presença no acto, e vai, oportunamente, mostrar esse Festival, e claro está, uma conversa exclusiva com Paul Haggis que girou, entre outros assuntos, em torno do seu último estrondoso sucesso In the Valley of Elah - foto (2007).

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