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Mudjeris

FemmeA mulher saiu da fila, deu uma volta e, aproximando-se de outro empregado, fez nova tentativa.
- Veja se Domingas Lopes tem carta.
Nova procura nos cacifos e nova negativa:
- Não, Domingas Lopes não tem carta.
Ela saiu com ar desconfiado e resmungão:
- Ter, tenho a certeza que tenho carta... Eles é que não ma querem dar.
E lá se foi, caminho de casa, impertubável na sua fé."

Destaco o trecho acima (sublinhado meu), parte de uma crónica publicada em Agosto de 1955 no jornal Cabo Verde por Maria Helena Spencer, a primeira jornalista cabo-verdiana (falecida no ano passado). Celebrar o dia da mulher cabo-verdiana é também ter a capacidade de aceitar, ainda que criticamente, a história, e assumir as referências que ela nos legou. Acredito que seja essa a tentativa da compilação que a professora Ondina Ferreira lança hoje na Biblioteca Nacional, assinalando o dia da mulher cabo-verdiana. “Elas Contam” é o título do livro que cruza épocas e mostra o cabo verde feminino em bocados, por fases, por olhares com Maria Margarida, Orlanda Amarílis, Maria Helena Spencer, entre outras.

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