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Momentos Cafeanos do Jornalismo Cultural


















nota pura: o debate sobre o Jornalismo Cultural começou, ganhou tentáculos no Café Margoso, e, à par dos mimos de sempre, e de reacções mais circunstanciais, eis que surgiram boas sugestões que, do meu ponto de vista, desbravam o caminho, e ajudam a estreitar os olhares sobre o próprio jornalismo e a sua endogeneização. Confiram!

1. Vejam a Cultura como um todo e não como uma elite. O mal é precisamente esse e continua a ser.Não queiram trazer modelos europeus do que é ou deve ser o modelo de jornalismo cultural. Deixa o país encontrar o seu próprio modelo porque a questão da abordagem ao povo para o poderes formar, aos poucos, é que interessa. (anónimo)

2. ... em Cabo Verde, ainda estamos muuuuito longe. A nossa realidade, são redacções ‘pressionadas’ pelos ‘donos’ (que vão desde Governos, Partidos, a grupos económicos, religiosos…) sem a vontade e nem os meios necessários – humanos, financeiros – que ‘tratam’ o que ‘mais interessa ao respectivo’, normalmente a política e interesses económicos e de grupos… e só depois - se não lesar o ‘dito cujo’ - podem acabar de encher o espaço, com outras matérias. E é aí que entra o cultural. (Fonseca Soares)

3. Como é que as rádios, as televisões, os jornais, as revistas, os blogs expõem e disseminam a Cultura? E como é que a Cultura tem estado a reestruturar e a reformatar os jornais, as revistas, os blogs? As potencialidades de parte a parte estão à vista e tendem a uma harmonização, à luz do respeito pelos campos de actuação. (...) A mediatização das realidades antropológicas, ilustradas, patrimoniais (materiais e imateriais) e performativas, bem como das manifestações culturais e folclóricas, carece, ao meu modesto ver, de maior profundidade, análise e especialização. Igualmente, reconheço que os produtores, agentes e os activos da Cultura não têm estado a potenciar, a ampliar e a optimizar parcerias no campo mediático, um hiato cujo ónus também recairia sobre a cadeia produtiva da Cultura. (Filinto Elísio)

4. … para mim isto é fundamental, existe um grande e profundo constrangimento, que muitas vezes é ignorado: o financeiro. (realce nosso)
A pequena economia nacional, pouca dada a grandes investimentos publicitários, inviabiliza ou condiciona, de maneira altamente estrutural, o surgimento de projectos de comunicação social sérios e rigorosos, com um grau de independência relativo, que permita assegurar um jornalismo diferente daquele que temos agora.
Finalmente, à margem de tudo isto (e muito fica por dizer), a qualidade do trabalho realizado e apresentado ao público - o público, e não a vaidade pessoal, é o destinatário da mensagem jornalística - dependerá sempre da atitude do próprio jornalista. (Nuno Andrade Ferreira)

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