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A memória… do imaterial ao visual

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1. Decorre no IIPC (23 e 24 de Junho) um atelier de formação em técnicas de transcrição do património imaterial, no âmbito do projecto “Multiculturalidade e Plurilinguismo: tradição oral e educação plurilingue”. Este projecto é financiado pela União Latina e propõe-se à recolha de contos populares para posterior publicação de materiais didácticos. Em Cabo-Verde foram recolhidos 30 contos nas ilhas do Fogo, Santiago e Santo Antão. O projecto engloba ainda países como Guiné-Bissau e Senegal. Consolidar a ideia de cidadania e respeito pela diversidade cultural é o desafio da iniciativa.

2. A propósito da memória, ocorre-me falar do descalabro que é a não preservação do património visual (entende-se arquivo) da Televisão de Cabo Verde, a TV Pública. Ouve-se falar de trabalhadores que comercializam imagens, a torto e a direito, mas nunca se aponta o dedo a responsáveis (Directores, Chefes de Departamentos e Conselhos de Administração) que, nos seus reinados, autorizam cópias ao sabor dos ventos afectivos, políticos e de conjuntura, passando por cima de questões autorais e sentido de restrição. Não existindo ainda uma política severa que salvaguarde o património visual da Estação Pública, se espera dos gestores públicos mais responsabilidade e sentido de propriedade em benefício do interesse público. Como é possível uma produtora privada que se posiciona como inimiga pública da TCV ter acesso a imagens raras dessa estação, para uso num programa que, posteriormente, será vendido a peso de ouro à mesma TV? Caso para perguntar “Quem zela pelos interesses da TV do Estado, afinal??!!

Comentários

Anónimo disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Pura eu disse…
O seu comentário foi publicado e removido. Quando o Sr. jornalista tiver a coragem de assinar o seu nome, conversamos.
Anónimo disse…
Censurou texto sra. jornalista? A propósito, de onde sairam as imagens do programa que Um Minuto com o qual ganhou quase 500 contos numa produtora privada? Será essa produtora que anda a roubar a TCV?

Carlos Silva, Sal, Terra Boa. Se quiser dou o NIF.

PS. Se é tão contra a tv pública proque não vai trabalhar no privado?´Dá mais trabalho, né???
Anónimo disse…
E tu quando foste Directora? Ninguém levou nada??? Eu estava lá e sei das Cátias que meteste. E o Filintinho, quem o levou e para fazer o quê?

Carlos Silva, Terra Boa, SAl
Tchale Figueira disse…
De facto é uma vergonha Margarida. Os oportunistas fazem rios de dinheiro com imagens que pertencem ao patrimonio da TCV. Aproveitam a Sodade dos nosso emigrantes para fazer dinheiro, vendendo milhares de cópias CD de eventos como festivais, tabanca, Sanjom, carnaval etc... Depois de 30 anos, nimguem controla o nosso patrimonio, e os direitos de autor em Cabo-Verde. Bandalheira!!!!!!
Pura eu disse…
Se leu o texto, verá que não sou tão contra assim a TV pública.

As imagens para 1 Mn de história foram recolhidas por Operadores de Imagem (devidamente identificados no programa) que trabalham para a produtora Artemedia: contacta Jair Sousa e Margarida Conde, os donos da empresa privada para se informar melhor. IMAGENS GARANTIDAMENTE INDEPENDENTES.

Quanto aos honorários (não estou com vagar para precisar as cifras, mas não chegam a tanto) eles são merecidos:o resultado é visto diariamente há mais de dois meses.

Meter Cátias e trazer Filintinho é cadastro?
Pura eu disse…
Tchalé, a questão é muito séria, mas como sempre, por cá, quando se fala ebertamente em assuntos melindrosos, resulta mais fácil atacar quem ousa colocar a questão.
Como é possível fazeres programas e mais programas e perceberes que copias e mais copias andam a passar de mãos em mãos nas ilhas e na diáspora sem o mínimo de cavaco!! Justiça seja feita àqueles que se dão ao trabalho de prestar algumas informações...
STP disse…
Uma jornalista da TCV, paga pelos contribuintes, faz um programa numa cadeia privada, é paga àparte por isso e ainda vende o programa à sua própria entidade empregadora. Não será muito mais escandaloso do que a questão que insiste em levantar?
E não é a primeira vez pois não? Falemos da sua relação com os padres capuchinhos
Pura eu disse…
STP há uma coisa chamada “exclusividade” que a RTC não chegou a assinar com nenhum trabalhador. Posto isso, nenhum jornalista da TCV ou RCV está impedido de se envolver em outros projectos desde que esses não entrem no domínio da informação, e não belisquem os cânones da sua profissão.

“1 Mn de Historia” é um programa formativo e pedagógico, propriedade da comissão dos 550 anos e 35 anos de Independência. Ademais, que eu saiba, a TCV não paga para emitir esse programa.

A minha relação com os padres capuchinhos (que já dura uma vida) não é chamada para aqui: extravasa, no tempo e no espaço, a minha condição de jornalista.

Isso é que faltava... restringir os meus domínios de envolvimento sejam eles pessoais, profissionais ou outros!!!!

O que no fundo a preocupa?
Anónimo disse…
Dá-me graça que a jornalista não tenha publicado o comentário sobre as razões de ser do minuto de história. compreendo, a história está cheia de razões promíscuas e compadrios.
Pura eu disse…
graça mesmo é imaginar-te afoita e anonimamente a vir cá saber novas sobre 1 mn de história: é mesmo um caso.

Não, a UNICV não coordena a Comissão dos 550 anos...

se quer mesmo desvendar os mistérios que rondam o 1 mn de historia, vai fundo. enquanto isso, continuo por cá trabalhando em mais minutos de histórias.

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