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Natal sem Dengue??! Veremos…

dengue


















Não gostaria aqui de ser repetitiva relativamente ao surto e posterior epidemia da dengue que assolou Cabo Verde, até porque este sítio é conhecido por assuntos de outra casta. Mas a dimensão do susto e as circunstâncias que ditaram, em partes, o meu afastamento prolongado justificam o conteúdo.
Comecemos pelas vítimas: o Primeiro-Ministro, tu, grande parte dos nossos amigos e familiares, eu, todos, ou quase todos... 70 % dos profissionais do Hospital Agostinho Neto (Hospital Central da Praia). Mais de 20 mil cabo-verdianos foram picados pelo mosquito aedes aegypti
Às vezes, as doenças vêm vagarosas e tacteantes, instalando-se no meio, de forma tão insidiosa que chegam a surpreender as autoridades sanitárias e, com mais propriedade, toda a população. Foi o que aconteceu com a dengue. Também à vítima, a dengue se manifesta de forma insidiosa … o mal estar inicial nunca é evidente, insinua para depois atacar e dominar.

Não que o Arquipélago não tivesse o aedes aegypti. Esse mosquito, encontrado nas regiões tropicais e intertropicais, existiu em Cabo Verde desde há muito tempo, e não chegou a ser erradicado totalmente do país.
A grande questão neste momento (e os prognósticos são muitos) prende-se com o evoluir da epidemia para o ciclo endémico, o que irá mexer profundamente com os hábitos, e não falo aqui apenas do saneamento, sabendo nós que o desafio mister é erradicar os focos vectores…

O caso do Fogo

Desde a época colonial a única ilha de Cabo Verde que continuou com o mosquito aedes aegypti foi o Fogo. Sabe-se que na ilha existem alguns hábitos típicos como as cisternas caseiras, sem falar dos bebedouros dos animais e reservatórios que são o sustento de algumas regiões encravadas. Um dos especialistas que lida com a dengue há 20 anos na Martinica, Laurent Tomás, disse durante a sua estada entre nós que essas cisternas têm de ser protegidas urgentemente por mosquiteiros especiais sob pena de continuarem a ser autênticos viveiros larvais. Acrescentou que o caso dos bebedouros dos animais é mais preocupante. Coincidência ou não, é de salientar que enquanto os casos suspeitos diminuíam em Santiago, o Fogo continuava a ter uma média relativa alta que rondava 30 casos dia. Uma questão ainda não muito bem esclarecida.

Barlavento

Além de erradicar os focos nas ilhas de Sotavento e travar a epidemia, outra preocupação das autoridades de saúde é proteger as ilhas de Barlavento onde não se registaram casos autóctones. Boa Vista foi a excepção com alguns casos notificados. E por fim, a ocorrer a endemia, aprender a conviver com a situação.
Queremos um natal sem dengue, disse o Primeiro-Ministro. Veremos! Ontem, 2 de Dezembro, registaram-se a nível do Sotavento 79 novos casos. Os lugares mais afectados foram a Cidade da Praia (43), Santa Cruz (11), Maio (9), e S. Filipe (6). No dia 1º de Dezembro, registaram-se 53 novos casos na Cidade da Praia e 20 em S.Filipe.

Saber mais na...

Grande Reportagem Dengue: uma pandemia que chega a Cabo Verde, Segunda-feira, 7 de Dezembro, depois da telenovela A Favorita, na TCV.

Comentários

Anónimo disse…
Sobre a Dengue, não resisto em partilhar este registo enviado ao Tchalé:

“Aves” do inferno
Em voo surreeal
tremuras d’inverno
em febre capital.
Nem bódj de merengue
Nem cók de grogue!
Cuidód, el é Dengue!

Alex, 17-11-2009

Que não falte: riso às dores, sorrisos à cura, e siso à prevenção.
Força!
ZCunha
Anónimo disse…
Como apreciador do teu blog queria regozijar-me com o teu regresso, pois ja tinha saudades. Também passei momentos de angustia porque a minha filha que vive na Praia foi afectada pela doença. Bom regresso.
Pura eu disse…
Ao poema terei de dar um fim mais a condizer Alex... certeiro!

Obrigada «anónimo». Com a distância a doença de um filho angustia muito mais.
Obrigada pelas palavras.

MF
Anónimo disse…
AMINATU HAIDAR

Já é tempo de dar visibilidade à luta desta mulher aí em Cabo Verde. Pela dignidade do povo Saraui escolher livremente o seu destino. Por um Sara Ocidental livre.
Divulguem sff.
Abraço
ZCunha

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