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Da imagem à mensagem

nonsense
























1. Chamaria a isso os pequenos vícios da província, e tem nome e tudo: O vaso da abertura. Certamente, lá em casa já teve a oportunidade de ver na TV as tantas aberturas oficiais de encontros, ateliers e outros, que acontecem em Cabo-Verde, presididas por membros do governo e/ou Presidente da República. Nunca faltam aqueles vasos compostos de flores artificiais, muito vistosos. Os organizadores desse tipo de evento preferem tamanho grande, de preferência aqueles bouquets que tapam a cara de quem está a falar.

2. As instituições (mormente as públicas) que financiam as publicidades para TV entre nós deveriam ter mais noção e começar a escrutinar com conhecimento de causa as mensagens que deixam passar nessas publicidades. O último filme sobre a Casa do Direito que está a ser emitido na TCV é um exemplo de como essa avaliação crítica não é feita. Além de ser um spot longo, passa uma mensagem preocupante relativamente à responsabilidade paterna (que entre nós já é deficitária). A senhora, mãe de três filhos, triste, angustiada, lamenta porque a “ajuda?” do pai para os três filhos que tiveram juntos tem faltado. A mensagem subliminar dessa publicidade, sem querer, acredito, reforça a irresponsabilidade paterna, (porque naturaliza o distanciamento) e fere o orgulho da mãe e até dos filhos.

3. Deve estar a pensar na ligação (que não existe) entre a ilustração que usei e o conteúdo deste post…são os tais desvios (ruídos) comunicacionais.

Comentários

Benvindo Neves disse…
No ponto!
Assim que vi pela primeira vez esse spot, eu e um colega comentámos o carácter tão "fatela" do argumento usado. Acho que, em vez de alcançar os objectivos propostos, o spot acaba por ter um efeito boomerang (exigia-se uma mensagem muito mais eloquente!!)

Fez-me lembrar a discussão que por cá se travou há cerca de 2 ou 3 anos, aquando da estreia do filme "Cabo Verde nha Cretcheu", da realizadora Ana Lisboa. Na altura criticou-se bastante o argumento, por, na opinião de muitos, ser eivado de esteriótipos.

Cansa-me muitos desses spots onde há representação!
Pura eu disse…
Representações em vez de (re) construções, (re) configurações... Vale perguntar, para quê comunicar?
Fonseca Soares disse…
Nesse campo, temos muitíssimo mais para andar!!! Se nem a própria mensagem 'conseguimos fazer passar'
E depois existe a componente importantíssima que é a criatividade... além do mais, no caso vertente estamos frente a um 'programa' e não a um spot!
Pura eu disse…
Bota programa nisso!

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